A construção civil deverá ter uma retomada dos negócios no começo do ano que vem na região, espera o presidente do sindicato das indústrias do setor em Jaraguá do Sul, Paulo Obenaus. Ele acredita que o impeachment definitivo da presente afastada Dilma Rousseff e a execução das medidas econômicas do governo Michel Temer demonstram sinais de recuperação e isso reflete no setor imobiliário. O otimismo está contagiando os empresários, observa Obenaus. “Com as medidas econômicas definidas e confiáveis o mercado vai responder positivamente, as empresas irão investir nos seus negócios e com isso as pessoas terão confiança em investir em imóveis, sem receio de perder o emprego e renda”, afirma. Neste ano, a maioria das empresas da construção civil demitiram e não registram crescimento na região, fazendo reduções na ordem de 25% no quadro de funcionários. De janeiro a maio, a criação de vagas foi tímida e registrou 56 novos postos de emprego em Jaraguá do Sul, segundo o Ministério do Trabalho. “O divisor de águas será o impeachment. Após sacramentado essa fase acredito que teremos um novo momento da economia com mais confiança e segurança, e certamente as pessoas voltarão a investir”, diz. Diante da expectativa de recuperação, ainda há preocupações. O setor busca reverter a mudança no valor máximo de financiamento do programa Minha Casa, Minha Vida. Antes estabelecido em R$ 145 mil, o governo federal reduziu o teto para R$ 130 mil no município, criando uma regra baseada na quantidade de habitantes. O segmento acredita que há pouca atratividade de investimento nesse preço. Uma comissão de catarinenses foi formada para discutir o tema com o governo. “Foi construído um projeto para atender as cidades acima de 100 mil habitantes e acreditamos ter êxito em nosso pleito, já foram feitas cinco reuniões em Brasília”, diz Obenaus. Ensino na área também acredita em recuperação As vagas de estágio para construção civil foram recuperadas no último semestre após uma baixa, afirma a coordenadora do curso de Engenharia Civil da Católica SC, Helena Pereira. O ingresso de estudantes na formação não sofreu impactos negativos com a crise econômica, segundo ela. “É uma profissão clássica e sempre há oportunidade de atuar como autônomo, não só em empresas”, diz. No primeiro semestre do ano, 12 estudantes foram direcionados para vagas de estágio em Jaraguá do Sul, número que segue a média de todos os períodos, afirma Helena. Dos 14 alunos que se formaram em 2015, apenas dois não estão empregados na área, observa. “Tivemos um pouco de dificuldade no estágio, mas nada muito grave”, afirma. O presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil de Jaraguá do Sul, Paulo Obenaus, diz que o momento exige que os estudantes e profissionais se preparem melhor com especialização e inovação nas estratégias. “Os altamente qualificados terão destaques na retomada do crescimento econômico”, afirma. Qualificação para se diferenciar no mercado é o que busca o estudante de Engenharia Civil Gustavo Rocha, 22 anos. Estagiando na área de projetos desde o ano passado, ele observa que o segmento está fechado para novas contratações em Jaraguá do Sul. “Tem que ter um diferencial para ganhar espaço, o profissional deve buscar se especializar na área que gosta e demonstrar conhecimento”, comenta. Com expectativa de estar graduado em 2018, ele acredita que essa especialização irá garantir uma boa colocação na profissão.