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Jaraguá do Sul transforma saneamento em qualidade de vida

O acesso à água tratada e os investimentos em saneamento básico são essenciais para a saúde, a qualidade de vida e o desenvolvimento das cidades | Foto: Imagem gerada por IA/OpenAI

Por: Debora Volpi

09/10/2026 - 07:10

2Se você está lendo este texto por volta das 9 da manhã, provavelmente, já abriu a torneira algumas vezes. Tomou banho, escovou os dentes, preparou um café, encheu uma garrafa de água. E, fez isso quase de forma automática, não é mesmo?

Segundo dados do Ministério das Cidades, o brasileiro gasta, em média, 154 litros de água por dia. O índice é 44 litros acima do indicado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que aponta que cerca de 110 litros de água por dia, por pessoa, seriam suficientes para atender às necessidades básicas de higiene e consumo.

Mas esse líquido tão essencial percorre um longo caminho, através de uma infraestrutura bastante complexa, até encontrar o ralo. Um fluxo que quase ninguém vê, mas que coloca Jaraguá do Sul em evidência quando o assunto é saneamento básico.

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Recentemente, servidores de autarquias de outros municípios do estado, como Brusque e Blumenau, e até mesmo de outros estados, como o Rio Grande do Sul, estiveram no Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) de Jaraguá do Sul em busca de uma resposta transparente: o que a cidade faz de diferente no sistema de abastecimento de água?

A resposta, de acordo com o diretor-presidente da autarquia, Onésimo Sell, está no planejamento. “O diferencial de Jaraguá do Sul está na continuidade dos investimentos em saneamento ao longo dos anos. Temos um plano a longo prazo. Outro diferencial é a gestão integrada das quatro vertentes do saneamento básico: abastecimento de água, esgotamento sanitário, resíduos sólidos e drenagem urbana”, destaca. Os investimentos atuais no setor, de acordo com a instituição, estão próximos a casa dos R$ 100 milhões.

O copo parece mesmo estar cheio. Afinal, são 99,8% da população com abastecimento de água potável — no Brasil, a média é de 83,1%. Já o índice de cobertura do saneamento básico da área urbana atingiu a marca de 92,59% em abril deste ano. O município contabiliza mais de 725 quilômetros de redes coletoras, além de quatro estações de tratamento em operação. E, a coleta seletiva está disponível para 100% da população.

Números que ainda podem evoluir. Mas muito à frente da realidade catarinense. Afinal, o estado, apesar de colecionar bons índices de desenvolvimento econômico, ainda precisa avançar muito nesse setor. Santa Catarina possui apenas 33,97% de cobertura da rede coletora de esgoto. No Brasil, o percentual é de 59,7%.

Foto: Divulgação/Samae

Muito além das torneiras

Detentora de títulos como “cidade mais segura do Brasil”, entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, e campeã nacional no Prêmio Band Cidades Excelentes 2025, Jaraguá do Sul tem sede de futuro. E, gota a gota, vê esse investimento em saneamento básico retornar ao município em forma de desenvolvimento econômico.

Um estudo do Instituto Trata Brasil aponta que cada R$ 1 investido na universalização dos serviços de saneamento básico volta como R$ 6,10 para a sociedade. “Para um polo industrial como Jaraguá do Sul, o investimento nessa área significa um ambiente propício para o crescimento da produtividade da cidade e qualidade de vida para os habitantes nas próximas décadas”, declara a presidente-executiva do Trata, Luana Pretto. “Saneamento básico é um agente de desenvolvimento, seja social, ambiental ou econômico. Quando a água chega tratada e o esgoto é coletado e tratado, o trabalhador adoece menos, falta menos e tem mais condição de crescer na carreira”, resume.

“Uma cidade que garante água tratada, coleta e tratamento adequado do esgoto, reduz a exposição da população a agentes contaminantes e contribui para a prevenção de doenças”, acrescenta Sell. Dados de 2024 do Painel Saneamento Brasil apontam que Jaraguá do Sul teve 14,10 internações por doenças de veiculação hídrica para cada 10 mil habitantes, enquanto a média brasileira foi de 15,81 e a da região Sul, de 17,14.

A presença dessa infraestrutura também contribui para a valorização dos imóveis, no munícipio, para a organização e o desenvolvimento urbano, turismo e, para a melhoria das condições de vida da população.

Figurando entre as dez maiores economias do estado, Jaraguá do Sul não deixa as oportunidades de negócios escorrerem pelos dedos. O saneamento básico se transforma ainda em um importante atrativo para a instalação e expansão de empresas e para a retenção de novos negócios.

Um mergulho na conscientização

Não basta transbordar bons exemplos. É preciso abastecer o futuro com informação e atitude. Por isso, o Programa de Educação e Valorização da Água (Proeva), desenvolvido desde 2005 pelo Samae em parceria com a Secretaria Municipal de Educação tem um objetivo claro: fazer as futuras gerações mergulharem fundo na conscientização. A cada ano, o programa forma mais de

2,5 mil amigos da água, ensinando as crianças, das redes de ensino pública e privada, de forma interativa e dinâmica, temáticas relacionadas à conservação da água.

A estudante Laura DallAnese de Campos, de 13 anos, bebeu dessa fonte. E, trouxe para dentro de casa a mudança de pequenos hábitos. “Eu aprendi sobre como cuidar da água. Sobre não desperdiçar. Depois do Proeva, eu fiquei muito mais atenta ao tempo que eu gasto no banho, escovando os dentes ou lavando a louça”, relatou. Atitudes que podem parecer gotinhas no oceano. Mas, que, certamente, farão a diferença no futuro que respinga em toda uma cidade.

Laura DallAnese de Campos, de 13 anos, aprendeu no Proeva a importância de economizar água e levou novos hábitos para casa| Foto: Juliana Conti

Você sabia?

A ONU lançou em 2015 os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), uma agenda de sustentabilidade adotada pelos países-membros da ONU para ser cumprida até 2030. O objetivo de número 6 é “assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos”. Neste objetivo, estão definidas como metas a distribuição de água de forma igualitária para a população mundial, a melhoria da qualidade da água, o fim da defecção a céu aberto e a garantia de saneamento para todos.

Imagem elaborada com auxílio de IA

 

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Debora Volpi

Jornalista, especialista em Gestão de Negócios e Gestão da Comunicação Empresarial, empreendedora, Diretora da Entrelinhas e criadora de conteúdo.