A indesejada polarização política e social é um fenômeno complexo que pode, de fato, fragilizar a coesão social e o desenvolvimento de uma nação. Quando um governo adota discursos ou políticas que aprofundam divisões, cria-se um ambiente de antagonismo, onde o diálogo e o compromisso tornam-se difíceis. Nesses casos, mesmo governos eleitos democraticamente podem ser percebidos como autoritários por parte da população, especialmente se privilegiam um grupo em detrimento de outro.
No entanto, é importante distinguir entre polarização e pluralismo. Sociedades saudáveis permitem divergências de opinião, mas mantêm instituições capazes de mediar conflitos e garantir direitos para todos. O problema surge quando a polarização se torna tóxica, incentivando a hostilidade e a deslegitimação do outro. Nesse cenário, a governabilidade fica prejudicada, e reformas necessárias são paralisadas pela incapacidade de negociação.
Historicamente, países que superaram divisões profundas o fizeram através de pactos sociais, fortalecimento institucional e lideranças comprometidas com a unidade, não com a exploração de fraturas sociais. A polarização extrema, por outro lado, pode levar a retrocessos econômicos, crises de representação e até conflitos internos.
Assim, um governo que, intencionalmente ou não, alimenta a divisão corre o risco de minar a própria democracia. A verdadeira liderança deveria buscar equilíbrio, assegurando que políticas públicas atendam ao interesse nacional, não apenas a uma parcela da população. O desafio é governar para todos, preservando o debate democrático sem permitir que ele se transforme em guerra ideológica.
Guerra ideológica só alimenta o ódio entre pessoas cognitivamente mal formadas.