A entrada da Bitcoin no mercado financeiro nesta segunda-feira e a supervalorização da moeda – cotada em mais de US$ 18 mil – podem fazer dela uma opção tentadora, mas, segundo o consultor financeiro César Corso, o momento exige cuidados. “Enquanto essa e outras moedas digitais não estiverem completamente aceitas no mercado e não tiverem um lastro, é uma subida especulativa”, explica. A empresa de consultoria de Corso ainda está estudando a possibilidade de trabalhar com as chamadas criptomoedas, que ainda não são negociadas no mercado interno. Como o processo se dá todo pela internet e não tem um mercado regulatório, o valor pode ser facilmente manipulado por volume. “Se um grande investidor comprar bitcoin em quantidade, o preço vai subir consideravelmente. Se ele vender no dia seguinte, vai haver uma corrida para comprar por esse valor ampliado e quem entrar por último vai sair perdendo”, nota o especialista. Corso vê as moedas digitais como uma possibilidade interessante, mas ressalta que é importante esperar para ver como elas serão reguladas. Como parte do apelo por elas é justamente a falta de regulamentação e a privacidade, há o perigo de golpes – e como o valor ainda está flutuando, há chance de ter grandes perdas caso o investimento não vingue. “O que posso aconselhar para quem quiser arriscar nessa hora é entrar com um valor pequeno, para caso der errado, isso não comprometa sua vida financeira”, aconselha. Há debate no Congresso Nacional para a regulamentação de transações com moedas alternativas. Nos Estados Unidos, há investidores hipotecando suas casas para comprar bitcoins, como destacou à TV CNBC o Presidente da Associação de Valores Mobiliários, Joseph Borg. Segundo Borg, a bitcoin se encontra na fase da mania de uma bolha especulativa, e cedo ou tarde deve nivelar o valor. “As criptomoedas estão aí para ficar”, afirmou Borg. PARA EMPRESÁRIO, INVESTIMENTO COMPENSA, MAS É MAIS PRUDENTE A MINERAÇÃO  Trabalhando com bitcoin desde fevereiro, o empresário Cleiton Castelhano, sócio e proprietário da Abuze Descontos, é mais ousado com relação à moeda. Além da empresa de descontos e da TudoiPhone, Castelhano investiu em uma empresa AWS Mining, que comercializa capacidade de “mineração” – que é o processo para obtenção e adição de novas moedas digitais ao sistema. Segundo Castelhano, existem grandes possibilidades de lucro no trading de moedas, mas trabalhar com compra e venda direta exige uma disponibilidade de tempo e um conhecimento de como funciona o mercado que a maioria das pessoas não tem. “Por mim, a mineração é um investimento mais seguro. A moeda tem uma oscilação muito alta e minerando você ganha tanto na alta quanto na baixa”, aconselha. Ele enfatiza a valorização da moeda. “Minha primeira venda aceitando bitcoin, em fevereiro, foi de R$ 600. Quinze dias depois, quando fui convertê-la em real, já eram R$ 900”, conta. Seu investimento em mineração começou com R$ 1,4 mil. Sete meses depois, já eram R$ 140 mil em moedas alternativas. Deste valor, parte foi investido em ações – mais seguras, apesar da baixa do mercado –, parte em ampliar a capacidade de mineração e parte em outras moedas. Segundo o investidor, há uma atenção exagerada na Bitcoin. “Vale apena comprar frações de outras moedas, elas podem ser ‘a próxima bitcoin’”, explica. Dentre as muitas ‘altcoins’, Castelhano destaca o Ethereum – que valorizou 5.865% nos últimos 12 meses, valendo atualmente US$ 480. Outra moeda que se destacou em valorização foi o IOTA, que subiu 900% só em novembro, saltando de US$ 0,37 para US$ 3,924. *Reportagem de Pedro Henrique Leal