A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera equivocada a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, pela aceleração do ritmo de aumento da taxa básica de juros (Selic) para 1,50 ponto percentual.

Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic, juros básicos da economia, de 6,25% para 7,75% ao ano. A decisão surpreendeu os analistas financeiros, que esperavam reajuste para 7,5% ao ano .

Em comunicado, o Copom informou que a instabilidade no mercado financeiro provocada pela decisão de mudar o cálculo do teto de gastos fez o BC aumentar ainda mais o ritmo de aperto monetário. Na avaliação do órgão, os acontecimentos recentes elevaram o risco de a inflação subir mais que o previsto, justificando a alta dos juros.

“Os aumentos anteriores da taxa de juros já começaram a ter reflexos na economia. Percebemos que a atividade econômica dá sinais de desaquecimento e, nos próximos meses, os efeitos defasados do aumento da Selic vão continuar contribuindo para desestimular o consumo e desacelerar a inflação”, avalia o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

Segundo ele, com novos aumentos expressivos da Selic, “o Banco Central põe em risco a recuperação econômica e aumenta a probabilidade de uma recessão em 2022”.

A decisão pelo sexto aumento expressivo da Selic terá impacto negativo sobre as condições de crédito para os consumidores e para as empresas, aumentará o custo do financiamento e desestimulará a demanda. O pé no freio da economia ocorre em um momento ruim, quando as empresas ainda se recuperam dos efeitos econômicos da pandemia e o consumo dá sinais de desaquecimento.