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Oma Walz comemora 100 anos com três dias de festa, histórias e lições de vida em Schroeder

Fotos: Arquivo pessoal

Por: Gabriel JR

16/01/2026 - 14:01 - Atualizada em: 16/01/2026 - 14:56

Amália Krüger Walz, carinhosamente conhecida como Oma Walz, completou 100 anos de vida nesta sexta-feira (16) e transformou a data em uma grande celebração familiar em Schroeder. Segundo informações da família, ela é atualmente a mulher mais velha do município, feito que torna o aniversário ainda mais simbólico.

A comemoração acontece ao longo de três dias – nesta sexta, sábado e domingo -, reunindo filhos, netos, bisnetos, tataranetos, amigos e visitantes que fazem questão de prestigiar a centenária.

Oma Walz mora atualmente com a filha mais nova, Lori Walz, de 63 anos, em uma residência localizada na Rua Cristina Bauer, no bairro Centro Norte.

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Mesmo aos 100 anos, Oma Walz mantém uma rotina simples e tranquila. Dorme cedo, por volta das 19h, acorda sem horário fixo, geralmente após as 8h da manhã, e preserva hábitos que a acompanham há décadas.

À noite, não abre mão de uma fatia de pão, toma chá todos os dias e, semanalmente, aprecia uma cervejinha. Em ocasiões especiais, também gosta de vinho e até de uma caipirinha, sempre com moderação.

“Ela faz tudo no ritmo dela. Se alimenta sozinha, caminha normalmente, sem andador, e é muito independente”, contou a filha Lori. “O dia a dia é bem tranquilo”.

Uma vida inteira de trabalho e superação

Nascida em Ribeirão Grande, no interior de Jaraguá do Sul, Amália trabalhou desde cedo na roça, lidando com o cultivo de tabaco, milho e aipim. O trabalho no campo fez parte da rotina até cerca dos 64 anos de idade, ajudando a construir a história de uma mulher forte e determinada.

A infância também foi marcada por perdas precoces. Amália perdeu a mãe quando tinha apenas 6 anos de idade. O pai faleceu mais tarde, aos 88 anos, quando ela já tinha 56 anos. Atualmente, Oma Walz tem ainda uma irmã viva, com 98 anos, que mora em São Paulo e encontra-se acamada.

Na vida adulta, enfrentou outras dores. Ficou viúva do primeiro marido, Alvino Walz, que morreu com cerca de 78 anos. Anos depois, após dez anos viúva, decidiu dar uma nova chance ao amor. Segundo a família, Amália tinha exigências bem claras para um novo companheiro.

“Ela dizia que só arrumaria alguém se fosse aposentado, tivesse carro e casa na praia”, relembra a família, entre risos. O escolhido foi Werner, com quem passou a viver quando tinha 74 anos. O relacionamento durou seis anos, até o falecimento dele.

Outro momento marcante foi a perda de um dos filhos, aos 33 anos, quando Amália tinha 69 anos. Ainda assim, a fé sempre foi um pilar essencial em sua vida. “Ela acorda todas as manhãs agradecendo a Deus pela vida e dizendo que quer viver mais e mais”, destacou Lori. “Isso impressiona muito”.

 

Independência e memória preservadas

Até os 92 anos, Oma Walz morou sozinha. Ao longo da vida, teve poucas internações. Uma delas ocorreu quando ainda morava sozinha, por causa de uma pneumonia. Nos últimos anos, foi internada apenas duas vezes, sem gravidade.

Atualmente, não faz uso contínuo de medicamentos, apenas de um anti-hipertensivo pela manhã, e recebe acompanhamento médico a cada seis meses. “Os exames dela estão todos ótimos. A médica até brinca que estão melhores do que os nossos”, contou Lori.

Mesmo com pequenas limitações na audição e na visão, OmaWalz mantém boa memória e autonomia. Entre os passatempos preferidos ao longo da vida estavam os jogos de ludo e resta um, que ela adorava jogar com familiares.

Fotos da família em outros aniversários da Oma

Família grande e comemoração que virou tradição

A família de Oma Walz é numerosa: são 13 filhos (um já falecido), 30 netos, 32 bisnetos e quatro tataranetos, com o quinto a caminho.

Durante o fim de semana, familiares vindos de cidades como Curitiba, Pomerode e São Francisco do Sul se revezam para participar da comemoração.

Amália Krüger Walz ao lado dos filhos, em registro feito no ano de 2023

O neto Jean Carlos Walz destacou a importância da data. “Hoje é um dia muito especial. São 100 anos de vida e três dias de festa. A gente só tem a agradecer por todas as mensagens e pelo carinho das pessoas”, afirmou.

A neta Flávia Karolina Walz também falou do dia a dia da avó. “Ela ainda toma a cervejinha dela. Nesse calor, até que vai bem”, comentou, em tom descontraído.

Segundo a família, a ansiedade de Oma Walz com o aniversário é algo curioso e recorrente. “Um mês antes, ela já começa a se preocupar se vai ter comida suficiente, onde os carros vão estacionar, onde o pessoal vai dormir”, contou Lori, sorrindo. “Ela pensa em tudo”.

Oma Walz ainda aprecia tomar uma cervejinha gelada de vez em quando

Um exemplo de cuidado e empatia

Para Lori, conviver diariamente com a mãe é uma lição constante. “Cada um tem que cuidar do seu pai, da sua mãe, de uma pessoa idosa. A gente também quer chegar lá e ser bem cuidado”, refletiu. “Hoje em dia falta empatia. As pessoas não se colocam no lugar do outro. Aqui, a família é muito unida, todos ajudam, e isso faz toda a diferença”.

Em poucas palavras, a própria aniversariante resumiu o sentimento do dia. “Muito obrigada por tudo. Eu estou muito feliz”, disse Oma Walz, cercada de abraços.

Com fé, simplicidade e uma história marcada por trabalho, perdas, amor e união familiar, Oma Walz celebra 100 anos como um verdadeiro símbolo de longevidade e inspiração em Schroeder – e segue comemorando a vida, do jeito que sempre gostou: cercada por quem ela ama.

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Gabriel JR

Repórter e radialista com 15 anos de experiência na área de comunicação