Clique aqui e receba as notícias no WhatsApp

Whatsapp

Apostas esportivas e cassinos online: como o entretenimento digital está transformando o lazer dos brasileiros

Foto Pixabay

Por: OCP News Jaraguá do Sul

04/02/2026 - 02:02 - Atualizada em: 04/02/2026 - 15:20

Com a regulamentação em vigor e milhões de novos usuários, o Brasil se tornou um dos mercados mais observados do mundo. Maxime Lebail, analista europeu do setor, analisa o fenômeno e alerta para a importância de escolhas conscientes.

O entretenimento no Brasil mudou. Se há dez anos o lazer digital se resumia basicamente a redes sociais e streaming de música, hoje o cenário é radicalmente diferente. Games, streaming de vídeo, e-sports e, mais recentemente, apostas esportivas e cassinos online entraram de vez no cotidiano dos brasileiros adultos.

Não se trata de um nicho. Segundo estimativas do setor, o Brasil já figura entre os cinco maiores mercados de apostas online do mundo, com dezenas de milhões de usuários ativos. A regulamentação federal, consolidada pela Lei 14.790/2023, trouxe regras claras e legitimou uma atividade que antes operava em zona cinzenta.

Clique e assine o Jornal O Correio do Povo!

Para entender melhor esse fenômeno, conversamos com Maxime Lebail, Brand Manager da plataforma europeia ChampsBase e analista de mercados de apostas há mais de uma década.

OCP News: Você poderia se apresentar aos nossos leitores?

Maxime Lebail: Claro. Trabalho com análise de mercados de apostas esportivas há mais de dez anos, principalmente na Europa — Portugal, Alemanha, França. Meu papel na ChampsBase BR é coordenar nossa estratégia de conteúdo e garantir que nossas análises façam sentido para o público local, não importa o país.

O que me motiva é uma coisa simples: ajudar as pessoas a tomar decisões informadas. O setor de apostas tem muita publicidade, muito ruído, e pouca informação de qualidade. Nosso trabalho é preencher essa lacuna.

O que despertou seu interesse pelo mercado brasileiro especificamente?

M.L.: O Brasil é impossível de ignorar. É um país com mais de 200 milhões de habitantes, uma paixão absurda por esportes — especialmente futebol — e uma população jovem extremamente conectada. Quando a regulamentação começou a tomar forma, ficou claro que o Brasil seria um dos mercados mais importantes do mundo.

Mas o que me chamou atenção foi outro aspecto: a carência de informação confiável em português brasileiro. Muitos sites de comparação simplesmente traduzem conteúdo europeu e acham que funciona. Não funciona. O brasileiro tem hábitos específicos, métodos de pagamento próprios — Pix é o exemplo óbvio —, e uma relação com o entretenimento que é única.

Como você enxerga a evolução do entretenimento adulto no Brasil nos últimos anos?

M.L.: O que está acontecendo no Brasil é parte de uma tendência global, mas com características próprias. O entretenimento se digitalizou de forma acelerada. Streaming de vídeo virou o novo cinema. Games deixaram de ser “coisa de criança”. E-sports têm audiências que rivalizam com a TV aberta.

As apostas esportivas e os cassinos online são a extensão natural desse movimento. Para uma geração que cresceu com smartphone na mão, apostar em um jogo do Flamengo ou jogar uma rodada de slots é tão natural quanto assistir uma série na Netflix. É entretenimento sob demanda, acessível, integrado à rotina.

O ponto importante é que isso não substitui outras formas de lazer — complementa. A pessoa assiste ao jogo com os amigos, faz uma aposta para deixar mais emocionante, comenta no grupo do WhatsApp. É uma experiência social.

A Lei 14.790/2023 regulamentou o setor. O que isso muda na prática para o consumidor brasileiro?

