A Associação Latino-Americana de Integração (ALADI) é destino de 25% das vendas de produtos industriais do Brasil, mas há o desafio de ampliar os acordos comerciais, disse o diretor da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Abijaodi, em live nesta terça-feira (9) sobre o futuro da Associação, que completou 40 anos em 2020.

O evento foi uma iniciativa conjunta da Fiesc, Fiergs e Fiep. Integram a ALADI a Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela, Cuba e Panamá.

“O Brasil possui acordos comerciais com praticamente todos os países da ALADI, exceto Panamá. Mas, ao mesmo tempo, há muita coisa para ser construída. Os acordos se concentraram muito em tarifas e no comércio de bens, atualmente têm uma extensão maior. Podemos incluir serviços, investimentos e compras governamentais. Isso vai revigorar nossa economia e trazer oportunidades em outros campos que não sejam só o das tarifas”, explicou ele.

Abijaodi informou que 80% do valor exportado pelo Brasil para países da ALADI se beneficiam de preferências tarifárias.

“É um grande destino das vendas brasileiras e de produtos industriais. A integração que temos hoje com a ALADI é muito importante para o Brasil. Não resta dúvida. Há um estímulo cada vez maior para os países e regiões celebrarem acordos comerciais. O que temos é uma possibilidade muito grande de termos uma comunicação mais próxima com os nossos vizinhos que representam tanto para nós em termos de comércio e nas relações internacionais”, declarou.

O secretário-geral da ALADI, Sérgio Abreu, destacou que as micro, pequenas e médias empresas representam de 85% a 90% da estrutura produtiva dos países da ALADI.

“Elas estão sentindo a pressão da situação comercial e do novo panorama da economia internacional. Nosso desafio é a abertura e a inclusão de novas agendas e a dinamização das micros, pequenas e médias, que são a base social e de estabilidade política dos países. Temos que dar a elas a possibilidade de digitalizar-se, exportar, importar. Sem comércio não há emprego e sem emprego há desestabilização social”, afirmou.

Ele também chamou a atenção para o crescimento da importância da China no cenário internacional e que isso deve ser observado pelas companhias.

A presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc, Maria Teresa Bustamante, também chamou a atenção para a importância de conhecer o poder que tem a China e a Ásia.

“Não tem como fazer planejamento e políticas que não contemplam a aproximação com a China”, salientou. Ela também observou que é preciso olhar para a integração regional.

“Precisamos encontrar propostas e soluções que nos aproximem cada vez mais disso. Somos países fronteiriços e isso já é uma imposição obrigatória do ponto de vista social, político, econômico e financeiro. Então, a integração fronteiriça é o ponto de partida para qualquer decisão”, explicou.

Claudia Schittini, da área internacional da Fiep, destacou o trabalho que vem sendo feito pelas federações de indústrias para auxiliar principalmente as pequenas empresas na área de comércio exterior.

“Temos um papel de identificar as oportunidades e necessidades”, afirmou.

“A ALADI é extremamente importante. É um bloco econômico que está entre os maiores do mundo, com uma população de 575 milhões de pessoas. Então é preciso considerar os fatores macro da ALADI para fins de avaliação do processo de integração da nossa região”, frisou Luciano D’Andrea, da área internacional da FIERGS.

O que é a ALADI: A ALADI foi instituída pelo Tratado de Montevidéu de 1980, assinado originariamente em 12 de agosto de 1980 pelos governos de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela e, posteriormente, por Cuba (1999) e Panamá (2012). Juntos, os países da ALADI abrangem uma superfície de 20 milhões de km².

A Associação promove a criação de uma área de preferências econômicas na região, objetivando um mercado comum latino-americano, através de três mecanismos: preferência tarifária regional, aplicada a produtos originários dos países-membros frente às tarifas em vigor para terceiros países; acordos de alcance regional (comuns a todos os países-membros) e acordos de alcance parcial, com a participação de dois ou mais países da área.