A ancestralidade das tradições da baía da Babitonga virão à tona neste fim de semana. Graças ao Festival Aldeia de Todos os Cantos – que volta após três anos -, as manifestações culturais dos negros, índios e açorianos  serão traduzidas na feira de artesanato, jogos, oficinas de musica e dança, roda de conversa com os guaranis e representantes da comunidade negra e, claro, nas apresentações noturnas.

A quarta edição acontece neste sábado (11) e domingo (12), das 15h às 22h, no Sesc de Joinville, com o subtítulo “cultura popular” dando ênfase a essa busca pelas raízes da Babitonga. Toda a programação é gratuita e pode ser conhecida AQUI.

“Há um desconhecimento nosso em relação a essas tradições. Elas necessitam ressurgir para nós. É um momento rico pra que a gente fale dessas manifestações, promova essa oportunidade de termos protagonistas nessas cidade que iniciem esse movimento, falem de seu lugar, valorizem esse lugar, passem o conhecimento para os mais novos”, conclama Ana Paula da Silva, cantora e criadora do festival.

Ela própria só veio a conhecer mais profundamente esse cenário quando se envolveu com o Projeto Babitonga, no qual fez seis apresentações no ano passado. A iniciativa da Univille é parceira no evento.

Grupos tradicionais e outros contemporâneos, mas influenciados por essa cultura, estarão presentes. Representantes de São Francisco do Sul (coral indígena), Joinville (afoxé e maracatu), Araquari (terno de reis e Dança São Gonçalo) e Balneário Barra do Sul (coral da Fundação Cultural e boi de mamão).

“É muito importante que esses grupos tradicionais, que mantêm essas tradições, tenham uma organização, um líder que consiga abrir para que as comunidades e o maior publico possível os conheça. Quanto mais fechado estiverem esses grupos, mais difícil o acesso, mais difícil para que essas manifestações seja conhecidas e as pessoas contribuam, valorizem e as salvaguardem”, alerta Ana Paula.

De Itajaí virá o Sarau Afro-açoriano (acima), que atualiza as manifestações populares em canções autorais e releituras do cancioneiro tradicional. O grupo ganhou como melhor disco (“Fui Tarrafear”) no Prêmio da Música Catarinense 2017. Também de Itajaí vem o professor, pesquisador e instrumentista Rodrigo Paiva, que irá ministrar uma oficina de práticas percussivas e ritmos catarinenses.

Fora do palco, uma das atrações são os jogos que serão coordenados pelo educador e escritor Jorge Hoffman (foto no alto). Eles têm foco na cultura brasileira, por meio dos jogos da herança africana e dos povos tupi-guarani.

“O festival é muito importante para reconhecer, valorizar e inclusive se identificar com essas manifestações, reconhecer o nosso próprio povo, porque todos nos somos um pouco desses três povos”, diz Ana Paula.