O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) de Santa Catarina passou de 65,7 pontos em março para 60,8 pontos em abril. É a terceira queda consecutiva em 2019, informa pesquisa da Fiesc, divulgada esta semana.

Os indicadores variam de zero a cem pontos. Quanto mais acima dos 50 pontos, maior é a confiança dos empresários.

O índice catarinense permanece alto, mas esta é uma das maiores quedas registradas na série histórica, iniciada 2010.

Dos componentes do ICEI, houve queda de 2,9 pontos do indicador de condições atuais, influenciada pela percepção dos empresários em relação à economia brasileira.

A queda na confiança geral, contudo, foi puxada pelo indicador de expectativas futuras, que apresentou retração de 6 pontos.

Neste caso, o menor otimismo está ligado à economia nacional (-6,6 pontos), mas as expectativas para a economia do estado (-5,2 pontos) e das empresas (-5,6 pontos) também sofreram reduções significativas.

Em Jaraguá do Sul, o panorama é menos desolador, acredita o vice-presidente da entidade para o Vale do Itapocu, Célio Bayer.

"Estamos gerando emprego de forma positiva, e diria que a nossa matriz econômica, nos setores de energia, bens de capital e metalurgia esta tendo uma tendo uma demanda aquecida com este momento de recuperação", comenta.

Em março, enquanto o Estado fechava 2.976 postos de trabalho, Jaraguá do Sul encerrava o mês com geração de 134 empregos.

A região em que o município está inserido, no norte catarinense, goza da segunda maior taxa de crescimento do estado.

Enquanto estado de Santa Catarina cresceu 7,1% em 2018, a região Norte - na qual está incluso o Vale do Itapocu - cresceu 8,23%. Os dados fazem parte do Índice de Performance Econômica de Santa Catarina (Iper-SC).

A região Norte é composta pelos municípios de Araquari, Balneário Barra do Sul, Barra Velha, Corupá, Garuva, Guaramirim, Itapoá, Jaraguá do Sul, Joinville, Massaranduba, São Francisco, São João do Itaperiú e Schroeder.

Mercado aguardava mudanças mais rápidas

Bayer nota que parte do problema foram expectativas não cumpridas quanto aos rumos do país.

"Eu tenho a certeza de que após o período de uma certa crise e um período de recuperação em 2017 e 2018 e o novo governo, havia uma grande expectativa de mudanças, mas com a frustração destas expectativas tivemos uma queda na confiança", explica

O empresário se refere à promessa de reformas econômicas nacionais e de investimentos regionais - ambas expectativas que descreve como frustradas.

Das reformas prometidas nos últimos anos, apenas a trabalhista teve avanços significativos - aprovada ainda no governo Temer. A da Previdência segue em discussão, e a tributária mal tem sido discutida.

Ao mesmo tempo, os investimentos estruturais para a região seguem em passos lentos: não há previsão para o fim das obras na BR-280, e a SC-108 segue em obras após um deslizamento no mês de fevereiro.

O ICEI nacional recuou para 58,4 pontos em abril. Esta é a terceira queda consecutiva do indicador, que caiu 0,2 ponto em fevereiro, 2,6 pontos em março e 3,5 pontos em abril.

Com a maior queda dos últimos meses, conforme pesquisa divulgada nesta segunda-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o índice totaliza 6,3 pontos de recuo nos últimos.

 

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