Passado o Dia das Crianças, na última sexta-feira (12), o comércio entra na reta final do ano, antecipando as vendas e as contratações para as duas últimas grandes datas do setor: a Black Friday, em novembro, e o Natal, a melhor data para o setor varejista e que mais exige funcionários temporários.

Segundo a Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), a expectativa é de que o país contrate 10% a mais do que no último quadrimestre de 2017 - a entidade espera se abram 434 mil postos temporários no país.

Mas no comércio, o resultado pode ser inferior à 2017: segundo projeções da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), devem ser criadas 72,7 mil vagas temporárias no comércio como um todo, 1,4 mil a menos que no Natal de 2017.

A temporada de contratações temporárias para o setor ainda não começou para muitas lojas, mas segundo a gerente da Grafipel, Gigi Pereira, o momento é ideal para as contratações.

"Setembro a outubro é o momento perfeito para as contratações de fim de ano, pois nessa época se tem tempo não só para o treinamento como para filtrar os candidatos ideais para o varejo", explica.

Embora ainda não tenha postado anúncios nas vitrines, a livraria e papelaria já tem procurado candidatos junto à empresas de RH e universidades. "Este é um momento propício para encontrar potenciais funcionários com potencial, mesmo já tendo equipe formada", explica.

A expectativa para o período de fim de ano de 2018 está abaixo do ano passado, segundo o gerente da Multisom do calçadão, Gilsimar Maria. Segundo o gerente, com a situação econômica do país incerta, o consumidor tem se demonstrado bastante "acanhado".

"Acho que o consumidor tem esperado para saber o rumo que o país vai tomar com as eleições, está bem cauteloso e comprando pouco", diz Maria.

Os anos de 2015 e 2016 foram marcados por resultados fracos, mas 2017 teve bons resultados de vendas, segundo o gerente. "Foi um dos nossos melhores anos", avalia. Agora, a loja conta com a expectativa de boas vendas para a Black Friday e o Natal para recuperar o ritmo fraco de 2018.

Apesar das perspectivas fracas, Gilsimar pretende contratar ao menos dois funcionários temporários para o fim de ano. "Vamos precisar de ao menos um vendedor e um caixa a mais", explica.

Segundo Gigi, nem todas as contratações de fim de ano são temporárias. Em muitos setores, passadas as vendas de natal há a tendência de dispensar os vendedores sazonais, mas no setor de papelarias e livrarias, a alta na movimentação tende a seguir até março, com a volta às aulas.

"E é comum que os funcionários contratados como temporários acabem dando continuidade na empresa, caso demonstrem perfil para tal", adiciona.

Nem todas as lojas pretendem fazer contratações extras para o fim de ano, caso por exemplo da JS Presentes.

"Temos boas expectativas para o fim de ano, mas não pretendemos contratar funcionários a mais para este ano, até por termos passado anos difíceis entre 2015 e 2017", explica o gerente, Oscar Brito Santana.

De acordo com ele, os anos da crise foram alguns dos mais difíceis em seus 23 anos no mercado.

Ano tem saldo fraco

Até agosto, Jaraguá do Sul perdeu cinco postos de trabalho no comércio, segundo os dados vigentes do Cadastro Geral de Empregados e desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego.

O saldo negativo se torna mais evidente em comparação com o ano passado: no mesmo período de 2017, a cidade havia gerado 374 postos de trabalho no setor.

O resultado foi pior em 2015, o primeiro ano da crise: os primeiros oito meses do ano registraram a perda de 324 postos de trabalho no comércio. Já em 2016, o período viu uma leve recuperação das perdas, com ganho real de 29 postos.

Enquanto setembro e outubro costumam ser meses normais para as contratações no setor, novembro e dezembro tendem aos meses de maior oscilação no comércio, movido por contratações temporárias.

Em 2017, novembro viu a criação de 66 postos de trabalho no setor, enquanto dezembro viu o fechamento de 74 postos, com as dispensas após as festas.

Em 2016, dezembro perdeu 60 postos de trabalho no setor, enquanto novembro via a criação de 36. Já 2015, marcado pela crise, quebra o padrão, com saldos negativos tanto para o mês das contratações sazonais - foram 12 vagas perdidas em novembro -  quanto para o mês das demissões: foram 102 vagas perdidas no último mês do ano.

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