Pesquisadores da UFSC recriam perfume de Cleópatra; fragrância está em exposição

Foto: Reprodução internet

Por: Elisângela Pezzutti

19/07/2023 - 09:07 - Atualizada em: 19/07/2023 - 10:08

Todos já ouviram falar sobre a rainha do Egito, Cleópatra, que viveu entre 69-30 a.C (antes de Cristo), mas o que talvez nem todos saibam é que ela era apaixonada por perfumes, uma paixão que também é compartilhada pelos brasileiros, o que faz com que o nosso país seja o segundo maior mercado consumidor de fragrâncias do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, de acordo com a empresa de consultoria Euromonitor International.

Mais de 2 mil anos depois, cientistas alemães conseguiram recriar os ingredientes da loção que Cleópatra usava. A composição leva canela, óleo de balanos, resinas e mirra. E esta fórmula foi replicada pela equipe do laboratório Quimidex, grupo de extensão e pesquisa ligado ao Departamento de Química da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Exposição “A química dos perfumes”

O perfume da rainha do Egito é somente uma das curiosidades que você pode conhecer na exposição permanente “A química dos perfumes”, montada no térreo do bloco Espaço Físico Integrado (EFI) da UFSC e aberta à comunidade em geral.

Na visita interativa, integrantes do laboratório explicam desde a história das fragrâncias até os processos químicos que levam à extração de óleos essenciais. Os visitantes também são convidados a experimentar os variados odores que compõem as famílias aromáticas.

Para agendar uma visita, basta entrar em contato com o Quimidex pelo e-mail quimidex.visitas@gmail.com ou no telefone (48) 3271-4460. O laboratório também oferece oficinas temporárias sobre tingimento, história do fogo e ensino de química, entre outros temas.

A equipe do Quimidex está pronta para receber visitantes e contar a história dos perfumes | Foto: Crizan Izauro

Veja a seguir um pouco sobre os módulos que compõem a exposição.

Evolução tecnológica

De origem latina, a palavra ‘perfume’ significa ‘fumaça’ e está associada à descoberta do fogo, quando deuses eram homenageados através da queima de vegetais perfumados. Porém, os aromas não ficaram restritos aos rituais religiosos. No antigo Egito, as fragrâncias se popularizaram e eram usadas em forma de águas perfumadas, óleos essenciais e incensos.

Atualmente, a arte da perfumaria utiliza até a inteligência artificial. “Empresas têm usado essa ferramenta para encontrar tendências e novas combinações de notas que perfumistas às vezes não pensam”, explica Anelise Regiani, professora do curso de Química da UFSC e uma das coordenadoras do Quimidex. Mas, embora seja de uso constante nas casas de perfumaria, a inteligência artificial não substitui o trabalho humano. “No final, tudo passa pelo nariz do perfumista”.

Paixão nacional

O Brasil é o segundo maior mercado consumidor de perfumes em termos de valores monetários, afirma Regiani. “Mas quem é da área acredita que, em termos de unidade comercializada, a gente bate o primeiro lugar”. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, o setor movimentou US$ 1,5 bilhão em 2022, com alta nas importações e exportações.

É a formação cultural do país que explica a paixão pelos aromas. O hábito do banho, por exemplo, é uma herança dos povos originários indígenas, detentores de amplo conhecimento sobre o uso de ervas na higiene pessoal. Já a cultura africana advinda dos negros escravizados utilizava plantas aromáticas em ritos religiosos, com fins de purificação e cura de doenças.

A partir deste cruzamento histórico surgiu o fascínio dos brasileiros por borrifar o corpo, a roupa, a casa e até o carro com os mais diversos aromas. “Gostamos de pôr perfume em tudo, até no inseticida”, brinca a coordenadora do Quimidex. O hábito mantém pujante a indústria, já que, segundo o Sebrae, 90% dos consumidores brasileiros compram perfumes nacionais.

Memória olfativa

Além de conhecer a história do perfume no Brasil, os visitantes serão apresentados a fragrâncias internacionais e terão uma prova das notas que compõem nossas famílias olfativas – como a cítrica e a floral. Também entenderão de que forma a gordura pode ser utilizada para extrair os óleos essenciais de pétalas de rosa, a partir da técnica de enfleurage.

Outro módulo explica os processos bioquímicos do olfato. Quem nunca ouviu que certos odores têm “cheiro de vó”? Alguns aromas trazem lembranças de pessoas ou lugares por conta da memória olfativa, resultado da poderosa conexão entre cérebro e olfato.

Sobre o Quimidex

O Quimidex atua há mais de 20 anos como um laboratório de divulgação científica. Alunos de graduação do curso de Química da UFSC, entre bolsistas e voluntários, são responsáveis por acompanhar os visitantes durante a exposição “A química dos perfumes”. O projeto também oferece oficinas e exposições temporárias, todas abertas à comunidade, mediante agendamento prévio.

Contato:

Universidade Federal de Santa Catarina,
Espaço Físico Integrado,
Trindade, Florianópolis, SC, CEP 88040-900.
quimidex.visitas@gmail.com
Tel: (48) 3271-4460