Desde o começo do ano, Jaraguá do Sul registrou a abertura de oito restaurantes - 25% a menos do que registrado em 2017, ano que viu a abertura de 12 estabelecimentos do tipo.

Ao mesmo tempo, a abertura de lanchonetes e de bares até o fim de outubro já alcança o dobro do visto em 2017 inteiro: são 30 bares e 22  lanchonetes, cafés e casas de suco no município este ano, contra 16 e 11, respectivamente, no ano passado.

O setor de alimentação viu intensa alta na abertura de estabelecimentos do ramo em 2016, em parte em função da crise financeira que marcou o ano, com muitos abandonando o emprego para abrir uma micro ou pequena empresa. Em 2016, foram abertos 21 bares, 29 restaurantes e 30 lanchonetes.

Segundo o setor de tecnologia da informação da Prefeitura, os dados quanto ao fechamento de empresas no setor de alimentação - restaurantes, bares, lanchonetes  e similares - estão desatualizados: a Prefeitura é a última a ter registro do fechamento da empresa e ocasionalmente o estabelecimento fecha para o público antes de fechar oficialmente.

Nos dados vigentes, o ano viu o fechamento de apenas um restaurante, em setembro, seis bares e cinco lanchonetes.

O secretário de Desenvolvimento Econômico de Jaraguá do Sul, Domingos Zancanaro, explica que a administração municipal tem buscado maneiras de estimular o setor.

"Temos estudos de qualificação urbanística que possa valorizar o comércio. Para isso a municipalidade vem trabalhando para viabilizar as intervenções de revitalização das regiões centrais, bairros Rio da Luz, Nereu Ramos e barra do Rio Cerro", explica

Uma destas medidas teve início em março deste ano, com um projeto para a implantação de uma Via Gastronômica em Jaraguá do Sul, na rua Presidente Epitácio Pessoa.

A Câmara de Vereadores de Jaraguá do Sul aprovou projeto de lei (PL) de autoria do vereador Jaime Negherbon, que denomina a via. A partir daí, seguiu-se a discussão do projeto junto à Prefeitura e representantes dos empreendimentos localizados na área.

A implantação da Via Gastronômica tem o objetivo de proporcionar condições ao desenvolvimento da atividade econômica, com a criação de um eixo de turismo gastronômico no município, a exemplo do que ocorre em outras cidades.

Setor está estável, mas crescimento é recuperação

Segundo o sócio-proprietário de um restaurante localizado no shopping, Carlos Alberto Ewald, as vendas estão praticamente estáveis. O restaurante teve um crescimento no faturamento de cerca de 6% entre 2017 e 2018, mas grande parte disto, segundo o empresário, se deve à inflação.

"O movimento não aumentou muito, até por conta do aumento no número de operações aqui no shopping, que dobrou praticamente", explica.

O setor de restaurantes e bares cai dentro do segmento de serviços nos dados de geração de emprego do Ministério do Trabalho e Emprego.

Segundo os dados do Caged, em 2018, o setor de serviços gerou 551 postos de trabalho formais em Jaraguá do Sul, até o fim de setembro. O setor foi fortemente afetado pela crise entre 2015 e 2016: no acumulado dos dois anos, foram perdidos 256 postos de trabalho no setor de serviços.

Segundo Ewald, os anos da crise trouxeram uma queda de cerca de 7% no rendimento do restaurante - queda proporcional ao PIB perdido nos dois anos da crise, de 6,5%, e que já teria sido recuperada. "Agora a expectativa é que o ano que vem veja um reaquecimento da economia, com geração de emprego e aumento na movimentação", diz.

Foto Eduardo Montecino/OCP News

Um setor da alimentação cresceu consideravelmente: segundo balanço da Associação Brasileira de Franchising (ABF), as franquias de alimentação cresceram 8,1% de junho a agosto em comparação com o trimestre anterior, com um faturamento de R$ 11,8 bilhões. O segmento da culinária asiática teve um desempenho ainda melhor, registrando expansão de 9% no período.

Mesmo nas franquias do segmento de fast food, mais econômico e menos afetado pela insegurança financeira, o ano tem sido frustrante.

"Tivemos um ano bem parado, não está tudo aquilo, novembro e dezembro a gente espera aquela aumentada, mas por ora está fraco", diz o gerente de uma franquia do shopping, Vitor Gabriel Beliske da Silva. O ano fraco foi agravado pela greve.

"Para nós foi péssimo, o movimento despencou e chegou a faltar produto para vendermos", ressalta Beliske.

Previsões frustradas

Ao final do ano passado, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) previa um crescimento de 4,5% para o setor em 2018, com aumento de 2,5% nas vendas e impactos positivos da flexibilização trabalhista após a reforma, mas as projeções otimistas se viram abaladas com a paralisação de 10 dias do setor de transportes, no final de maio.

Segundo o empresário Carlos Alberto Ewald, o mês de maio viu uma queda de 15% no rendimento - consideravelmente abaixo das quedas estimadas pela Abrasel, que valiam perda de até 35% do faturamento do setor.

Segundo uma pesquisa da Abrasel de Santa Catarina, 81,8% dos restaurantes do estado tiveram queda nas vendas como resultado da greve dos caminhoneiros em maio e 53% tiveram que demitir para garantir a saúde financeira do estabelecimento.

O período foi seguido por inseguranças generalizadas no mercado e uma performance fraca do mercado durante a Copa do Mundo e as Eleições.

Sérgio Grevin, proprietário de um restaurante e pizzaria, mantém as esperanças no próximo ano, ressaltando que o período crítico de meio de ano deixou o setor em uma situação complicada.

"O ano já estava ruim e a greve foi fundamental para aumentar  nossos  prejuízos. As mercadorias subiam de  preço e não poderíamos repassar estes custos  para os  clientes, pois obviamente iríamos perder partes deles", explica.

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