Dados recentes dão conta que o mercado editorial teria encolhido, na última década, cerca de 20%. Como resultado, o que tem se visto nos últimos meses, é o fechamento de grandes livrarias, como a Cultura.

Além disso, o recente pedido de recuperação judicial da Saraiva acendeu um alerta no setor. Na microrregião, as vendas livro movimentam diferentes opiniões.

Para o escritor e editor jaraguaense João Chiodini não há o movimento de abandono da leitura ou da compra de livros no país ou em Jaraguá do Sul.

Ao contrário, Chiodini defende que o que tem ocorrido é uma descentralização do mercado, o que reflete diretamente sobre as grandes redes de livrarias – como a Cultura e a Saraiva.

“Não diminuiu a venda, o que está existindo é um mercado paralelo que esse tipo de dado não abraça. Assim como surgiram as pequenas editoras que dão chance para autores fora do eixo, surgiu também um mercado de pequenos que, inclusive, é quem forma o novo leitor, que é quem consegue vender para quem, até então, não comprava livros”, analisa.

A visão otimista é compartilhada pela gerente da Grafipel, Gigi Pereira, que diz não ver uma queda na busca por leitura na microrregião. "As grandes fecharam por outros processos, não só pela falta de leitura", acredita.

"Questão de administração, fusões, grandes empresas em shopping com metro quadrado caro.. Essas grandes empresas tem mercado virtual e isso faz com que apostem em um segmento também", avalia.

Segundo Gigi, não houve queda na livraria e as vendas também acompanham as apostas do mercado editorial.

Grandes lançamentos de autores famosos sempre trazem boas vendas, assim como livros com pouco destaque que são evidenciados por influenciadores digitais: a propaganda ainda faz diferença. "O autodesenvolvimento também traz pessoas que não 'gostam' de ler", comenta.

Já a proprietária da Sebus, Gildete Anderle da Silvam sentiu uma queda na venda de livros nos últimos anos.

Para ela, o cenário vivenciado na loja não é reflexo de uma crise no setor literário, mas foi consequência da instabilidade econômica no país, o que fez as pessoas direcionarem a renda para áreas essenciais do orçamento.

"A busca por livros reduziu. O bom do nosso comércio é que a gente consegue fazer a negociação com o cliente", pontua.

Segundo ela, os livros infantis são os mais procurados e assim como produtos relacionados ao universo de livros e séries, que foram adicionados aos produtos oferecidos pela loja para driblar a redução das vendas.

Mudanças no mercado editorial

Em recente entrevista, o presidente da Livraria Cultura, Sérgio Herz, afirmou que o setor encolheu 40% na crise econômica o que refletiu no fechamento de lojas e atrasos nos pagamentos, porém, dados da Associação Nacional de Livrarias mostram que, até setembro, houve um crescimento de 4,2% em relação ao mesmo período de 2017, o que demonstra que as vendas estão acontecendo.

Os dados vão ao encontro das afirmações de Chiodini que é taxativo ao dizer que as pessoas não estão deixando de ler ou de comprar livros, mas que estão sim buscando alternativas para aquisição, como a busca por pequenas livrarias ou mesmo a compra online.

“Houve uma descentralização, o número de leitores não alterou, o que talvez tenha alterado é o local de compra”, acredita.

O editor vai além e afirma que a não aceitação das grandes livrarias às obras menos conhecidas acaba por fomentar a busca por alternativas, como a própria Amazon.

Para Chiodini há aqueles que preferem a comodidade de comprar pela internet, mas seguem buscando livros físicos que não encontram em grandes redes porque elas “ignoram os autores tidos como ‘desconhecidos’”.

“Tem muita gente comprando no formato físico, mas por meio da venda online e aí, vai comprar da Amazon, por exemplo, porque o autor independente consegue colocar seu material para venda lá e não consegue em uma Saraiva ou Cultura”, diz.

Biblioteca municipal

A chefe de biblioteca Jeniffer Stephani salienta que, na biblioteca municipal de Jaraguá do Sul, a percepção é justamente a oposta: o movimento está aumentando.

“Aqui a gente percebe a frequência aumentando e as escolas vindo mais, se informando, procurando saber sobre os projetos, sobre como funciona o empréstimo de livros”, diz.

De julho a novembro, a biblioteca recebeu 9.678 visitantes e realizou 7.410 empréstimos de livros. Embora os números de 2017 sejam superiores – foram 7.430 empréstimos e 9.978 visitantes no mesmo período – Jeniffer ressalta que a média se mantém, pois neste ano, o número de dias úteis foi menor devido aos feriadões.

“A média se manteve e nós percebemos nitidamente um crescimento de movimento e de interesse. O livro nunca vai ser substituído, o que percebemos que não está acontecendo é essa visão limitada às grandes livrarias, as pessoas estão buscando alternativas, livrarias menores, sebos, bibliotecas, mas não estão deixando de ler. O contato com o livro é indescritível, é incomparável”, finaliza.

 

Quer receber as notícias no WhatsApp?