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Turismo cultural entre as ferramentas para atrair clientes

Hotel Vale das Pedras recebeu de janeiro a julho uma média de 1.800 hóspedes por mês, taxa superior a do ano passado - Fotos: Eduardo Montecino/OCP

Por: OCP News Jaraguá do Sul

27/08/2016 - 04:08 - Atualizada em: 31/08/2016 - 13:19

Com mais de 10 mil empreendimentos espalhados pelo Brasil, o setor hoteleiro é uma peça importante do turismo brasileiro e responsável pela manutenção de mais de 64 mil empregos diretos, segundo o Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB). Estima-se que até 2020, o setor empregue mais de 100 mil pessoas e some R$ 12,8 bilhões em investimentos no País.

Diante da crise, entretanto, muito tem se falado a respeito das ferramentas que podem ajudar o setor a se manter dentro das metas. Segundo a FOHB, em 2015 a taxa de ocupação dos hotéis caiu 6,9%, enquanto o RevPar (receita por quarto disponível) teve retração de 13,2%. A maior aposta para reverter esta curva tem sido os próprios brasileiros: conforme um estudo divulgado este mês pelo Ministério do Turismo, 78,4% dos potenciais viajantes brasileiros pretendem optar por destinos nacionais, enquanto apenas 20% dos entrevistados querem visitar outros países nos próximos seis meses. Tal postura tem ajudado a “segurar as pontas” no setor, que busca cada vez mais atrair e encantar o consumir interno.

O reflexo já pode ser sentido em Santa Catarina. Para se ter uma ideia, em janeiro deste ano o Estado registrou a maior taxa de ocupação do primeiro semestre, com 75,8% da rede hoteleira em uso. O número é doze pontos percentuais superior ao registrado em janeiro do ano passado, quando a ocupação ficou em 63,8%.

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Segundo a coordenadora do núcleo de Hospitalidade da Acijs (Associação Empresarial de Jaraguá do Sul), Cintia Buzian, o aumento do interesse pelo mercado interno acontece ao mesmo tempo em que o consumidor se torna mais exigente a respeito da hospedagem. “O viajante está mais seletivo, mais criterioso na hora de escolher. Por isso, apesar da crise, o momento é de investir em qualificação e em planejamento estratégico para criar diferenciais que ajudem a fidelizar o cliente”, ressalta.

Apesar de não existirem dados estatísticos sobre o setor hoteleiro em Jaraguá do Sul, a estimativa é de que o primeiro trimestre tenha tido uma retração de 10% na demanda, em comparação a 2015. Os custos mais altos também oneram os empreendimentos, que, conforme Cintia, precisam usar a criatividade para se tornarem mais eficientes.

“O trabalho associativo tem ajudado muito nesta questão. A troca de informações e experiências estimula o crescimento de forma conjunta”, resume ela. Atualmente, sete hotéis integram o núcleo, os quais empregam 160 profissionais. “Temos que pensar que cama e chuveiro todo o hotel tem, o que nos faz crescer é a capacidade de fazer o consumidor se sentir em casa, com facilidades e cuidados que não se encontram em qualquer lugar”, afirma.

2016_08_09 Hotelaria hotel Kairos - em (1)

 

Turismo cultural e de negócios coloca a cidade em destaque
Um dos principais fatores que colaboram para o desenvolvimento do setor hoteleiro em Jaraguá do Sul é o alto potencial do município para o turismo cultural e de eventos. Só no ano passado, a Scar (principal cede dos eventos na cidade) realizou 341 eventos, sendo 75% deles na área cultural e o restante nas áreas corporativa, técnica e estudantil. Nos últimos dez anos, o número de eventos do centro cultural dobrou, assim como o público, que chegou a 122 mil pessoas em 2014. Desde 2003, mais de 1,2 milhões de pessoas passaram pelo local.

75De acordo com a diretora executiva do Vale dos Encantos Convention e Visitors Bureau, Ariane Raizer, o turismo de negócios é hoje o que mais reflete na ocupação hoteleira da cidade e, com a retração da economia, teve papel decisivo na manutenção do mercado local, que envolve os setores de hotelaria, serviços e alimentação.

“Durante a semana, o maior movimento é promovido pelo turismo de negócios. O cenário atual tem estimulado muito as empresas a manterem seus eventos na cidade sede, por isso, alguns eventos confirmados ainda no ano passado conseguiram dar um gás no setor em Jaraguá do Sul”, avalia. Dentre os eventos de maior peso estão a 46ª edição da Assembleia Nacional da Assemae, que recebeu mais de dois mil profissionais de todo país em maio.

Conforme Ariane, a tendência agora é investir na atração do consumidor interno. “Temos que divulgar o potencial do município, como turismo histórico, religioso e de esporte de aventura”, destaca. Segundo o Ministério do Turismo, a procura pelo Brasil como destino de ecoturismo e turismo de aventura subiu de 12,8% em 2014, para 15,7% no ano passado.

“Nos últimos anos também avançamos muito na divulgação de eventos culturais como o Femusc e a Schützenfest, temos que fazer o mesmo com a nossa programação de fim de semana, que é muito rica. São alternativas para evitar uma retração mais significativa do setor”, destaca.

2016_08_10 Hotel estancia Vale das Pedras - em (50)

Para a gerente Aline Gonçalves, é preciso investir em inovação para se diferenciar no mercado

Programação temática atrai visitantes
Apostando na preferência dos turistas por experiências diferenciadas e exclusivas, o hotel fazenda Vale das Pedras investiu pesado na criação de ações temáticas para toda a família. Em agosto, por exemplo, a temática “mês do boteco” traz sommeliers e chefs de cozinha para ensinar tudo sobre harmonização, degustação e até mesmo produção de cerveja.

De acordo com a gerente do hotel, Aline Gonçalves, em tempos de crise, saber se reinventar é fundamental. A frente do cargo há seis anos, a profissional montou uma equipe especialmente dedicada ao acompanhamento e análise do mercado – tudo para garantir que o hotel estará preparado quando as cartas mudarem. O resultado é uma taxa média de ocupação de 100% aos fins de semana e um crescimento anual médio na casa dos 20%.

“Alto padrão de qualidade, atendimento e estrutura são essenciais, mas é preciso saber se diferenciar. Quando se trabalha com lazer, você está vendendo sonhos. Por isso, inovação é fundamental”, afirma Aline. Por lá, mais de 80% dos hóspedes são famílias e 99% optam por não sair da estrutura durante a hospedagem.

A receita tem dado certo. Apesar de esperar um crescimento mais contido este ano, até agora a taxa de ocupação do hotel já é superior à registrada no ano passado: foram recebidos, em média, 1.862 hóspedes por mês entre janeiro e julho deste ano, frente a uma média de 1.827 hóspedes por mês durante o ano de 2015. No total, 21.927 pessoas utilizaram a estrutura de 140 leitos no ano passado.

“Mesmo em época de crise, o hotel está contratando. Porém, a região ainda precisa evoluir em termos de profissionalização para o setor hoteleiro. Temos poucos cursos e capacitações”, avalia Aline, que coordena uma equipe de 58 pessoas. “O mercado exige profissionais preparados, sensíveis às nuances, capazes de fazer uma releitura da situação e se adaptar”, conclui.

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OCP News Jaraguá do Sul

Publicação da Rede OCP de Comunicação