M.L.: Muda muita coisa, e para melhor. Antes, o brasileiro que queria apostar online tinha que recorrer a sites internacionais operando sem nenhuma supervisão local. Agora, existe um marco legal claro. Operadores precisam de licença, precisam seguir regras de publicidade, precisam oferecer mecanismos de jogo responsável.

Isso significa mais proteção para o consumidor. Se você tiver um problema com um operador licenciado — um saque que não cai, uma promoção que não foi honrada —, existe um caminho legal para reclamar. Antes, você estava por conta própria.

Claro, a regulamentação ainda está em fase de implementação e há ajustes a fazer. Mas a direção é correta. Mercados regulados são mais seguros para todo mundo.

Com tantas opções disponíveis, como o brasileiro pode identificar casas de apostas confiáveis?

M.L.: Essa é a pergunta central. O mercado brasileiro está inundado de opções, e nem todas merecem confiança.

Primeiro passo: verificar se o operador tem licença para atuar no Brasil. Isso vai ficar mais fácil à medida que a regulamentação avançar, mas já é possível checar. Segundo: analisar as condições reais — não apenas o valor do bônus de boas-vindas, mas os termos de rollover, os limites de saque, os métodos de pagamento aceitos. Pix é obrigatório para qualquer operador sério no Brasil.

Terceiro: consultar análises independentes. Existem recursos que avaliam de forma objetiva as melhores casas de apostas disponíveis para brasileiros, comparando odds, velocidade de saque, atendimento ao cliente. Vale mais gastar dez minutos pesquisando do que se arrepender depois.

E desconfie de promessas milagrosas. Se um site promete ganhos garantidos ou bônus absurdamente altos sem condições claras, é sinal de problema.

Falando em problemas, as apostas têm um lado delicado. Qual sua visão sobre jogo responsável?

M.L.: É o tema mais importante dessa conversa, na minha opinião. Apostas esportivas e cassinos online são entretenimento. Entretenimento. Não são investimento, não são fonte de renda, não são solução para problemas financeiros.

O erro mais comum que vejo é a pessoa começar a apostar para “recuperar” uma perda. Isso é o início de um ciclo perigoso. As odds são calculadas para favorecer a casa no longo prazo — é matemática, não opinião.

Meu conselho para os brasileiros é simples: defina um orçamento mensal para apostas, assim como você faria para qualquer outro lazer — cinema, restaurante, show. Se o dinheiro acabou, acabou. Não tente se recuperar, não pegue dinheiro emprestado, não comprometa suas contas.

Os operadores sérios oferecem ferramentas de controle: limites de depósito, limites de perda, autoexclusão temporária. Use essas ferramentas. Elas existem para te proteger.

E se você perceber que está perdendo o controle — apostando mais do que deveria, pensando em apostas o tempo todo, mentindo para família sobre perdas —, procure ajuda. Existem organizações especializadas, e não há nenhuma vergonha em pedir suporte. Vergonha é deixar o problema crescer.

O que podemos esperar do mercado brasileiro nos próximos anos?

M.L.: Consolidação e profissionalização. Muitos operadores que estão no mercado hoje não vão sobreviver ao processo de licenciamento. Isso é bom — vai separar quem leva o negócio a sério de quem só queria faturar rápido.

Para o consumidor, isso significa mais opções de qualidade, mais competição por oferecer o melhor serviço, e mais segurança. O Brasil tem tudo para ser um dos mercados mais sofisticados do mundo em poucos anos.

Do lado do conteúdo, nosso compromisso é continuar produzindo análises relevantes para o público brasileiro. Estamos atentos às mudanças regulatórias, testando operadores constantemente, e sempre priorizando a informação honesta — mesmo quando isso significa criticar grandes players do mercado.

 

Maxime Lebail é Brand Manager da ChampsBase, plataforma multilíngue de comparação de apostas esportivas que atua exclusivamente em mercados regulados na Europa, América Latina e África.

Clique aqui e receba as notícias no WhatsApp

Whatsapp

OCP News Jaraguá do Sul

Publicação da Rede OCP de Comunicação