Dois anos após ganharem o selo da Indicação Geográfica (IG) como a banana mais doce do Brasil, as cidades de Corupá, Jaraguá do Sul, São Bento do Sul e Schroeder estão perto de conquistarem o selo mundial.

O título deve ser concedido durante o Congresso Catarinense de Indicação Geográfica, programado para os dias 8 a 10 de agosto, no Seminário Sagrado Coração de Jesus, em Corupá.

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O secretário de Desenvolvimento Rural e Abastecimento de Jaraguá do Sul, Daniel Peach, acredita que com a IG, a banana da região vai ter mais valor, podendo almejar novos mercados.

"Há dois meses, tivemos exposições com grande procura de mercados de fora só por essa possível indicação", relata Peach.

A diretora da Associação dos Bananicultores de Corupá (Asbanco), Eliane Muller, conta que esse titulo vem para mostrar que o importante não é a estética do produto, e sim o sabor. "É a primeira vez no mundo que alguém altera o sabor da banana", conta.

O secretário explica que o rótulo de banana mais doce do mundo vai injetar na economia local não só pela fruta em si, mas também para seus subprodutos, como a geleia de banana, a biomassa, a banana chips.

"Ao todo, são sete itens de subprodutos que vão conquistar outros mercados e agregar valores", comenta.

Ideia surgiu há 13 anos

Tudo começou em 2005, quando Santa Catarina recebeu a 17ª edição do Congresso Internacional de Bananicultura. Dois pesquisadores vieram para o Brasil dar um palestra, entre eles o costa-riquenho Moisés Soto, que mudou a maneira da produção da banana na região.

"Ele disse que tínhamos a banana mais doce do mundo, mas estávamos posicionando nossa fruta de forma errada, tanto na produção quanto na divulgação", relata Eliane Muller, que 10 anos depois pôde agradecer a orientação.

Ouvindo as dicas do pesquisador, a Asbanco começou a mudar a marca da associação, primeiramente trabalhando com foco na comunidade e criando a logo marca "Banana de Corupá: doce por natureza".

Segundo Eliane, as pessoas começaram a gostar e apoiar a iniciativa de garantir à banana da região o título de mais doce do mundo.

Parceiros do projeto

Eliane conta que para comprovar que a região tem a banana mais doce do mundo, precisaram realizar três estudos. O primeiro foi sobre o solo, relevo e clima, feito pela Epagri/Ciram. Um professor do IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina) realizou um estudo sobre a mineralogia da fruta.

O setor de agronomia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) instalou câmeras dentro dos bananais que batiam foto a cada cinco minutos durante os 14 meses do ciclo da banana. Assim comprovaram o que acontecia com a fruta da região.

Em 2014, a Asbanco conseguiu um convênio junto ao Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), que foi o grande parceiro para buscar o selo de IG.

Os 12 anos de estudo da Asbanco e seus parceiros já foi entregue com a documentação final para registro da indicação, na sede do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), no Rio de Janeiro

Por que a região tem a banana mais doce?

De acordo com Eliane, o frio acirrado na região provocava um problema estético na casca da banana, que deixava sua cor amarelo chocolate quando era climatizada. Aos olhos do consumidor, essa fruta era rechaçada por não ter uma bela estética e tom vibrante.

Então, a Asbanco descobriu que os três meses de inverno diminuíam o metabolismo da banana da região e decidiram aumentar a produção para 13 a 14 meses, pois quanto mais tempo na planta, maior é o acumulo de açucares naturais.

Comparado a outras cidades do Brasil, a fruta na região fica o dobro do tempo no cacho, acumulando mais amidos, e consequentemente se tornando a banana mais doce do Brasil, prestes a se tornar a maior em nível mundial.

Eliane conta que após os estudos, se deparou com uma grande mudança, que não fazia parte só de Corupá, mas que era uma região de montanhas, que formam também os municípios de Jaraguá do Sul, Schroeder e São Bento do Sul.

"Descobrimos que essa cordilheira de montanhas sofria influência durante o dia da entrada do ar quente do mar e a noite do vento frio de São Bento do Sul. Qualquer banana plantada nessa cordilheira vai ter um sabor diferenciado", explica.

Congresso de Indicação Geográfica

No dia 8, 9 e 10 de Agosto, Corupá vai receber um Congresso Catarinense de Indicação Geográfica, onde vão comparecer pesquisadores de nove países do mundo para falar como conseguiram a IG, como o champanhe, na França, e o vinho do Porto, em Portugal.

Segundo Eliane, a ideia do Congresso é fazer com que os catarinenses tenham mais informação sobre indicação geográfica e passem a procurar esse mecanismo para poder valorizar seus produtos. "Eu creio que o arroz, a tilápia e a palmeira real tem um diferencial em Santa Catarina", comenta.

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