A baixa previsão orçamentária para a continuidade nas obras de duplicação da BR-280 pode prejudicar a retomada do crescimento econômico na região, avaliam entidades e empresários. Na última semana, o Governo Federal apresentou à Câmara de Deputados uma proposta que prevê o repasse de R$ 50 milhões para a execução da obra em 2017.
O valor, segundo cálculos do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), é insuficiente para impor um ritmo razoável nas obras. A estimativa é de que seriam necessários R$ 25 milhões mensais durante três anos para efetivar as desapropriações e executar os lotes 2.1 (entre o trevo da Rodovia do Arroz e a BR-101) e 2.2 (entre Guaramirim e Jaraguá do Sul). Ou seja, um orçamento de R$ 300 milhões por ano. A estimativa não leva em conta o lote 1, entre Araquari e São Francisco do Sul, que ainda não foi iniciado.
Na avaliação do coordenador do núcleo de transportadoras da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (Acijs), Ângelo Spezia, a morosidade na execução da obra pode representar perda de competitividade em um ano de retomada da economia. “A demora no acesso à Jaraguá do Sul e outras cidades acarreta diretamente nos custos, aumenta o risco de problemas técnicos e acidentes”, explica o representante da entidade.
Segundo Spezia, o cenário é pouco animador e leva a acreditar que o prazo de conclusão da obra, previsto para 2021, possa ser postergado. “Enquanto isso, novos negócios podem deixar de ser abertos aqui por esbarrarem na questão da mobilidade e a região acaba ficando para trás”, avalia.
De acordo com o gerente de uma transportadora de Guaramirim, Marcos Hillesheim, para poder crescer efetivamente, a região precisa de soluções ágeis para melhorar a mobilidade na BR-280. “Este cenário é ruim para todo o mercado, nossa economia já poderia estar melhor, basta ver como foi com a BR-101. Aqui, a transferência de um transformador já para tudo. Precisamos que se dê mais atenção a esta importante rodovia”, defende o gerente.
Entidades devem aumentar pressão sobre o governo
Na busca por mais agilidade e recursos para a obra, entidades de toda a região Norte do Estado devem ir à Brasília para cobrar ações efetivas do Governo Federal. A movimentação, encabeçada pela Facisc (Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina) conta com o apoio da Fecomércio, do Dnit regional e das associações empresariais de toda a região.
“Estamos aguardando uma oportunidade na agenda e queremos efetivar a ida o quanto antes. Dos dez municípios do Norte do Estado, nove estão muito focados na campanha, pois sabemos que a rodovia duplicada será um salto no desenvolvimento regional”, afirma a vice-presidente da regional Norte da Facisc, Eloísa Hertel Maiochi. “A questão é que o cobertor ficou curto e agora temos que fazer a nossa parte, buscar uma sensibilização. Este é um pleito antigo que deve ter continuidade”, destaca.
De acordo com o presidente da Associação Empresarial de Guaramirim (Aciag), Ângelo da Silva, o setor reconhece que a falta de recursos é geral e que a recolocação de valores é necessária, mas cobra mais atenção ao que ele define como “um corredor de progresso para a região Norte”. “Temos a informação de que a BR-280 é uma das prioridades do governo, mas como a obra está elencada entre estas prioridades não sabemos. Isso afeta fortemente a nossa economia e por isso temos que acompanhar de perto”, defende Silva.
Este ano, a previsão era que o Governo Federal investisse R$ 120 milhões na rodovia. Entretanto, o orçamento apresentado em janeiro disponibilizou apenas 30% deste valor, o equivalente a R$ 31,8 milhões. Depois, a quantia foi reduzida para R$ 21 milhões. Até março, os R$ 70 milhões em recursos disponíveis vieram das sobras orçamentárias de 2015. No total, os trechos 2.1 e 2.2 da obra somam R$ 758 milhões, enquanto o lote 1 está orçado em R$ 305 milhões.
Túnel do Vieiras
Há duas semanas, o supervisor do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte) no Norte do Estado, engenheiro Antônio Carlos Bessa, pediu o apoio de entidades para garantir a continuidades das obras do túnel do Vieiras, no lote 2.2. Segundo ele, seria necessária a liberação de R$ 28 milhões este ano para garantir a continuidade dos trabalhos. Caso contrário, segundo Bessa, a obra poderia parar ainda neste mês.