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Quem eram os peregrinos que deixaram marcas na Sala da Última Ceia?

Foto: Wikimedia Commons

Por: Ewaldo Willerding Neto

03/04/2026 - 07:04 - Atualizada em: 03/04/2026 - 07:49

Pesquisadores da Áustria e de Israel utilizaram tecnologia de ponta para decifrar cerca de 40 inscrições medievais nas paredes do Cenáculo, em Jerusalém. Os registros, invisíveis a olho nu, revelam brasões e mensagens deixados por peregrinos de várias partes do mundo entre os séculos XIII e XV.

O que foi descoberto nas paredes do local sagrado?

Especialistas identificaram cerca de 40 elementos de grafite antigo, incluindo assinaturas, símbolos religiosos e cinco brasões de famílias nobres europeias. Essas marcas funcionam como testemunhos silenciosos da passagem de viajantes pelo Cenáculo, o edifício no Monte Sião onde, segundo a tradição cristã, Jesus realizou sua última refeição com os apóstolos.

Como essas inscrições escondidas foram reveladas?

Como os registros estavam muito desgastados pelo tempo, os pesquisadores usaram fotografia multiespectral e uma técnica chamada RTI (Imagem de Transformação de Reflectância). Esse método ilumina a superfície de diferentes ângulos para destacar relevos quase imperceptíveis, permitindo que as imagens fossem processadas digitalmente em laboratório até se tornarem legíveis.

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Quais figuras históricas deixaram suas marcas no Cenáculo?

Um dos destaques é o brasão de Tristram von Teuffenbach, um nobre austríaco que visitou Jerusalém em 1436. Ele fazia parte de uma grande comitiva liderada por Frederick III, que viria a ser o imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Também foi encontrada uma inscrição armênia datada do Natal de 1300, possivelmente ligada à passagem do rei Het’um II pela cidade.

Existe algum registro específico sobre a presença feminina?

Sim, os arqueólogos encontraram um fragmento em árabe que menciona uma mulher de Aleppo, na atual Síria. A estrutura gramatical do texto identifica claramente uma mulher, o que é um achado extremamente raro. Esse grafite é um dos poucos vestígios materiais diretos de uma peregrinação feminina durante a Idade Média.

* Com informações da Gazeta do Povo.

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Ewaldo Willerding Neto

Jornalista formado pela UFSC com 30 anos de atuação.