O ano 2017 viu o fim da crise econômica que afetou o país desde 2014, mas seus impactos continuam a ser sentidos pelo país e não é diferente com Jaraguá do Sul. Com cenário de recuperação, o município se preparara para medidas que possam voltar a equilibrar a economia local. A recuperação passa por ações locais, como a criação de uma matriz econômica voltada à tecnologia, até questões estruturais em âmbito nacional, como aumento nos investimentos em infraestrutura. https://ocponline.com.br/jaragua-do-sul-gerou-mais-de-19-mil-postos-de-trabalho-em-tres-meses/ Segundo o secretário da Fazenda de Jaraguá do Sul, Márcio Erdmann, o cenário que se desenvolve desde 2017 é promissor.
"A queda da inflação, redução da Taxa Selic e melhora no emprego, ajudaram na retomada do crescimento da economia. Esse ambiente econômico já propiciou um avanço do crédito às famílias de 5,7% ao ano", diz.
Segundo o secretário da Fazenda de Jaraguá do Sul, Márcio Erdmann, o cenário que se desenvolve desde 2017 é promissor | Foto Arquivo OCP
De acordo com ele, dados estaduais projetam um crescimento de 6,5% para o ano em Santa Catarina. A região Sul do país, por sua vez, teria tido um crescimento de 3,48% no final do ano passado. Reverter o quadro acentuado pela crise, segundo o presidente da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (Acijs), Anselmo Ramos, passa pelo fortalecimento da matriz econômica e a inovação.
"O que vem sendo feito por meio de projetos como o Centro de Inovação em fase de conclusão pelo Governo do Estado, ou por iniciativas como a incubadora JaraguaTec e o Instituto de Tecnologia Senai, entre outras ações que visam a instalação do Distrito de Inovação, e que pode levar o município a obter melhores indicadores", afirma.
Reverter o quadro acentuado pela crise, segundo o presidente da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (Acijs), Anselmo Ramos, passa pelo fortalecimento da matriz econômica e a inovação | Foto Eduardo Montecino/Arquivo OCP
Ramos destaca que os problemas encarados pelo município não são só decorrentes da crise.
"Não se trata de uma situação recente, mas sim condição que se apresenta há alguns anos, com perda de receitas e a redução de investimentos de maior monta. Isto está diretamente ligado à ausência de melhor infraestrutura, que inibiu a entrada de recursos do setor privado", explica, ressaltando que Jaraguá do Sul tem perdido competitividade há alguns anos.
Por conta disso, o município deve buscar o equilíbrio financeiro, ao mesmo tempo em que deve criar condições favoráveis a investimentos.
"Isto por meio de estratégias de atração de novos negócios, no incremento ao empreendedorismo e no estímulo para que as empresas já consolidadas sintam confiança em suas estratégias de aumento da capacidade produtiva", comenta.

Emprego mostra sinais de reação

Após quatro anos em tendência negativa na geração de empregos, Jaraguá do Sul encerrou 2017 com o primeiro saldo positivo desde a crise de 2015 e o primeiro ano de crescimento na geração líquida de empregos desde 2013, encerrando o ano com 288 vagas geradas. https://ocponline.com.br/jaragua-fecha-saldo-positivo-de-geracao-de-empregos-pela-primeira-vez-em-tres-anos/ Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), ao final de 2017, Jaraguá do Sul contava com 61.886 empregos formais. Até o momento, o ano de 2018 viu a geração de mais 1.020 postos de trabalho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED). Neste ano foram 165 novos empregos em janeiro, 1.362 em fevereiro e 375 em março. No mesmo período de 2017, 1.216 haviam sido abertas. Comparados com o ano de 2013, os números do final de 2017 demonstram uma queda de 24% no total de empregados formais do município. Eram 81.365 pessoas com empregos formais em Jaraguá do Sul no final do ano em questão, uma diferença de 19.479. Nos cinco anos anteriores, por sua vez, o município havia aumentado seu total de empregos formais em 10,4% - ao final de 2008, eram 73.690 trabalhos formais em Jaraguá do Sul.

Saldo da Balança Comercial está em recuperação

Um dos indicadores que demonstra impacto mais visível é a balança comercial, que tem demonstrado recuperação - o volume de exportações cresceu 15,77% em 2017, enquanto o de importações subiu 18,38%. https://ocponline.com.br/balanca-comercial-demonstra-aquecimento-da-industria-local/ Ao contrário de outros indicadores, no entanto, a balança já demonstrava queda em comparação com 2008, que registrou um volume maior de exportações - na ordem de US$ 827,6 milhões -, uma dependência menor de importações - na ordem de US$ 251 milhões - e um saldo que era mais do que o dobro do de 2017: US$ 575,88 milhões. Parte desta queda se deve pela cotação do dólar e a desvalorização do Real na economia internacional. Ao final de 2017, a cotação da moeda americana era de R$ 3,321. Em dezembro de 2013, era R$ 2,318. Em 2008, por sua vez, era R$ 2,314 - a moeda americana chegou a apenas R$1,5670 no ano.

Arrecadação do ICMS subiu

Uma das principais fontes de repasses constitucionais para os municípios e um dos maiores indicadores de atividade comercial, o montante do  Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de Jaraguá do Sul demonstrou, em seu total, um leve crescimento na comparação entre 2017 e 2013: o total repassado em 2017, de R$ 149,84 milhões, foi 1,8% maior do que o de 2013, de R$ 147,18 milhões. Os valores são brutos. https://ocponline.com.br/arrecadacao-do-icms-diminui-em-2017-mas-cenario-indica-estabilidade/ No entanto, o impacto da crise pode ser sentido no padrão do repasse visto ao longo dos anos, segundo dados da Federação Catarinense dos Municípios (Fecam): após um aumento de 10,64% em 2014, totalizando R$ 162 milhões, os repasses entraram em queda. Em 2015, a queda foi de 3,3%, para R$ 157,1 milhões. No ano seguinte, de 4,7%, caindo para R$ 150,114 milhões. 2017 teve queda de 0,2%. Em 2008, o montante do ICMS era de 83,258 milhões - 80% menor do que o de 2017, e 76,7% menor do que o de 2013. A previsão é que o município tenha queda de até 9,1% no ICMS em 2018, devido a redução de seu percentual no Índice de Participação dos Municípios, que passou de 3,1% para 2,8%. No acumulado até o momento, a queda foi de 3,8%, uma perda de R$ 1,8 milhão para os cofres públicos. Segundo Erdmann, se o município tivesse mantido a taxa de participação que tinha em 2011 - de 4,27% - isso resultaria em um adicional de R$ 60 milhões aos cofres públicos, somente em 2017. Quer receber as notícias do OCP Online no WhatsApp? Clique aqui

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