Avicultura volta a ganhar força em Jaraguá do Sul

O avicultor Donato Drager cria mais de 70 mil aves por ano, mas ainda precisa lidar com a dívida deixada pelo fechamento da Seara - Foto: Eduardo Montecino/OCP Online O avicultor Donato Drager cria mais de 70 mil aves por ano, mas ainda precisa lidar com a dívida deixada pelo fechamento da Seara - Foto: Eduardo Montecino/OCP Online

Economia

Por: OCP News Jaraguá do Sul

quinta-feira, 04:00 - 30/06/2016

OCP News Jaraguá do Sul
Todos os dias, o avicultor Donato Drager, de 49 anos, acompanha cuidadosamente o crescimento das mais de 14 mil aves do seu criadouro. Em um galpão amplo e bem estruturado, na localidade de Ribeirão Grande da Luz, o produtor encarrega-se sozinho da alimentação, da saúde e do manejo dos frangos, além da manutenção de todo o espaço de criação, que deve seguir uma série de normas sanitárias. Anualmente, o avicultor é responsável pela criação de mais de 70 mil aves. Para manter a criação, entretanto, Drager precisou trabalhar duro nos últimos anos. Isso porque ele foi um dos muitos avicultores locais diretamente afetados pelo fechamento da unidade da empresa Seara, em dezembro de 2011. Na época, Drager tinha acabado de investir na modernização de toda a estrutura de produção e foi pego de surpresa pela notícia do encerramento das atividades da empresa. “Eu investir quase R$ 72 mil na estrutura, e como as atividades acabaram eu fiquei devendo sem produzir. Por dois anos eu abandonei a atividade e fui trabalhar na indústria, até que em 2013 eu vi a possibilidade de voltar e não pensei duas vezes”, conta. O impacto da crise do setor ficou marcado na mente do avicultor, que lembra que antigamente havia 11 produtores na região onde vive. “Quando a Seara funcionava, o número tinha caído para cinco, e hoje sou o único por aqui”, compara. De volta à ativa, foi só uma questão de adequar a produção e, em pouco tempo, Drager já alcançou os mesmos índices de criação de outros anos. “Até agora, já paguei R$ 40 mil da dívida e estou confiante de que em mais um ano devo quitar tudo”, comenta. Em média, um avicultor comercializa cinco a seis lotes de aves por ano. O produtor Ademiro Krüger, de 57 anos, também viu as atividades pararem quando a Seara fechou as portas. Na época, ele e a família eram responsáveis pela criação de 36 mil aves por lote. Apesar de não ter contraído dívidas, quando decidiu retomar a atividade, em 2013, o produtor foi cauteloso: além de manter o emprego fora, parte da família também buscou outras atividades para garantir a renda. “Hoje produzo na faixa de 30 mil a 32 mil aves por lote. Mas o aumento no preço dos insumos, como energia e lenha, deixam a produção mais cara e a remuneração dos produtores não chega ao que era há alguns anos”, comenta Krüger. Aqui na região, os avicultores atendem exclusivamente à demanda da empresa JBS, que detém marcas como Seara, Frangosul e Friboi. O preço médio de comercialização das aves varia entre R$ 0,60 e 0,80 centavos a cabeça. O ideal, segundo Krüger, seria algo entre R$ 0,90 centavos e R$ 1,00. Para o setor evoluir, Krüger considera importante buscar subsídios para ampliar o mercado de atuação dos produtores locais. Hoje, o poder público dá pouco suporte para este trabalho – na Secretaria de Agricultura, por exemplo, não existem estatísticas a respeito de quantos avicultores atuam no município ou de qual é o montante anual de produção. O único dado é uma estimativa dos próprios avicultores, que apontam 12 núcleos produtivos na cidade. De acordo com o vereador Eugênio Jurazeck, que acompanha de perto os setores agrícola e pecuário do município, em 2011, alguns produtores ficaram com mais de R$ 150 mil em dívidas, adquiridas para modernização das estruturas. Muitos deles optaram por migrar para culturas como o pepino, por exemplo. “Vemos que 90% dos avicultores da época já quitaram as dívidas, mas ainda falta dar mais atenção ao setor, oferecendo capacitação e apoio. Pouco se olha por eles na nossa região”, afirma o vereador. O primeiro passo, segundo Jurazeck, é criar uma associação que permita fortalecer a busca por projetos e recursos. “É por meio da união que vamos conseguir evoluir. A modernização é importante, mas o maquinário é caro, e uma associação pode facilitar essas questões. É algo a se avaliar para um curto prazo”, destaca.
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