Os brasileiros adeptos de uma boa leitura levaram um susto na última semana. Poucos dias depois de fechar o site da Fnac e encerrar as atividades da última loja física da rede no Brasil, a Livraria Cultura abriu um pedido de recuperação judicial.

A empresa está atolada em dívidas e afirmou que o principal motivo é o cenário econômico do país e a crise no mercado editorial. Estimativas próprias apontam que o segmento encolheu 40% desde 2014. Prova disso é a Saraiva, outra rede que vem tendo sérios problemas financeiros.

Mas ninguém ainda falou em fechar as portas. A recuperação judicial é, basicamente, um processo que tenta evitar o fechamento definitivo de uma empresa. E o pedido foi aceito na última sexta-feira (26), pelo juiz Marcelo Barbosa Sacramone, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível.

No pedido de recuperação, a empresa cita desde a queda do poder aquisitivo dos consumidores até a redução do hábito de leitura e elevação dos custos de produção.

Foto Divulgação

A empresa deve apresentar o plano de recuperação em 60 dias e depois será submetido à aprovação de uma assembleia com os credores. O prazo para a homologação do plano pela Justiça foi determinado em 180 dias, contados de forma corrida.

Até que o processo seja concluído, a Livraria Cultura fica impedida de pagar dívidas, inclusive as trabalhistas. Se o plano não der certo, infelizmente poderá resultar em falência.

A empresa foi fundada por Eva Herz, em 1947, e com mais de 70 anos de atuação chega ao fim de 2018 acumulando dívidas na casa dos R$ 285,4 milhões.Atualmente mantém cerca de 15 unidades físicas no Brasil, além da loja online e da plataforma Estante Virtual, adquirida no fim de 2017.

Para escapar de um destino trágico, a Livraria Cultura pretende atuar com mais agressividade nos canais online e, ao mesmo tempo, manter poucas lojas físicas — a intenção é torná-las mais atraentes com serviços complementares.

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