As chuvas intensas que ocorreram de setembro a novembro do ano passado, durante a floração das arrozeiras na região, prejudicou em torno de 30% da produção de arroz. Os grãos colhidos estão quebrados. “A ressoca (segundo plantio) começou a ser colhida agora”, conta a extensionista rural da Epagri de Guaramirim, Zelita de Lourdes Gomes. Essa situação é referendada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que essa semana divulgou a redução de 7,7% na produção nacional de arroz. A quebra na safra da primeira colheita, comparativamente aos dois últimos anos, é constatada não somente no Vale do Itapocu, mas em todo o Estado. Zelita cita que nos 6,4 mil hectares plantados em Guaramirim, ainda sem os dados da ressoca, os produtores colheram em média de 100 a 120 sacas (de 50 quilos) por hectare, enquanto que na safra 2014/2015 foram colhidos em média 167 sacas por hectare, e na de 2013/ 2014, 170 sacas por hectare. “Um agricultor que colhia 140 sacas teve em média 40 sacas a menos até agora”, estima. Em Massaranduba, nos 6,1 mil hectares, aponta que a safra 2014/2015 registrou média de 198 sacas por hectare e a de 2013/2014, 194 sacas/hectare. Já nos mil hectares plantados em Jaraguá do Sul, a safra 2014/2015 apontou 153 sacas por hectare e 2013/2014, 165 sacas por hectare. Ainda de acordo com Zelita Gomes, os dados finais da região serão divulgados pelos produtores no Seminário Regional de Avaliação da Safra de Arroz, dia 15 de junho, em Massaranduba. Segundo o presidente da Cooper Juriti, com sede em Massaranduba, e da Associação dos Rizicultores do Litoral Norte Catarinense, Orlando Giovanella, a instituição reúne 23 municípios e congrega 755 associados. Até agora, a média da quebra de safra da primeira colheita oscila entre 10% e 15%, apesar de reconhecer situações isoladas de perdas de até 80%. Cada saca é paga ao produtor a R$ 40, valor que se mantém desde janeiro. Em 2015, somando a primeira colheita e a ressoca, a produção alcançou 1,5 milhão de sacas: 65% destinado ao mercado de Curitiba. Rio de Janeiro, Ceará, São Paulo e o mercado local completam a destinação do produto. No ano passado, o preço pago ao produtor foi de R$ 33 e R$ 35. “Não vai faltar arroz para o consumidor. Há cinco anos o arroz de cinco quilos se mantém entre R$ 9 e R$ 12. Se subir até 20%, não vai alterar muito no bolso”, observa Giovanella. Rizicultores resistem O rizicultor Valter Tomelin, de 63 anos, planta em 28 hectares na localidade Quati, em Guaramirim. Até agora, colheu 90 sacas e espera mais 45 sacas com a ressoca. “No ano passado, consegui 135 sacas por hectare. O meu custo de produção é R$ 28 por saca. Precisaria ganhar R$ 50 por saca para cobrir os custos de produção. A agricultura está ‘maleixa’. Tem muita gente quebrada, mas o jeito é continuar”, declara ele, enquanto mostra os grãos quebrados que colhe na ressoca. O vizinho e também agricultor Ademir Roloff, 59, que planta em 93 hectares, conta que colheu 90 sacas por hectare, enquanto que em 2015 foram 120 sacas. Para ajudar a minimizar o prejuízo, ele utiliza a colheitadeira e cobra 10% da safra para cortar a produção dos vizinhos.