O artista joinvilense Juarez Machado morreu nesta terça-feira (6), aos 85 anos, em Vassouras, no interior do Rio de Janeiro, onde tratava uma pneumonia. A prefeita Rejane Gambin decretou luto oficial de três dias na cidade de Joinville.
Reconhecido pela trajetória como multiartista e pela irreverência de suas obras, Juarez, que asceu em Joinville em 16 de março de 1941, ganhou galerias e encantou pessoas por todo o mundo. Desde cedo, teve contato com diferentes formas de expressão artística. Em 1958, aos 17 anos, começou a trabalhar como designer gráfico no Laboratório Catarinense. Aos 19 anos, deixou Joinville para estudar na Escola de Belas Artes, em Curitiba e anos mais tarde, no início da década de 1980, Juarez mudou-se para Paris, na França. Embora tenha construído uma trajetória longe do Brasil, a cidade natal permaneceu presente em sua memória e em sua produção.
Está em Joinville, a maior obra física produzida pelo artista em toda a sua trajetória. O painel “O Grande Circo” recebe o público na fachada do Centreventos Cau Hansen, principal palco das artes no município, e é um dos trabalhos mais marcantes do multiartista que morreu nesta terça-feira (6/10), aos 85 anos.
A obra de 90 m², que conta com 963 peças de cerâmica pintadas à mão, foi um desafio para o próprio artista. No fim da década de 1990, já consagrado em todo o mundo por seu talento, Juarez reservou meses de estudo entre Paris, Curitiba e Joinville para compreender e se aprofundar na técnica de queima em cerâmica.
Quem conta é o irmão de Juarez, Edson Busch Machado, no documentário “A história do painel O Grande Circo, do Centreventos Cau Hansen, em Joinville”, produzido pela Prefeitura de Joinville em 2023, quando o segundo restauro do painel foi finalizado em um projeto complexo e delicado, que preservou as características originais da obra.
Sobre a pintura, Edson descreve que o irmão se inspirou em memórias da infância para reproduzir a música, a dança e o circo, e unir a comédia e o drama no painel. “O Juarez foi claro nessa informação: é a memória afetiva. Quando criança, levado pelos pais num circo mambembe de sua cidade. A figura mágica dos malabaristas, dos palhaços, fez com que ele reproduzisse isso com a sua arte”, disse.
Restauros preservam a identidade da obra

Foto: Divulgação/PMJ
O painel “O Grande Circo” passou por dois restauros desde a sua inauguração, em 1999. O primeiro foi realizado em 2008, com a fabricação de nove peças em um processo liderado pelo próprio Juarez Machado em parceria com a Portobello Grupo, que doou as peças originais e também as cerâmicas utilizadas na recomposição.
O segundo restauro foi concluído em 2023, com a produção de 110 peças, 55 delas em substituição a fragmentos deteriorados. O processo foi conduzido pela técnica ceramista Elizângela Moresco Laus, que acompanhou o primeiro restauro junto a Juarez e aceitou o desafio de recompor o mural manualmente, reproduzindo todos os detalhes da obra.
“Ela foi a obra icônica de Juarez Machado. Desde sua criação, do pensamento de realizar uma obra nestas dimensões, ele procurou produzir nos mínimos detalhes uma obra que fosse representativa para a ribalta, as artes cênicas, para outras artes e para Joinville. Juarez falava que ela era um grande portal para a magia das artes”, destacou Edson Machado à época.