A Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) lançou o primeiro relatório do Índice de Performance Econômica da Região (IPer), indicando um crescimento de 8,07% na atividade econômica do estado nos primeiros 9 meses do ano passado, em comparação com o ano anterior.

Neste mesmo período, houve crescimento de 8,75% na atividade da região norte - o segundo maior índice de SC. A região é considerada o núcleo metal-mecânico e tem proximidade com os núcleos têxteis e moveleiros de Santa Catarina.

A região ficou atrás apenas do Vale do Itajaí, com crescimento de 11,87%. As duas foram as únicas dentre as 12 regiões delimitadas pela Facisc a crescerem mais do que o estado.

A região de Florianópolis, com o terceiro maior índice de crescimento na atividade econômica, registrou 2,43% de crescimento.

Três regiões registraram no período uma retração na atividade econômica: o Alto Vale, com queda de 0,75%, o Planalto Norte, com queda de 0,40%, e o Oeste, com queda de 0,14%.

O dado ajuda a prever o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), embora não seja uma relação direta. Segundo o estudo da entidade, o PIB catarinense deve crescer 3,19% para o exercício de 2018.

Os resultados das regiões Norte e do Vale do Itajaí podem ser atribuídos aos bons saldos do comércio exterior e da geração de emprego, que estão entre as principais variáveis consideradas no relatório.

Transações financeiras, vendas da indústria - que no período registraram alta de 11,7%, segundo dados da Fiesc - e do comércio também são levadas em conta.

Em Jaraguá do Sul, os resultados não são tão expressivos quanto os vistos em 2017. Jaraguá do Sul havia registrado no período a geração de 2.006 postos de trabalho, enquanto em 2017 haviam sido 2.052 - já no mesmo período de 2016 o município havia perdido 343 empregos.

A performance do comércio exterior também apresentava queda:  de janeiro a setembro de 2018 foram US$ 426.611 milhões em exportações.

Além da divulgação por região, a Facisc ainda planeja a aplicação do índice nas microrregiões das 12 regionais da Federação, mas ainda não há previsão de quando este estudo micro-regionalizado deve ser feito.

Estudo aponta cenário positivo

Segundo o presidente da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (Acijs), Anselmo Ramos, este dado é um importante indicador de mercado, que pode oferecer à classe empresarial leituras do momento econômico e com isto auxiliar no planejamento das atividades das empresas e servir como subsídio de informações ao governo.

"O diferencial deste índice é que se trata de uma ferramenta catarinense e seus dados estão organizados por regiões. É uma condição importante porque facilita as análises setoriais e por apresentar uma temperatura mais localizada de como estes mercados se comportam, como as várias situações analisadas impactam no desempenho de cada região e na comparação com outros pontos do estado", diz.

Como todos os indicadores, entretanto, é preciso que esta leitura leve em consideração outras análises porque o setor produtivo avalia diferentes índices.

"Há uma dificuldade de se conseguir índices atualizados com mais frequência, principalmente no caso de avaliações que sempre apresentam defasagem, como é o caso do PIB, desde a coleta de dados até a leitura, tabulação e divulgação, muitas vezes com até dois anos de defasagem", avalia.

Segundo o empresário, para a atividade econômica, este prazo pode representar um tempo demasiado longo na tomada de decisões.

Outro aspecto a se considerar é que se trata de um índice de performance que necessariamente não está atrelado ao crescimento econômico, mas apresenta as variações das regiões pesquisadas em vários aspectos num determinado período.

A posição é compartilhada com o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) para o Vale do Itapocu, Célio Bayer.

"É importante levar em conta que o estudo vai de janeiro a setembro, então não há um fechamento do ano, mas ele já traz um resultado expressivo", frisa.

O empresário destaca que os maiores crescimentos tem sido no setor de serviços, mas a indústria tem demonstrado forte recuperação.

Bayer destaca que o resultado da Facisc traz consonância com os estudos da Fiesc para a atividade da indústria, embora a atividade esteja ainda para atingir os valores registrados em 2013, antes da crise.

"Estamos em um ritmo de recuperação, a região aqui do Vale do Itapocu tem crescimento na faixa de 4% no PIB no último levantamento dos municípios [referente a 2016], só Guaramirim teve PIB negativo de 1,34%. Jaraguá do Sul teve crescimento de 17%, então já voltamos à atividade econômica que tínhamos em 2014", avalia.

Índice de Performance Econômica da Região (IPer)

  • Extremo Oeste 0,28%
  • Noroeste 1,23%
  • Oeste – 0,13%
  • Meio Oeste 1,50%
  • Serra Catarinense 1,82%
  • Alto Vale – 0,75%
  • Vale do Itajaí 11,86%
  • Planalto Norte -0,40%
  • Norte 8,75%
  • Grande Florianópolis 2,46%
  • Sul 0,94%
  • Extremo Sul 1,42%

 

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