Jaraguá do Sul tem uma expressividade considerável no mercado internacional: só nos primeiros quatro meses do ano, o município já soma US$ 190,36 milhões em exportações, e segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), a cidade é a quinta maior exportadora do Santa Catarina e a 82ª no ranking nacional,  em um universo com mais de  2,2 mil municípios brasileiros.

São 60 exportadoras registradas junto ao ministério, com uma - a WEG - na faixa um de exportações, com mais de US$ 100 milhões em comercializações com o mercado internacional. Segundo dados do MDIC, a cidade conta com duas empresas na faixa quatro de exportações - entre US$ 5 e 10 milhões - e nove na faixa cinco - entre US$ 1 e 5 milhões - registradas em 2017.

WEG é a maior exportadora de Jaraguá do Sul | Foto Eduardo Montecino/OCP News
WEG é a maior exportadora de Jaraguá do Sul | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Sozinha, a WEG representa mais de 80% das exportações de Jaraguá do Sul - mas sua presença no mercado internacional não se resume às suas exportações. A empresa conta com operações em 29 países, com parques fabris em 12 deles, segundo dados da empresa.

Este volume de exportações - só no setor de eletro motores, responsável por 87% das exportações de Jaraguá do Sul - é apenas parte do faturamento da empresa, que tem 57% da sua receita no mercado externo e 14 parques fabris no Brasil, além das fábricas no exterior. Em 2017, a empresa fechou o ano com faturamento de R$ 9,5 bilhões e lucro líquido de R$ 1,148 bilhão.

A multinacional não é a única empresa que Jaraguá do Sul tem com destaque no mercado internacional - e nem todas se destacam olhando apenas para as exportações. Negócios criados no município também vão mais longe pela força da marca atrelada ao produto.

Destaque da marca é o foco da Live

A expressividade que Jaraguá do Sul tem no mercado externo não advém apenas de exportações: algumas empresas obtiveram destaque com atuação direta em mercados internacionais e nome da marca, caso este da grife Live, que desponta no mercado estrangeiro com duas lojas no estado da Flórida e do e-commerce.

Segundo o CEO da empresa, Gabriel Sens, a empresa tomou a decisão de se internacionalizar em 2015 com a abertura da primeira loja em Miami Beach, expandindo em 2016 com uma loja ampla no Brickell City Center, shopping também de Miami. Ambas são lojas próprias da empresa, e não franquias.

Empresa começou processo de internacionalização em 2015 | Foto Carlos Aristizabal/Divulgação
Empresa começou processo de internacionalização em 2015 | Foto Carlos Aristizabal/Divulgação

Além disso, a rede tem ambições maiores no mercado internacional. O e-commerce da rede opera de forma internacional.

"Entregamos das nossas lojas nos EUA para o mundo todo, estamos com um trabalho com representante comercial para implantar a marca em grandes varejistas americanos e temos planos para abrir lojas em outros países futuramente", explica Sens.

A rede também tem um acordo com uma empresa na Inglaterra para e-commerce da grife, com planos para abertura de lojas no Reino Unido e na Europa, e está em negociações para a abertura de unidade em Dubai, nos Emirados Árabes.

"Nossos objetivos internacionais estão focados principalmente em Estados Unidos e Europa, com abertura de mais lojas, mas estamos estudando expansão para mais mercados", explica.

Duas Rodas tem 15% do faturamento do mercado internacional

O caso da Live não é o único em que pensar em termos de exportações engana.  Outra empresa que tem mais presença internacional do que sua posição no ranking de exportações sugere é a Duas Rodas Industrial, no setor alimentício. Segundo a diretora de negócios internacionais da empresa, Roseméri Francener, 15% do faturamento da empresa se deve às suas operações internacionais.

Na faixa quatro do MDIC, a empresa é a terceira maior exportadora do município, segundo os dados do ministério, e atua no comércio exterior desde a década de 30.

Duas Rodas investiu fortemente em expansão nas últimas décadas | Foto Divulgação
Duas Rodas investiu fortemente em expansão nas últimas décadas | Foto Divulgação

Nos últimos 20 anos, a empresa investiu fortemente em sua expansão internacional, começando com de um parque fabril na Argentina, em 1996, seguindo depois para o Chile, na Colômbia e no México; 2018 vê planos para a expansão das filiais no México e na Colômbia.

Estas operações internacionais reduziram as exportações diretas da empresa no Brasil, compensada pelas vantagens oferecidas pela internacionalização.

"O uso das unidades como plataforma para atendimento corporativo aos grandes clientes globais e troca de informações e vantagens competitivas entre unidades e Matriz, na aquisição de matérias-primas e desenvolvimento de produtos diferenciados, fazem parte das estratégias de posicionamento e avanço no mercado externo", explica Francener.

Parte do portfólio de ingredientes da empresa se destacam no mercado internacional, diz Francener. Hoje, a empresa marca presença em cerca de 30 países nos cinco continentes, com uma carteira de mais de 10 mil clientes. A posição na faixa quatro das exportações engana: em 2016, a empresa registrou um faturamento de R$ 735 milhões, equivalente então a US$ 226,151 milhões.