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Quinto livro do jaraguaense Charles Zimmermann relata viagem de bicicleta pelo Himalaia

Charles com o protótipo do livro, que está sendo finalizado | Fotos: Arquivo pessoal/Divulgação

Por: Elisângela Pezzutti

04/03/2026 - 07:03

Com lançamento previsto para maio, o livro “Cordilheira adentro” marca o quinto trabalho do escritor jaraguaense Charles Zimmermann. A nova obra mergulha na complexidade geográfica, cultural e política da Cordilheira do Himalaia, resultado de quatro viagens realizadas pelo autor ao longo de diferentes estações do ano. Cada jornada durou entre 60 e 90 dias, sendo duas realizadas no verão e duas na primavera.

Com 320 páginas — sendo 48 dedicadas a fotografias —, o livro já está em pré-venda nas redes sociais do autor. A edição será em capa dura, em formato um pouco maior que o convencional, com acabamento gráfico diferenciado. O valor de venda será de R$ 140 e a proposta, segundo Zimmermann, é que a publicação vá além da leitura e se torne também um objeto de decoração.

O título faz referência direta à grandiosidade da cadeia montanhosa asiática. “Os Himalaias são uma cordilheira, por isso o nome do livro é ‘Cordilheira adentro’. Existem duas grandes cordilheiras — a dos Himalaias e a dos Andes”, observa o autor, citando a comparação com a formação sul-americana.

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As viagens que deram origem à obra foram realizadas em quatro regiões distintas. Uma delas na Caxemira, território de maioria muçulmana localizado na Índia; outra no centro do Nepal, incluindo estadia na capital Katmandu; além de passagens por Darjeeling e pelo estado indiano de Siquim, que faz fronteira com a China e já pertenceu ao Tibete.

Todas as expedições começaram na Índia, antiga colônia inglesa, o que facilitou a comunicação em inglês. Ainda assim, Zimmermann destaca que buscou aprender expressões dos dialetos locais, semelhantes entre si, como forma de estreitar laços com a população. “Mesmo sendo o inglês a língua universal, saber um pouco dos dialetos ajuda bastante”, afirma. “Além disso, ‘o corpo fala’ então também me expressava por gestos e expressões”, relata.

A bicicleta foi o principal meio de transporte pelos vales e povoados da região, uma escolha alinhada ao conceito de “slow travel”, filosofia de viagem que prioriza a imersão cultural e conexões profundas em vez de roteiros acelerados. “É o viajar lento, estar mais próximo da população e observar o cotidiano”, resume.

Ao longo das páginas, o autor descreve a diversidade cultural presente nos Himalaias. Em meio aos vales, há influências indianas, chinesas, tibetanas e até do Oriente Médio, como na Caxemira, onde predomina o Islamismo. Em outras áreas, as tradições budistas e hinduístas são majoritárias. Durante a estadia em Katmandu, Zimmermann viveu a experiência de permanecer em um monastério budista, aprofundando um interesse pessoal pela filosofia, especialmente pelo budismo tibetano, tradição seguida pelo Dalai Lama.

No livro, ele também aborda as incertezas em torno da sucessão do líder espiritual — atualmente o 14º Dalai Lama — e as implicações políticas dessa escolha, em uma região marcada por disputas geopolíticas. A Cordilheira do Himalaia está situada entre potências como China e Índia, além do Nepal, e abriga áreas com fronteiras ainda indefinidas, herança de processos ligados à colonização britânica.

A geopolítica é um dos eixos centrais da narrativa, ao lado do modo de vida das populações locais, da natureza exuberante e dos desafios enfrentados pelo autor — muitos deles relacionados ao clima, especialmente aos ventos intensos nas áreas mais altas.

Zimmermann também dedica espaço às mudanças climáticas e seus impactos na região. Ele conta que muitas comunidades vivem da agricultura de subsistência, dependente das águas provenientes do degelo das geleiras. “No entanto, o ciclo das águas já não acompanha o calendário tradicional de plantio e colheita, afetando diretamente a produção. Em altitudes elevadas, famílias migram sazonalmente: descem para povoados mais baixos no inverno e retornam no verão”, detalha.

Sobre a gastronomia, Charles conta que na Índia, a base alimentar é predominantemente vegetariana, com consumo frequente de grão-de-bico, lentilha, arroz e vegetais como couve-flor, repolho e batata, sempre temperados com muito curry. O chapati, pão típico semelhante a uma pizza fina, acompanha grande parte das refeições.

Entre relatos sobre cultura, religião, geopolítica, natureza e experiências pessoais — incluindo momentos de solitude —, “Cordilheira adentro” traça um panorama sensível e aprofundado sobre uma das regiões mais emblemáticas do planeta.

Confira algumas imagens:

 

 

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Elisângela Pezzutti

Graduada em Comunicação Social pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Atua na área jornalística há mais de 25 anos, com experiência em reportagem, assessoria de imprensa e edição de textos.