Um telescópio espacial da NASA, com aproximadamente 1,5 tonelada, tem previsão de reentrar na atmosfera terrestre nesta quarta-feira (4), após quase 22 anos em órbita. O observatório Neil Gehrels Swift encerrou sua missão científica depois que uma tentativa de resgate para prolongar sua vida útil não teve sucesso.
A trajetória do equipamento inclui regiões que abrangem partes da América do Sul, colocando o Brasil entre as áreas de possível reentrada. No entanto, ainda não há uma definição sobre o local exato onde o telescópio deve entrar na atmosfera.
Segundo atualização divulgada pela NASA na segunda-feira (2), a Força Espacial dos Estados Unidos estimava que o retorno aconteceria por volta das 3h30, no horário de Washington, com margem de incerteza de 11 horas. Convertida para o horário de Brasília, a previsão inicial era de aproximadamente 5h30. O horário pode mudar conforme o observatório perde altitude.
A maior parte da estrutura deverá se desintegrar ao atravessar a atmosfera. Ainda assim, alguns componentes mais resistentes, como peças de tungstênio e partes dos espelhos dos instrumentos, podem sobreviver à passagem e atingir a superfície.
Apesar da possibilidade de fragmentos chegarem ao solo, a NASA considera muito baixa a probabilidade de alguém ser ferido. A estimativa divulgada pela agência é de aproximadamente uma chance em 2.100 de ocorrer algum dano a pessoas.

Foto: Divulgação/NASA
Brasil está entre as regiões de possível reentrada
O telescópio está em uma trajetória orbital que passa por regiões entre aproximadamente 20,6 graus de latitude norte e sul. Por isso, diferentes áreas do planeta estão dentro da faixa de possível reentrada, incluindo partes da América Central e do Sul, África, Índia, Austrália e Sudeste Asiático.
A maior possibilidade é que eventuais fragmentos caiam nos oceanos ou em áreas desabitadas. A NASA e a Força Espacial dos Estados Unidos continuam acompanhando a trajetória para atualizar as previsões.
Tentativa de resgate não teve sucesso
O retorno antecipado do Swift ocorreu depois que uma operação para prolongar a vida útil do equipamento não conseguiu atingir seu objetivo. A NASA contratou a empresa Katalyst Space Technologies para desenvolver uma missão capaz de alcançar o telescópio e elevar sua órbita, permitindo que ele continuasse funcionando.
A operação utilizaria uma espaçonave robótica chamada LINK, equipada com três braços mecânicos para capturar o observatório. Lançado em julho de 2026, o veículo apresentou problemas técnicos durante a aproximação, incluindo falhas em componentes responsáveis pelo controle de sua orientação.
Mesmo após tentativas de recuperação, a missão de resgate foi abandonada em agosto. A LINK chegou a se aproximar do Swift, mas não conseguiu realizar a captura. A espaçonave de resgate também reentrou na atmosfera em setembro.
Atividade solar acelerou a descida
A queda do telescópio foi acelerada pela intensificação da atividade solar nos últimos anos. Erupções solares e ejeções de massa coronal aqueceram e expandiram as camadas superiores da atmosfera terrestre.
Com isso, aumentou o arrasto atmosférico sobre o equipamento, que passou a perder altitude mais rapidamente. O fenômeno contribuiu para antecipar o fim de uma missão que originalmente deveria durar apenas dois anos.
Em 20 de outubro, o Swift realizou sua última observação científica. No fim daquele mês, já estava baixo demais para manter estabilidade suficiente para continuar operando.
Qual era a missão do telescópio?
Lançado em 20 de novembro de 2004, o Neil Gehrels Swift Observatory foi desenvolvido para investigar algumas das explosões mais poderosas do Universo, conhecidas como rajadas de raios gama.
O equipamento tinha capacidade de identificar esses fenômenos e direcionar rapidamente seus instrumentos para observá-los. Essa agilidade permitia que outros telescópios, como Hubble e James Webb, recebessem alertas para investigar os eventos com mais profundidade.
Durante aproximadamente 22 anos, o Swift detectou mais de 2 mil explosões de raios gama e estudou pelo menos 1,4 mil supernovas, além de observar buracos negros, galáxias, asteroides e cometas.
Os dados acumulados pelo observatório, que contribuíram para milhares de pesquisas científicas, continuarão disponíveis para pesquisadores de diferentes países.