Para lidar com o desemprego e superar a falta de oportunidades ainda sentida em muitos setores, cada vez mais catarinenses têm encontrado no trabalho autônomo uma alternativa viável de renda. Dados da Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE, indicam que no segundo trimestre deste ano o número de pessoas trabalhando por conta própria cresceu 2% em Santa Catarina, o que significa que mais de 15 mil pessoas resolveram apostar na modalidade entre abril e junho. Tal crescimento foi fundamental para que Santa Catarina alcançasse um índice importante: o de estado com a menor taxa de desocupação do país. Segundo os dados do Pnad, a taxa de desemprego caiu 0,4 pontos percentuais no Estado, passando de 7,9% entre janeiro e março para 7,5% entre abril e junho. Com isso, cerca de 14 mil pessoas passaram a garantir alguma renda para a família no período, seja no mercado formal ou informal. Para a jaraguaense Jaqueline Tais Pacher Costa, 25 anos, a ideia de trabalhar por conta própria surgiu no ano passado, quando a empresa em que ela trabalhava precisou diminuir o quadro de funcionários em função da crise econômica. Apaixonada por artesanato e com habilidade para trabalhos manuais, Jaqueline já havia feito alguns cursos de modelagem, corte e costura de roupas, e encontrou no patchwork uma fonte de renda. Munida do conhecimento adquirido durante a faculdade de moda, Jaqueline começou a produzir pequenas peças como hobby no tempo livre, mas a boa aceitação dos amigos a fez pensar na atividade de forma mais profissionalizada. Por isso quando ganhou a conta, a empreendedora preferiu encarar o fato como uma oportunidade. Com a marca estabelecida, não demorou para que a Jaque Pacher Patchwork alcançasse bons números de venda, e no boca a boca os produtos foram ganhando espaço no mercado. “Foi aí que comecei a enxergar que tudo que eu fazia, além do amor aplicado, também tinha que ter qualidade. Então comecei pensando na embalagem, como seria meu cartão de visita, me organizar. Como trabalho em casa preciso ter disciplina para cumprir horários e organizar minha rotina”, conta ela. “O início é difícil porque você precisa cativar clientes, mostrar suas habilidades, fazer algo novo, ter o seu diferencial, mas hoje posso dizer que me sinto realizada com meu negócio”, afirma. Como resultado, hoje Jaqueline possui uma renda muito próxima do salário que recebia quando trabalhava na indústria, com o diferencial de que o empreendedorismo lhe dá mais flexibilidade para criar e experimentar novos caminhos na trajetória profissional. “Acredito que vale a pena investir se você busca trabalhar com amor e isso lhe traz satisfação e conforto. O mercado atual é muito disputado, mas eu acredito que tem mercado para todo mundo, o importante é você ter o seu diferencial”, aconselha a empreendedora, que além de apostar nas vendas pela internet aposta em feiras e eventos para divulgar seu trabalho. Segundo os dados do Pnad, atualmente 755 mil profissionais atuam como autônomos no Estado. SC é destaque nacional em utilização da força de trabalho Outro dado importante apontado pelo IBGE é que Santa Catarina possui a menor taxa de subutilização da força de trabalho do país, com índice de 10,7%. Em outras palavras, além de possuir uma taxa de desocupação baixa, o estado também é o que melhor aproveita sua força de trabalho potencial. No segundo trimestre deste ano, 3,4 milhões de pessoas estavam empregadas no Estado, contra 283 mil desempregados. O maior número de empregados está no comércio, somando 635 mil vagas entre abril e junho. Com a queda na taxa de desocupação, o catarinense também sentiu um aumento, ainda que tímido, de 0,2% no rendimento real médio do segundo trimestre, frente aos primeiros meses do ano. Se comparado ao segundo trimestre do ano passado, o avanço chega a 3%. Em termos absolutos o valor alcançou a média de R$ 2.272,00. Em nota divulgada para a imprensa, o presidente da Fecomércio SC, Bruno Breithaupt, avaliou que o estado conseguiu alcançar estes avanços devido à forte diversificação econômica, que permite maior mobilidade do empresa e investimentos entre os diferentes setores. Segundo ele, os índices apontam para o início de um movimento de crescimento econômico e retomada dos investimentos e do consumo.