Os sete cemitérios públicos de Jaraguá do Sul encaram um desafio no futuro próximo: o fim dos lotes funerários, questão que esbarra em uma série de problemas logísticos e culturais.

Ao todo, o município administra sete dos 25 cemitérios na cidade - o restante é mantido por associações e comunidades religiosas de matriz luterana e católica. Estes sete cemitérios são os do Centro, Vila Lenzi, Rau, Nereu Ramos, Jaraguá 99 e Chico de Paulo.

Destes, um deles já está sem jazigos disponíveis para reserva: o do Centro, que é também o que mais recebe sepultamentos.

O problema de lotação dos cemitérios vem de longa data - e não afeta apenas Jaraguá do Sul, em vista que, no Norte do estado, Joinville lida também com a falta de espaço nos cemitérios.

O problema é global, resultado da limitação espacial dos cemitérios ante o crescimento populacional, com cemitérios ao redor do mundo buscando alternativas para contornar a falta de espaço - na Grécia, a situação chegou ao ponto dramático de se recorrer à exumação de corpos e reaproveitamento de jazigos.

Segundo a Prefeitura Municipal, o município tem estudado formas de lidar com o problema, que tende a se tornar cada vez mais grave. Tirando o caso do cemitério do Centro, a Prefeitura não tem dados quanto a lotação dos outros seis cemitérios e está processo de inventariar os lotes funerários.

Ao todo, o município conta com cerca de 12 mil jazigos - mas a Prefeitura não sabe dizer quantos estão cedidos para munícipes que já têm familiares sepultados ou ocupados.

Atualmente, o município vê uma média de 39 sepultamentos por mês. As soluções para a falta de espaço, no entanto, encontram resistência - como pode ser visto em 2012, quando cemitério vertical no antigo Cemitério Brüstlein, no bairro Czerniewicz, em Jaraguá do Sul, com cerca de 200 gavetas, foi demolido pela Prefeitura.

A comunidade manifestava preocupação com contaminação do solo e obstrução do trânsito. A ampliação e construção de novos cemitérios encontra a mesma dificuldade.

Cremação cresce

Uma medida que ajudou a reduzir a sobrecarga e que encontra presença cada vez maior nos ritos funebres é a cremação - forma de velar que até pouco tempo encontrava pouca penetração entre a sociedade brasileira, e que encarou controvérsias em sua implementação em várias cidades.

Segundo o diretor do Crematório Catarinense, Leonardo Leier, a procura pelos serviços de cremação está um pouco acima do esperado. Localizado no bairro Nereu Ramos, às margens da BR-280, a unidade funerária faz cerca de 30 cremações por mês, atendendo toda a região do Norte catarinense.

"Hoje temos uma média de 10% a 20% dos óbitos da região, no primeiro ano tínhamos uma certa dificuldade em alcançar 5% dos ritos", adiciona Leier.

De acordo com ele, o aumento na procura está relacionado a vários fatores, entre mudanças na cultura mortuária, com maior aceitação pela cremação - no começo do ano, a Paróquia São Sebastião instalou um cinerário na Igreja Matriz, oferecendo um local sacro para preservar as cinzas - e fatores econômicos.

"A cremação é mais barata, e com o cenário econômico que estamos passando as pessoas estão buscando uma forma mais acessível de velar seus entes queridos", explica.

A lotação dos cemitérios é outro elemento que tem afetado a procura - com a falta de espaço e a dificuldade em reservar um lote nos cemitérios, a cremação se torna mais viável para muitas famílias.

"Há também uma questão cerimonial e simbólica que tem atraído as pessoas para a cremação, conforme a cultura vai mudando", adiciona.

Atualmente, a maioria das religiões aceita a cremação, mas há algumas exceções como ortodoxos judeus, islâmicos , ortodoxos orientais e algumas religiões cristãs mais fundamentalistas são contrárias.

A Igreja Católica aceita a cremação, desde que ela não seja escolhida por razões que sejam contrárias aos ensinamentos cristãos. Segundo o Crematório, essa dúvida é constante.

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