Clique aqui e receba as notícias no WhatsApp

Whatsapp

Quatro feminicídios por dia: violência contra mulheres avança no Brasil

Foto: Imagem ilustrativa/Freepik

Por: Elisângela Pezzutti

08/03/2026 - 07:03

Este domingo, 8 de março, marca o Dia Internacional da Mulher — uma data que nasceu da luta por direitos, igualdade e respeito. Mas, diante da realidade vivida por milhares de brasileiras, a pergunta que se impõe é: o que há para comemorar? Mesmo após avanços legais e a implantação de políticas públicas, a violência de gênero segue como uma ferida aberta na sociedade.

Em 2025, o Brasil registrou 1.518 casos de feminicídio, o maior número desde que o crime passou a ser tipificado em lei — uma média de quatro mulheres assassinadas por dia por razões de gênero. Além disso, apenas no primeiro semestre do ano foram contabilizados 33.999 estupros contra meninas e mulheres, evidenciando que a violência segue presente no cotidiano de milhares de vítimas. Diante desse cenário, o 8 de março se torna não apenas um dia de celebração, mas também um momento de reflexão sobre os desafios ainda urgentes na garantia de segurança e dignidade para as mulheres.

Números da violência em Jaraguá do Sul e em SC

Clique e assine o Jornal O Correio do Povo!

A realidade nacional também se reflete nos estados e municípios. Em Santa Catarina, os registros de violência contra a mulher continuam preocupantes e revelam que o problema está longe de ser superado. Em Jaraguá do Sul, casos de agressões, ameaças e outras formas de violência doméstica seguem sendo atendidos pelas forças de segurança e pela rede de proteção.

Segundo informações da delegada Roberta França, titular da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI) do município, o crime de ameaça continua sendo o mais registrado nos últimos anos. Em 2022 foram contabilizadas 637 vítimas, número que subiu para 743 em 2023. Em 2024 houve 717 registros e, em 2025, 684 casos. Somente em janeiro de 2026 já foram contabilizadas 75 ocorrências desse tipo.

Delegada Roberta França, titular da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso de Jaraguá do Sul| Foto: Fábio Junkes/Arquivo OCP News

A lesão corporal dolosa aparece como a segunda ocorrência mais frequente. Foram 326 casos em 2022, 330 em 2023 e 364 em 2024. Em 2025 o número chegou a 408 registros, enquanto janeiro de 2026 soma 43 vítimas.

Os casos de injúria também apresentaram crescimento ao longo dos anos analisados. Em 2022 foram registrados 159 episódios, passando para 216 em 2023 e 260 em 2024. Em 2025 houve 232 ocorrências e, em janeiro de 2026, 21 registros.

Outros crimes ligados à violência doméstica também aparecem nos dados. A perseguição passou de 30 casos em 2022 para 58 em 2023, 93 em 2024 e 104 em 2025, com sete ocorrências registradas em janeiro de 2026. As vias de fato tiveram 81 registros em 2022, 80 em 2023, 67 em 2024 e 100 em 2025, além de cinco casos em janeiro de 2026.

O descumprimento de medidas protetivas também apresentou aumento ao longo dos anos: foram 45 registros em 2022, 65 em 2023, 93 em 2024 e 75 em 2025. Em janeiro de 2026, cinco casos foram contabilizados. Já os crimes de dano (que consiste em destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia, causando prejuízo patrimonial) tiveram 56 ocorrências em 2022, 60 em 2023, 58 em 2024 e 65 em 2025, com cinco registros no primeiro mês de 2026.

Nos casos de difamação, foram 47 registros em 2022, 52 em 2023 e 52 em 2024, aumentando para 65 em 2025. Em janeiro de 2026, sete ocorrências foram contabilizadas.

Crimes graves

Entre os crimes mais graves, os registros de estupro de vulnerável somaram 56 casos em 2022, 39 em 2023, 45 em 2024 e 38 em 2025, além de dois registros em janeiro de 2026. Já o crime de estupro teve 18 ocorrências em 2022, 10 em 2023, 11 em 2024 e 10 em 2025, sem registros no primeiro mês de 2026.

Os dados também apontam casos de feminicídio. Foram três ocorrências consumadas em 2022, uma em 2023, nenhuma em 2024 e um caso em 2025. Em janeiro de 2026 não houve registros. Também houve um caso de feminicídio tentado em 2022 e quatro em 2023.

Além das ocorrências policiais, o levantamento mostra o número de solicitações de Medidas Protetivas de Urgência (MPU). Foram 544 pedidos em 2022, 805 em 2023, 782 em 2024 e 801 em 2025. Em janeiro de 2026 já foram registradas 144 solicitações.

Ainda de acordo com a delegada, os números consideram vítimas de todas as faixas etárias e envolvem situações de violência doméstica.

Observatório da Violência contra a Mulher em SC

Em 2015, aprovou-se na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) a Lei nº 16.620, de autoria da então deputada estadual Ana Paula de Lima (PT), por meio da qual foi instituído o Sistema Integrado de Informações de Violência Contra a Mulher, denominado Observatório da Violência contra a Mulher de Santa Catarina (OVM/SC), que fornece dados para a elaboração, o monitoramento e a avaliação das políticas e ações de prevenção e de enfrentamento à violência contra as mulheres no estado.

Dados da OVM/SC apontam 52 feminicídios registrados em 2025 e 8 feminicídios em janeiro e fevereiro de 2026 (Fonte: SSP/SC).

Número de casos de violência de gênero registrados nos últimos anos no estado

2020 – 64.007
2021 – 70.191
2022 – 72.047
2023 – 77.949
2024 – 77.794
2025 – 76.254

Acolhimento de mulheres vítimas de violência em Jaraguá do Sul

Em Jaraguá do Sul existe a Procuradoria da Mulher da Câmara de Vereadores. Os trabalhos realizados pelo órgão, que completa cinco anos de atividades em 2026, incluem palestras em locais como escolas e hospitais, nas quais mulheres são orientadas sobre como identificar as diferentes formas de violência, como a violência psicológica, por exemplo, que é um dos tipos mais difíceis de serem percebidos pela vítima e que pode se prolongar por anos.

O contato com a Procuradoria da Mulher de Jaraguá do Sul pode ser feito pelo telefone (47) 3307-3200; WhatsApp: (47) 9 9215-2036 ou pelo e-mail [email protected].

Mulheres em situação de violência na cidade também podem contar com a Casa Izabel, um espaço de acolhimento inaugurado em novembro do ano passado em Jaraguá do Sul. A estrutura instalada no bairro Jaraguá 99, com capacidade para atender até 24 mulheres — acompanhadas ou não de seus filhos — oferece proteção, suporte emocional e condições para recomeçar.

Idealizado em 2022 pela Associação Novo Amanhã, o projeto foi desenvolvido com apoio da Câmara de Vereadores e do Poder Público municipal. No local, as mulheres têm acesso a acompanhamento psicológico e de saúde, além de oficinas profissionalizantes, atividades terapêuticas e iniciativas voltadas à socialização e ao fortalecimento da autonomia.

Clique aqui e receba as notícias no WhatsApp

Whatsapp

Elisângela Pezzutti

Graduada em Comunicação Social pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Atua na área jornalística há mais de 25 anos, com experiência em reportagem, assessoria de imprensa e edição de textos.