Aos 91 anos, Dale Sanders precisou enfrentar muito mais do que os 3.530 quilômetros da Trilha dos Apalaches para recuperar um recorde que já havia conquistado no passado. Ao longo da jornada, o americano sofreu 71 quedas, acumulou ferimentos, passou por uma internação hospitalar e pensou em abandonar o desafio.
Conhecido pelo apelido de “Greybeard”, ou “Barba Cinzenta”, em tradução livre, Sanders voltou a entrar para a história ao se tornar novamente a pessoa mais velha a percorrer integralmente a famosa trilha dos Estados Unidos.
O percurso atravessa o leste do país e liga Springer Mountain, no estado da Geórgia, ao Monte Katahdin, no Maine. Para que a travessia seja reconhecida oficialmente, todos os trechos precisam ser concluídos em um período inferior a 12 meses, conforme as regras estabelecidas pela Appalachian Trail Conservancy.
71 quedas e muitos quilômetros pela frente
A caminhada esteve longe de ser tranquila. Durante aproximadamente um ano de jornada, Sanders caiu 71 vezes. Algumas das quedas provocaram cortes, arranhões e ferimentos nos braços, nas pernas e nas mãos.
Apesar dos acidentes, nenhuma das quedas resultou em fraturas.
“Graças a Deus não quebrei nada, mas fiquei com alguns hematomas e contusões. Não limpei o sangue. Apenas continuei caminhando”, relatou o americano.
A determinação, no entanto, seria colocada à prova novamente quando uma das quedas provocou consequências mais graves.

Foto: Reprodução Instagram
Passagem pelo hospital quase encerrou o desafio
Um dos acidentes aconteceu na região do Monte Killington. Algumas semanas depois, Sanders começou a sentir dormência no braço esquerdo e precisou ser levado a um hospital no Maine.
Inicialmente, os médicos chegaram a suspeitar de um acidente vascular cerebral (AVC). Após a realização de exames, porém, foi constatado que os sintomas eram causados por um nervo comprimido.
Mesmo recebendo alta pouco tempo depois, o americano passou a considerar a possibilidade de desistir do recorde. A decisão de continuar veio após o apoio da família.
Durante a jornada, Sanders passou perto de casa e encontrou a esposa, que o incentivou a seguir em frente e concluir a travessia.
Ele retomou a caminhada e, depois de completar o percurso, fez questão de agradecer às pessoas que o acompanharam durante o desafio.
“Tive que agradecer a Deus, à minha equipe de apoio e a todos que me ajudaram a chegar até aqui”, afirmou.
Figura conhecida entre caminhantes
Ao longo da travessia, Sanders também conquistou admiradores e passou a ser reconhecido por outros caminhantes que percorriam a Trilha dos Apalaches.
Milhares de pessoas acompanharam sua jornada pelas redes sociais, transformando o desafio do americano em uma história de superação acompanhada por pessoas de diferentes lugares.
Recorde já havia sido conquistado aos 82 anos
A conquista aos 91 anos representa, na verdade, a recuperação de uma marca que Sanders já havia alcançado anteriormente.
Em 2017, quando tinha 82 anos, ele se tornou a pessoa mais velha a completar toda a Trilha dos Apalaches. O recorde permaneceu em seu nome durante quatro anos.
Em 2021, MJ “Nimblewill Nomad” Eberhart completou o percurso aos 83 anos e superou a marca de Sanders.
O americano, então, decidiu tentar recuperar o título.
Desta vez, o desafio seria ainda maior. Sanders teria de enfrentar novamente os milhares de quilômetros da trilha quase uma década depois, aos 91 anos — nove anos mais velho do que quando conquistou o primeiro recorde.
Ex-fuzileiro naval coleciona outras façanhas
A Trilha dos Apalaches não é a única aventura de destaque na trajetória de “Greybeard”. Ex-fuzileiro naval, Sanders também se tornou a pessoa mais velha a percorrer o rio Mississippi de caiaque.
A expedição durou 87 dias e começou em uma data simbólica: justamente no dia em que ele completou 87 anos.
A relação do americano com o esporte começou muito antes dos recordes e grandes aventuras. Sanders conta que sofreu bullying durante a infância por causa da baixa estatura e encontrou em atividades como a natação e a acrobacia uma forma de enfrentar as dificuldades.
Décadas depois, aquela busca por superação se transformaria em uma sequência de feitos que desafiam não apenas distâncias e obstáculos físicos, mas também as expectativas sobre os limites impostos pela idade.