Se preparar para a aposentadoria é um desafio encarado por grande parte dos brasileiros, e com a iminência da reforma da Previdência aumenta a importância do planejamento e o preparo. Ciente destas dificuldades, falamos com o especialista em previdência Roberto Seidel, da Patrimono, procurando as melhores alternativas para garantir uma boa aposentadoria. O Brasil ocupa atualmente o terceiro lugar no índice Aegon de Preparo para a Aposentadoria, mantido pelo Instituto para Longevidade Mongeral Aegon. Segundo o instituto, embora 52% dos brasileiros se vejam como os principais responsáveis por garantir sua renda na aposentadoria, apenas 21% contam com um plano formal para a aposentadoria, e só 16% se consideram preparados e com reservas o suficiente. Segundo Seidel, falta ao brasileiro uma cultura de se preparar para o futuro e para a aposentadoria, por uma questão de falta de educação financeira. "O brasileiro é muito imediatista, pensando no curto prazo se o salário cumpre as necessidades mensais dele, ele vai pagando suas contas, vai vivendo e não vai formando uma reserva. Ele vai consumindo o que recebe por mês e se precisar ele vai fazer um financiamento, pegar um empréstimo ou usar crédito", comenta. Por conta disso, há uma procura reduzido por programas de previdência privada - segundo dados da Aegon, a expectativa nacional é de que metade da renda na aposentadoria venha do INSS. Segundo Seidel, não são apenas os programas de previdência privada para poder viver de renda no futuro, como investimentos em ações ou fundos de renda fixa. Uma das maiores dificuldades encaradas para se preparar para a aposentadoria, além da dificuldade de começar um planejamento, é manter a disciplina na formação de reserva, diz Seidel. "Muitas pessoas até começam a formar uma reserva para viver de renda no futuro, mas acabam deixando de lado por esquecer, por descuido, ou até por pressões comerciais, assim por dizer", destaca, ressaltando que é importante de manter reservas mensais para ampliar os rendimentos por conta de juros compostos.

Previdência não é a única solução e planejamento é essencial

De acordo com o especialista, a previdência privada não é a única - e nem a melhor - opção para os rendimentos na aposentadoria. "Os programas de previdência privada são melhores como uma opção sucessória, para o caso do seu falecimento", explica, destacando que os valores podem ser repassados aos herdeiros mais rápido do que o inventário de herança, junto com os seguros de vida. Dois conselhos são fundamentais: primeiro, jamais gastar mais do que ganha. "Se tiver que comprar, guarde dinheiro, se tiver que parcelar ou usar crédito, busque sempre os planos com os melhores juros", conta. Segundo, priorizar a reserva às despesas."Ao invés de primeiro gastar e se sobrar guardar uma reserva financeira, a primeira coisa que se deve fazer é formar uma reserva financeira", recomenda. "Do ponto de vista de rentabilidade, tem várias outras alternativas mais interessantes", diz Seidel, destacando fundos de investimento, títulos de renda fixa, ações e letras de crédito. "Quando se pensa em reserva para o futuro, o nome previdência privada é muito forte, mas você pode fazer a sua previdência por conta própria", ressalta, notando que pode se ter resultados muito melhores com investimentos mais diversificados. Aposentados tem trabalhado cada vez mais Segundo dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), 33,9% dos aposentados continuam a trabalhar - entre aqueles que tem entre 60 e 70 anos, esse percentual é de 42,3%. Os dados revelam que a aposentadoria legal não significa necessariamente repouso: muitas vezes, é só uma renda complementar. De acordo com Seidel, parte disso se deve à falta de planejamento previdenciário. Como os rendimentos da previdência e do patrimônio consolidado não são suficientes, muitos acabam sendo obrigados a se manter trabalhando para pagar as contas - caso de 46,9% dos aposentados, segundo o SPC, outros 9,1% trabalham para ajudar a família. Outros se mantém trabalhando para se manterem ocupados ou se sentirem produtivos - caso de 23,2% e 18,7%, respectivamente. Dicas
  • Reserve recursos antes de entrar em despesas - não no final do mês;
  • Mantenha o planejamento para a aposentadoria: "formar patrimônio  é uma questão de disciplina", frisa Seidel;
  • Se tiver que fazer uma compra no prazo ou no crédito e não for possível aguardar até ter poupado o bastante, estude os menores juros;
  • Começar a formar patrimônio e um programa de previdência - quer na forma de uma previdência privada, quer como outra caderneta de investimentos - o quanto antes é essencial;
  • Estude opções alternativas de formação de patrimônio - diversificar o portfólio pode aumentar os rendimentos e evitar prejuízos.
De pouco em pouco Pedimos à Patrimono simulações de investimentos para 20 e 30 anos, baseados em rendimentos de 0,8%ao mês, demonstrando os totais que podem ser acumulados com investimentos relativamente pequenos ao mês.A diferença com os juros acumulados faz com que os valores dos últimos 10 anos sejam consideravelmente maiores do que os consolidados nos primeiros 20.