Jaraguaenses vão ao Rio Grande do Sul para atuar como voluntários

O projeto visa melhorar a resposta a eventos extremos | Foto: Fabio Junkes/OCP News

Por: Elisângela Pezzutti

15/05/2024 - 07:05 - Atualizada em: 28/05/2024 - 16:32

O sargento da Polícia Militar, Marcos Paulo Cattoni, acompanhado de outros dois amigos jaraguaenses, viajou de carro para o RS na manhã desta terça-feira (14). Junto com eles, levam um barco, que é de um dos acompanhantes, duas barracas com capacidade para até 12 pessoas, camas de campanha, colchões infláveis, sacos de dormir e outros materiais que ele pegou no camping do qual é dono.

“A gente vai instalar tudo lá, com uma cozinha, para criar uma base de apoio para que as equipes voluntárias possam se revezar e descansar”, explica Cattoni, que também organizou as equipes. “Eu e o Dirceu, que tem o barco, vamos ficar direto por lá, mas as equipes vão se revezar de cinco em cinco dias”, diz, explicando que todos que vão são voluntários que passaram por uma espécie de triagem. “São pessoas mais qualificadas. Eu não posso mandar para lá pessoas que estão muito abaladas emocionalmente ou que tenham alguma dificuldade física ou doença”, observa.

Segundo o sargento Marcos Cattoni, a princípio a ideia é trabalhar com a embarcação na retirada de famílias e pessoas que ainda resistem em deixar suas casas, mas que terão que fazê-lo em decorrência da volta da chuva na região, que faz com que os níveis de água dos rios aumentem mais ainda. A próxima equipe montada por ele viaja para o RS no próximo sábado (18).

O sargento da PM, Marcos Cattoni, partiu para o RS acompanhado de amigos nesta terça-feira (14) | Foto: Redes sociais

Alimento para o corpo e a alma

O chef Ícaro Conceição, gaúcho de Porto Alegre que há 13 anos mora na Austrália, estava em Maragogi, no norte de de Alagoas, como parte de uma viagem gastronômica que vem realizando pelo Brasil ao lado de Hichel Rodrigues, participante do reality show MasterChef Profissionais, transmitido pela Band TV. Quando soube da situação que o Rio Grande do Sul enfrenta ele decidiu interromper o seu roteiro, inclusive desmarcando eventos já agendados, e veio dirigindo até o seu estado natal.

“Enquanto a gente descia de Maragogi para Porto Alegre – o que demorou três dias, dirigindo 18 horas por dia, com algumas paradas – eu estava unindo as cozinhas e organizando frentes. Tem amigos meus, outros chefs, fazendo aplicativos para ajudar a unir todas as cozinhas do Sul do país. Então a gente uniu as cozinhas de Porto Alegre e agora vamos unir as da Serra Gaúcha e do Vale dos Sinos para ter uma central de distribuição, onde a gente vai receber todos os insumos de doação para mandar para as cozinhas, como se fôssemos fornecedores, tanto de alimentos quanto de pessoas para trabalhar no preparo das refeições” explica Ícaro. Segundo ele, ao todo são mais de 50 pessoas só na logística e o grupo de frente é organizado pelo chef Ricardo Dornelles.

O chef gaúcho Ícaro Conceição vai utilizar sua experiência na cozinha para produzir milhares de marmitas por dia | Foto: Redes sociais

“Estou usando toda a minha experiência e quero iniciar produzindo 5 mil marmitas e depois aumentar para 10 mil marmitas por dia. Tenho uma estrutura já pronta, temos cozinheiros, insumos, e contamos com o pessoal da logística para colocar em prática isso tudo”, detalha. De acordo com o chef, por enquanto é necessária a mão de obra de quem já está em Porto Alegre e, na sequência, será necessária a ajuda de cozinheiros nas cidades metropolitanas de Porto Alegre. “A gente não quer ninguém vindo para cá por enquanto porque está um caos, vai faltar comida e alojamento”, ressalta, observando que é necessário que as pessoas continuem com as doações de comida, água e embalagens.

Ícaro observa, ainda, que o maior problema de logística é que a economia do Rio Grande do Sul será, aos poucos, retomada. “Com isso, os restaurantes e empresas vão começar a funcionar e esse voluntários vão voltar para os seus trabalhos. Quando isso acontecer a gente não vai ter mais voluntários e os que a gente tem não podem trabalhar de graça por muito tempo. Então, precisamos que essa economia rode de alguma maneira para os voluntários conseguirem ganhar alguma coisa, para continuarmos fornecendo essas marmitas. A reconstrução vai ser muito maior e devemos ficar, no mínimo, uns 40 dias realizando este trabalho”, finaliza o chef.

A jaraguaense Eloisa Spengler, conhecida como chef Lola, do Riso di Lola, é uma empresária, influencer e cozinheira, especialista em risoto. Ela viaja pelo Brasil ensinando técnicas e receitas inovadoras, como o risoto de café com gorgonzola, mas desta vez ela fará uma viagem diferente. No próximo dia 24, a chef também segue para o RS, onde se juntará a Ícaro e outros profissionais para atuar como voluntária na preparação de marmitas.

A chef jaraguaense Eloisa Splenger viaja ao RS para trabalhar como voluntária no próximo dia 24 |Foto: Redes sociais

“Impossível não se comover e querer ajudar! A expectativa é fazer milhares de marmitas por dia para ajudar as vítimas das enchentes. Não faço ideia de como será lá, o que irei ver e onde irei ficar. Mas juntamos ótimos profissionais para fazer um trabalho incrível, com logística de cozinha e qualidade nas refeições”, afirma Lola, que também está fazendo uma campanha para arrecadar dinheiro e roupas para mandar para o RS, já que o frio também chegou ao estado.

 

 

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