Tempo castiga safra de arroz

Tempo castiga safra de arroz Tempo castiga safra de arroz

Economia

Por: OCP News Jaraguá do Sul

quinta-feira, 04:00 - 03/03/2016

OCP News Jaraguá do Sul
Após um ano chuvoso e marcado pela elevação no preço dos insumos, os produtores locais buscarão alternativas para contornar os prejuízos causados pela queda na produção do arroz. Com perdas que vão de 15% a 80% da lavoura, os agricultores poderão ter dificuldades para sanar as dívidas adquiridas no ano passado e, mais adiante, para encontrar os recursos necessários para o preparo da safra 2016-2017. Pensando nisso, entidades de toda a região se uniram para a elaboração de um documento que visa sensibilizar as autoridades e pede por medidas de apoio aos rizicultores do Vale do Itapocu. “É um movimento de vários setores, onde pedimos ajuda para a quitação das dívidas com os órgãos financiadores, revendo a linha de financiamento com condições melhores ou até mesmo com o perdão dessas dúvidas”, explica o presidente da Associação dos Rizicultores do Litoral Norte Catarinense e da Cooper Juriti, Orlando Giovanella. O primeiro passo será dado no dia 7 deste mês, quando a Avevi (Associação de Vereadores do Vale do Itapocu) e representantes do setor irão entregar o documento aos deputados e senadores presentes na reunião do Fórum Parlamentar Catarinense, em Jaraguá do Sul. Situação preocupante “Sabemos da importância desse setor na região e é nosso papel buscar alternativas”, acredita o presidente da Avevi e vereador de Massaranduba, Giovanni Tonet. Na sequência, a proposta é levar as reivindicações ao Ministério da Agricultura. “Na cooperativa, a média de perda deve ficar entre 15% e 20%. Em termos de volume não temos números exatos, mas será algo entre 200 e 300 mil sacas de perda. Se pegarmos a média, 250 mil sacas, isso representa 12 milhões de reais que deixam de ser repassado ao produtor e de girar na região”, estima Giovanella. Se levados em consideração os dados de toda a região, a situação é ainda mais preocupante. Apesar de não haver nenhum número oficial, a Epagri estima perdas em torno de 30%. Segundo o engenheiro agrônomo da Epagri Hector Silvio Haverroth, diante da produtividade média anual de 145 mil toneladas da região, a média de perdas pode ultrapassar as 43 mil toneladas. “Os produtores com perdas significativas terão dificuldades para passar a safra, ainda mais quando só tem essa renda anual. Na economia, o problema é que as indústrias terão que trazer produção de fora para suprir a demanda”, analisa. Para o produtor Rodrigo Venturi, de Guaramirim, o ano será de desafios. Com 25 hectares de terra e uma produção média de três mil sacas (150 toneladas), ele terá de lidar com a perda de 40% da safra este ano, o equivalente a 60 toneladas. “Ano passado já tivemos que lidar com as perdas, que chegaram a 8%, agora a situação fica ainda mais difícil, porque os custos dos fertilizantes, do diesel, das sementes e outros insumos foram impulsionados pelo dólar”, preocupa-se o produtor. Venturi utiliza as duas máquinas que tem para prestar serviços e complementar a renda da família.
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