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No Dia de Combate à Discriminação Racial, caso de Criciúma ganha repercussão nacional

Por: OCP News Criciúma

21/03/2022 - 18:03 - Atualizada em: 21/03/2022 - 18:43

Nesta segunda-feira (21 de março) é o Dia Internacional de Combate à Discriminação Racial e Criciúma ganhou repercussão, em nível nacional, devido a um caso de racismo ocorrido na última sexta-feira.

Uma menina de sete anos, vestida de princesa, foi chamada de “macaca” em uma rede social. Os pais já registraram boletim de ocorrência e a autora do comentário criminoso, Vanice Damiani, deixou as redes sociais após o racismo vir à tona.

Entidades, coletivos, sociedade civil organizada, dentre outros, manifestaram-se sobre o tema. O Coletivo Chega de Racismo Criciúma abordou em texto, com o título “Racismo: Esse debate é de todos e todas”, uma reflexão sobre a necessidade do posicionando da empresa a qual a mulher trabalha.

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Confira:

“O caso de racismo que aconteceu contra uma criança aqui em Criciúma no último dia 18/03 levantou a necessidade de um debate importante. Qual o papel das empresas e instituições quanto a isso? Por elas devem se envolver e contribuir contra as práticas racistas que acontecem na sociedade, e particularmente, nos seus espaços. O caso da menina repercutiu muito porque um dos motivos, foi que a pessoa que praticou tal ato trabalho numa grande empresa de confecção na cidade. E o que a empresa tem a ver com isso? Tem uma máxima no movimento negro que a seguinte: se você não se posiciona contra o racismo você também é racista, ou pelo menos contribui para reproduzir o racismo. Por isso exigimos enquanto movimento negro uma posição da empresa. Queremos saber se ela é a favor desses atos, partindo de seus funcionários ou donos, porque do contrário, torna-se cumplice.

Os grilhões da escravidão deixaram profundas marcas na história brasileira, no entanto, a dificuldade no debate público sobre os resquícios desta história tem inibido os próprios processos de combate ao racismo. É a experiência escravagista um dos caracteres mais perversos que marcaram a história da sociedade brasileira. E nela está pautada a opressão que foi estabelecida sobre os negros e as negras brasileiras e se tornou ainda mais aguda porque o Estado, depois da farsa abolição, intensificou o racismo estrutural na exploração capitalista na divisão racial do trabalho.

Empresas, escolas, universidades, segmentos políticos, imprensa entre outras setores precisam abraçar a causa negra e se posicionar duramente contra atos racistas. Isso corresponde em tarefas comuns a negros, brancos, oprimidos e explorados, correndo todos os riscos que ela apresenta, mas compreendendo que ela se faz pertinente. Por essas e outras, reafirmamos que a luta contra o racismo só pode se dar através da organização de negros e de negras em aliança com a classe operária, a juventude e todos os demais setores explorados e oprimidos da sociedade.

Que lutar contra o racismo é lutar também contra o sistema que dele se beneficia. Que nossa luta não é pela tão alardeada “cidadania negra”, defendida por alguns setores da sociedade brasileira, mas sim, pela real libertação de negros e de negras, no marco da luta de classes. Que esta é uma batalha que só pode ser travada com raça e classe.

Queremos uma Criciúma, uma Santa Catarina, um Brasil e um mundo contra o racismo!”.

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