Com alta expressiva na importação de matérias primas para a indústria têxtil e de componentes para a indústria metal-mecânica e de eletromotores, Jaraguá do Sul abriu 2018 com forte déficit na balança comercial.

No primeiro mês do ano, segundo dados do Ministério da Economia, o município importou US$  13,3 milhões a mais do que exportou, encerrando o primeiro mês do ano com um déficit comercial oito vezes maior do que o registrado em janeiro do ano passado.

O resultado é decorrente de uma alta de 40,17% nas importações em comparação com janeiro do ano passado, somando um total de US$ 40,69 milhões em produtos estrangeiros que entraram no município, dos quais US$ 25,96 milhões vieram do bloco asiático.

Esta alta foi marcada fortemente por insumos e matérias primas para a indústria têxtil, com crescimento entre 60% e 232% para tecidos, linhas e malhas. Insumos para setor têxtil responderam por um quinto das importações do município.

Foto OCP News

As importações  também registraram alta expressiva em chapas e placas de aço laminado, para indústria em geral, com crescimento de mais de 100% nas importações do produto.

Ainda é prematuro afirmar que os dados indicam aumento futuro na produção. Segundo o  presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário, Fiação e Tecelagem de Jaraguá do Sul, Neocir Dal-Ri, o setor têxtil teve perdas significativas no ano passado, fechando 412 postos  na região de Vale do Itapocu, e não há ainda uma melhora no setor.

Os resultados indicam mais estabilização de perdas do que aumento na produção, segundo o empresário. "Nós perdemos mais de 3 mil postos na região nos últimos cinco anos e o mercado ainda não deu sinais de melhora. É até temerário ainda afirmar que estejamos em recuperação", avalia.

De acordo com Dal-Ri, é necessária uma análise maior das movimentações no setor para estimar se as importações indicam um aumento na produção ou se indicam uma substituição nos fornecedores de matéria prima.

Segundo dados do ministério da Economia, as importações de fios e malhas sintéticas - principal produto têxtil importado por Jaraguá do Sul, em US$ 7 milhões - tiveram queda de 33% em 2018 na comparação com janeiro de 2017, passando de US$ 3,6 milhões para US$ 2,4 milhões este ano, a alta foi de 189,4%.

Com participação reduzida, também houve alta de 90% na importação de roupas para o período - no entanto, o conjunto de itens manufaturados de vestuário representa menos de US$ 1 milhão no total de importações, dentro do universo de US$ 9,34 milhões de importações do setor têxtil.

A maior variação, embora não seja o produto de maior expressividade, ficou por conta de motores e geradores elétricos: somando US$ 583,06 mil, o produto registrou uma alta de 1.204,4% no período. Considerado um bem de capital, o resultado indica alta nos investimentos na indústria da transformação.

Exportações com saldo próximo ao de 2018

As exportações para o período se mantiveram estáveis, crescendo 0,66% em comparação com janeiro do ano passado, e seguem lideradas pelo setor de eletromotores, que representou no primeiro mês do ano 91,14% das exportações.

Em janeiro, o município somou US$ 27,56 milhões em exportações, das quais US$ 25,12 vieram do setor de eletromotores.

Jaraguá do Sul segue firme como o 4º maior exportador do estado, respondendo por 3,6% de todas as vendas ao mercado internacional entre indústrias catarinenses no primeiro mês do ano.

Ao mesmo tempo, encerrou o período como o 6º maior importador do estado, respondendo por 2,8% de todas as importações de Santa Catarina.

Apesar dos resultados, as exportações ainda estão abaixo dos valores pré-crise: em janeiro de 2015, o município registrou US$ 33,17 milhões em exportações.

 

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