A redução em investimentos imobiliários somada a crise econômica nacional impactou o setor da construção civil em Jaraguá do Sul a partir de 2015. A retração nos empreendimentos acarretou em queda na geração de empregos, uma recuperação que começou a ser visualizada nesse ano, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mantidos pelo ministério do Trabalho e Emprego.

O setor, parte chave do crescimento do município, registrou resultados negativos nos acumulados de junho de 2015 a junho de 2016, com perda de 127 postos. No período de 12 meses até 2017, a perda foi de 233 postos. Apenas 26% dessas vagas foram recuperadas nos últimos doze meses, com geração de 94 postos no setor, mas as perspectivas começam a mudar, apontam empreendedores do setor.

Segundo Paulo Obenaus, ex-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Jaraguá do Sul (Sinduscon) e proprietário da Proma Construções e Negócios, Jaraguá registra o 13º melhor desempenho do estado em geração de empregos do setor.

"Nós fomos afetados de forma geral pela baixa da economia e o setor da construção é muito afetado, pois se os outros setores vão mal é óbvio que vão cortar investimentos imobiliários", conta.

Obenaus ressalta que a taxa de juros elevada nos anos crise tornava os investimentos financeiros mais interessantes do que o investimento em imóveis, cenário que se inverteu em 2018, com a taxa Selic em baixa histórica de 6,5% - o que tornou o investimentos bancários menos rentáveis.

"O jogo mudou nisso, estamos em um momento muito favorável com bons preços e demanda crescente, quem investir em imóveis agora vai ter um rendimento muito bom quando o mercado tiver em recuperação plena", ressalta.

De acordo com o presidente da associação das Imobiliárias de Jaraguá do Sul, Thiago Leoni, os anos de 2015 e 2016 viram uma redução considerável nas vendas das imobiliárias e na construção civil, perdas que começaram a ser recuperadas em 2017.

Segundo Leoni, a expectativa é de que 2018 seja um ano de resultados mais favoráveis para o setor e para a construção civil. Com a perda de poder de consumo, as compras de imóveis novos caíram.

Indústria tem registrado perdas desde 2014

O setor mais prejudicado pela crise é o da indústria de transformação: nos 36 meses entre junho de 2014 e junho de 2017, foram perdidos 6.777 postos de trabalho no setor.

Desse total,  apenas 174 foram recuperados entre junho do ano passado e junho de 2018, pouco mais de 2,5% das perdas - embora o primeiro semestre do ano tenha, sozinho, registrado a criação de 1.210 postos de trabalho no setor.

O pior resultado no período foi entre junho de 2015 e junho de 2016: nestes 12 meses, o setor fechou 4.264 postos de trabalho com carteira assinada. Somente no primeiro semestre de 2016, ano que viu uma queda de 3,6% no Produto Interno Bruto (PIB) nacional, o setor demitiu 1.377 pessoas a mais do que contratou.

A perda de postos de trabalho na indústria, responsável por quase metade dos empregos formais no município, tem reflexos em todos os outros setores do mercado de trabalho em Jaraguá do Sul.

Com a perda de renda do trabalhador, o que provoca quedas no consumo e, por extensão, perda de empregos no comércio, na construção civil e no setor de serviços.

Jaraguá do Sul teve apenas um mês de resultados negativos na abertura de vagas no setor: junho, marcado pelas repercussões da paralisação dos caminhoneiros no mês de maio, com déficit de 104 postos de trabalho.

Comércio demonstra queda pontual

Seguindo o padrão da economia, o setor de comércio registrou perdas entre 2015 e 2016, com saldo negativo de 306 postos de trabalho entre os meses de junho dos dois anos, mas tem demonstrado padrão consistente de crescimento desde então, com geração de 167 postos até junho de 2017 e 465 postos até junho deste ano.

O impacto da crise no setor pode ser visto comparando os resultados dos primeiros semestres. O ano de 2015 viu o fechamento de 122 postos no comércio jaraguaense, com perda de oito postos no primeiro semestre de 2016 - demonstrando estagnação do setor - e saldos positivos nos anos seguintes.

A primeira metade do ano tende a ter estabilidade no setor, com menor número de contratações sazonais.

Serviços teve perdas significativas em 2016 e 2017

O setor de serviços, por sua vez, demonstrava tendência firme de crescimento entre 2013 e 2015, com saldos positivos consistentes nos primeiros semestres e nos acumulados dos anos, antes de entrar em queda a partir da segunda metade de 2015.

De um saldo do ano de 490 postos entre junho de 2014 e 2015, o setor passou a déficit de 876 postos entre 2015 e 2016 - o primeiro semestre de 2016 sozinho viu perda de 336 cargos no setor de serviços. Entre 2016 e 2017, foram fechados mais 181 postos, e o período entre 2017 e 2018 viu a recuperação de 357 empregos no setor, cerca de 33% das perdas.

Segundo o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas, o padrão está ligado às perdas em outros setores: com o aumento de desempregados na indústria, há a migração de trabalhadores para o setor de serviços, mas com a perda de renda e queda no consumo, muitos dos novos prestadores de serviços migram para o comércio ou abandonam o setor.

A recuperação da indústria e do comércio na segunda metade de 2017 também levou a redução dos empregos no setor, conforme trabalhadores abandonam a prestação de serviços para voltar ao seu setor original.

 

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