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Tecnologia catarinense transforma rotina cirúrgica e eleva padrões de segurança no Banco de Olhos de Joinville

Divulgação/Hospital de Olhos de Joivnille

Por: Pedro Leal

26/05/2026 - 16:05 - Atualizada em: 26/05/2026 - 16:20

Em um ambiente onde minutos fazem diferença e qualquer falha pode comprometer resultados clínicos, a organização dos processos hospitalares deixou de ser apenas uma questão administrativa para se tornar um fator determinante de segurança do paciente. No Banco de Olhos de Joinville, em Santa Catarina, a adoção do SARA System marca uma mudança estrutural na forma como cirurgias oftalmológicas são conduzidas. A partir da implantação do sistema, os pacientes são acompanhados do cadastro inicial à rastreabilidade completa dos materiais utilizados nos procedimentos cirúrgicos.

Desenvolvido pela startup catarinense Inovamotion, o sistema foi adaptado para responder a um desafio específico da oftalmologia: o alto volume cirúrgico diário. Diferentemente de hospitais tradicionais, onde procedimentos podem durar horas, cirurgias de catarata chegam a durar poucos minutos, permitindo que uma única sala atenda até 150 pacientes por dia. Esse ritmo intenso exigiu uma solução capaz de organizar fluxos complexos sem comprometer a segurança.

Durante os 11 meses em que o sistema foi implantado na unidade, um total de 6.580 inspeções foram realizadas. Dados mais recentes de monitoramento do sistema, compreendido entre 24 de março e 6 de abril, foram registrados 155 procedimentos oftalmológicos. Desse total, segundo análise do SARA System, 143 dos procedimentos foram finalizados, o que equivale a 92,3% do total. O dia 31 de março foi o que mais registrou cirurgias, com 51 procedimentos. Esses dados mostram a eficiência do sistema e a segurança com que tudo foi conduzido, principalmente no que se refere a rastreabilidade dos equipamentos usados nos procedimentos, destacando-se como o principal diferencial.

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Antes da implantação da plataforma, grande parte das informações circulava em formulários impressos. Anotações manuais acompanhavam o paciente por diferentes etapas, aumentando o risco de perda de dados, atrasos operacionais e falhas de registro. Hoje, o cenário é outro. Ao chegar ao hospital, o paciente recebe uma pulseira com QR Code. A partir desse momento, todo o percurso passa a ser monitorado digitalmente: triagem, pré-operatório, cirurgia, pós-operatório e alta médica. Cada etapa é registrada em tablets integrados ao sistema.

Segundo Fabiano Machado, CTO da Inovamotion, a mudança vai muito além da digitalização de formulários. “Pela primeira vez conseguimos entregar uma auditoria completa do que aconteceu com cada paciente. Sabemos o horário de entrada, o pré-operatório, o tempo de cirurgia, o pós-operatório e a alta. Tudo fica registrado em um único ambiente, permitindo rastreabilidade total e tomada de decisão baseada em dados”, afirma.

Segurança cirúrgica como eixo central

Embora o acompanhamento do paciente seja um diferencial visível, o principal objetivo do SARA System está nos bastidores das cirurgias: a rastreabilidade dos materiais cirúrgicos. A partir do seu uso, cada instrumento utilizado passa a possuir identificação individual. Desta forma, o hospital consegue saber: qual item foi utilizado; em qual cirurgia; por qual equipe médica; em qual ciclo de esterilização passou e quando deve ser substituído.

Esse controle atende diretamente às exigências sanitárias estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que determina protocolos rigorosos de esterilização e monitoramento de materiais hospitalares. “O principal objetivo do SARA é garantir a segurança do paciente. Isso significa assegurar que todo material solicitado pelo cirurgião chegou corretamente à sala, foi esterilizado dentro dos padrões e retornou após o procedimento. A rastreabilidade elimina riscos críticos dentro do centro cirúrgico”, explica Machado.

Em situações extremas, essa checagem evita ocorrências graves, como a ausência de instrumentos essenciais durante o procedimento ou a perda de materiais cirúrgicos, eventos que podem gerar custos elevados e riscos clínicos significativos.

Dados que organizam decisões

Outro impacto relevante observado no Banco de Olhos de Joinville está na geração de métricas operacionais inéditas para a instituição. Antes da digitalização, muitos indicadores simplesmente não existiam. Agora, o hospital consegue acompanhar: tempo médio de cirurgias; volume diário de procedimentos; vida útil de instrumentos; frequência de esterilizações e localização exata dos materiais. Essas informações permitem ajustes de escala, planejamento de compras e melhoria contínua dos processos assistenciais.

Segundo Machado, a ausência histórica dessas informações era um desafio recorrente no setor hospitalar brasileiro. “Muitos hospitais não conseguem mensurar perdas ou eficiência porque não possuem base comparativa. Quando o sistema começa a mostrar onde estão os materiais e como os processos acontecem, o hospital passa a enxergar oportunidades de economia e melhoria operacional quase imediatamente.”

Adaptação à realidade oftalmológica

O Banco de Olhos de Joinville também se tornou um laboratório de inovação para a Inovamotion. O sistema, originalmente concebido para hospitais gerais de médio e grande porte, precisou ser redesenhado para atender a dinâmica das clínicas oftalmológicas de alto volume. A experiência resultou em uma versão específica do SARA para oftalmologia, capaz de operar tanto em estruturas fixas quanto em mutirões cirúrgicos itinerantes, modalidade comum no atendimento pelo SUS em cidades do interior.

Nesse modelo, o sistema acompanha a saída dos materiais do hospital, o transporte até outras cidades e todo o histórico dos procedimentos realizados fora da unidade principal, mantendo a rastreabilidade mesmo em operações móveis. O ganho está na padronização dos processos e na redução da dependência de controles manuais o que, na saúde, é fator determinante para o sucesso de qualquer procedimento.

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Pedro Leal

Analista de mercado e mestre em jornalismo (universidades de Swansea, País de Gales, e Aarhus, Dinamarca).