O mar avançou e provocou alagamentos em Jaguaruna, Laguna e Imbituba, no litoral sul de Santa Catarina, na manhã desta segunda-feira (21). A Defesa Civil estadual confirmou que o fenômeno pode ser classificado como um tsunami meteorológico, provocado por condições atmosféricas específicas, e não por terremotos. O episódio danificou edifícios e embarcações com a força da água.
Segundo Robson Costa, engenheiro ambiental e professor da Estácio, o fenômeno ocorre de maneira diferente dos tsunamis de origem sísmica. “Diferente dos tsunamis de origem sísmica, esse fenômeno não tem relação com terremotos. Ele é gerado por perturbações atmosféricas, mais especificamente, por variações bruscas de pressão e ventos intensos atuando sobre o oceano”, explica.
O especialista informa que a configuração do litoral também pode contribuir para a intensificação do fenômeno. “Essas condições, quando se deslocam na velocidade certa sobre a plataforma continental, transferem energia para a coluna d’água por um mecanismo conhecido como ressonância de Proudman. A onda gerada se propaga até a costa e, em baías e enseadas com geometria adequada, é amplificada pela ressonância local. Foi o que aconteceu em Laguna e Imbituba. O principal risco não está necessariamente na altura da onda, mas na quantidade de água que pode avançar rapidamente sobre áreas costeiras”, afirma.
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Embora seja considerado raro, o tsunami meteorológico não é inédito em Santa Catarina. Há registros do fenômeno na região em anos anteriores, incluindo ocorrências em Laguna em 2023 e em Jaguaruna em 2024. “E é aqui que entra a questão climática. Estamos em um ano de El Niño forte, e isso muda o padrão de circulação atmosférica no Sul do Brasil. As frentes frias e os sistemas convectivos ficam mais estacionários sobre a região, aumentando a instabilidade e a frequência de linhas de instabilidade, exatamente o tipo de sistema que dispara um tsunami meteorológico”, alerta Costa.
Além das condições meteorológicas, o evento chama atenção para os efeitos de longo prazo da elevação do nível do mar e para a necessidade de aprimorar a prevenção. “Do ponto de vista de gestão de risco, o evento reforça três necessidades: ampliar o monitoramento contínuo do nível do mar em enseadas vulneráveis, integrar os radares meteorológicos com sistemas de alerta de elevação súbita, e incorporar o volume de inundação, e não apenas a altura de onda, como parâmetro de projeto em obras costeiras nessas regiões”, conclui o engenheiro.