A crise de abastecimento de diesel é global e o Brasil não vai passar imune à escassez do produto, principalmente se a Petrobras não alinhar seus preços com o mercado internacional, avalia o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo. As informações são do Estadão/Broadcast.

Apesar de ainda não faltar nos postos de abastecimento, a possível escassez do produto no segundo semestre começa a preocupar também os caminhoneiros, que já reclamavam do preço e agora terão mais um fator de estresse na categoria.

"Exigimos transparência com relação ao estoque de diesel para o mercado interno", afirmou em nota nesta semana o presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão. "Até o momento não está faltando, mas estou preocupado", disse ele ao Broadcast nesta quinta-feira (26).

Os postos com bandeira (com a marca das distribuidoras) não estão sob ameaça de desabastecimento no momento, mas os postos de bandeira branca (sem marca) já estão com uma racionalização seletiva.

Isso porque, segundo a Fecombustíveis, as grandes bandeiras, como Ipiranga, Shell (Raízen) e Vibra, ficam com 70% do diesel vendido pela Petrobras e importam o restante, diluindo assim a diferença de preços entre os mercados interno e externo. Já os postos sem bandeira compram pouco da Petrobras e dependem de importadores regionais, ficando em desvantagem no mercado.

Mesmo caro, o diesel pode faltar nos postos de abastecimento no segundo semestre do ano, com o consumo impulsionado por questões sazonais (férias no hemisfério norte e safra) e a retomada da economia com o fim do isolamento social por conta da Covid-19, mas que estão sendo agravadas pela guerra entre Rússia e Ucrânia, que deslocou o fluxo de venda de diesel para a Europa a fim de compensar os cortes de fornecimento de petróleo e gás russo. Com estoques baixos, os Estados Unidos também estão com demanda acima do normal, o que reduz ainda mais a oferta para outros países.

"No Brasil o que preocupa é a defasagem de preço (em relação ao mercado internacional) e a falta de previsibilidade. Os grandes importadores (Petrobras, Ipiranga, Raízen e Vibra) têm feito importações elevadas, mas os outros 300 importadores do mercado não estão conseguindo", informou o presidente da Abicom.

De acordo com o presidente da Abicom, tanto o Ministério de Minas e Energia quanto a Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP) estão acompanhando de perto a situação e monitorando os estoques. "Todos nós temos que informar o nível de estoques e a expectativa de importação pra a ANP e MME, eles estão monitorando", afirmou.

Questionada, a ANP se limitou a dizer que "monitora o abastecimento nacional de combustíveis líquidos de forma sistemática por meio do acompanhamento dos fluxos logísticos em todo o território brasileiro. Na presente data, o abastecimento com diesel aos consumidores se mantém regular."