O preço do chocolate deve ser um fator decisivo nas compras de Páscoa para boa parte da população neste ano. Segundo uma pesquisa realizada pelo SPC Brasil e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 39% dos consumidores planejam gastar menos com a data comemorativa, tida como uma das mais importantes para o varejo brasileiro. Entre os principais motivos para a decisão estão o desemprego e o aumento do preço dos ovos e produtos típicos, que não acompanhou o período de estagnação na renda das famílias. O jaraguaense Paulo Venera, de 57 anos, está no grupo de pessoas que prefere resguardar o orçamento para outras demandas. Sem o hábito de presentear a família na Páscoa, ele avalia que os altos preços e o cenário econômico inseguro desestimulam o consumidor, que prefere se manter cauteloso quando o assunto é dinheiro. Segundo a pesquisa, Paulo não está sozinho: 15% dos brasileiros afirmam que não devem presentear ninguém nesta Páscoa, enquanto 28% (três em casa dez) estão indecisos. Apesar disso, a grande maioria dos consumidores (57%) pretende comprar pelo menos uma “lembrancinha” para presentear alguém na data. É o caso da aposentada Maria de Lurdes Venera, de 70 anos, que é cunhada de Paulo. Com dois netinhos pequenos, a jaraguaense já garantiu os ovinhos que irão preencher a cesta, mas pretende pesquisar bem o preço antes de comprar os ovos, que costumam ser a parte mais cara do presente. mão de alguém vendas pascoa ovos - em (2) “Meu neto quer um ovo de super herói e como é uma data importante, não vou deixar passar sem dar nada. Pelo que vi até agora, tem ovos com preços muito altos e outros com preços razoáveis, por isso tem que pesquisar bem”, diz a aposentada. Conforme o SPC, 56% dos consumidores têm a sensação de que os produtos de Páscoa estão mais caros este ano, o que deve motivar 89% dos compradores a fazerem pesquisa de preço antes de levar os produtos para casa. Ainda assim, toda a preocupação do consumidor com o preço pode muitas vezes ser deixada de lado diante do apego das crianças à data. Maria de Lourdes, por exemplo, admite que deve comprar o ovo desejado pelos netos independentemente do preço – tudo para garantir a alegria da criançada. No caso dos mais velhos, o presente deve ser mais em conta: 53% dos consumidores vão optar pelas caixas de bombom e 37% pelas barras de chocolate, diz o SPC. Segundo a pesquisa nacional, 34% dos brasileiros gastará até R$ 100 com chocolates e produtos típicos de Páscoa. A média geral, entretanto, é mais alta, de R$ 139. Em Santa Catarina o valor médio gasto com os produtos de Páscoa deve maior: R$ 163,09, segundo dados da Fecomércio-SC. Comerciantes afirmam que procura por chocolates ainda está fraca Enquanto o consumidor está de olho no orçamento, os comerciantes preferem manter os “pés no chão” quando o assunto são as vendas. Para a gerente de uma loja de produtos variados do Centro da cidade, Lurdes Fagundes, se continuar no ritmo atual, a Páscoa deste ano deve trazer resultados abaixo do ano passado. “Até agora o movimento está 10% menor do que em 2016. Acredito que isso se deva principalmente pelo medo da crise, que ainda permanece para muitos consumidores”, avalia ela. Em um supermercado do bairro Vila Lalau, a procura por ovos caiu cerca de 30%, segundo análise do gerente, Osmar Abentroth. “O fato nem é as pessoas quererePASCOA ECONOMIAm gastar, mas sim que muitas delas não podem gastar”, observa o gerente. Pensando nisso, este ano o supermercado resolveu trocar os ovos industrializados pelos ovos artesanais, produzidos na própria região. “Assim, além de apoiar as empresas locais, é possível oferecer preços mais atrativos aos clientes”, afirma Abentroth. Apesar do cenário, o vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Jaraguá do Sul, Gabriel Seifert, destaca que o comércio está cada vez mais otimista e deve ter melhor desempenho nas vendas este ano. “Apesar de ser um otimismo ainda muito cauteloso, já é melhor do que foi o início do ano passado. Mais do que nunca é preciso apostar em criatividade, decoração, ações de vendas, tudo para atrair o cliente”, afirma ele. “A recuperação não vem na mesma velocidade que a queda, mas o que importa é que ela está acontecendo”, destaca.