A disseminação das redes sociais e a agilidade da comunicação online levou a uma explosão de desinformação na forma das famigeradas “Fake News”. Elas são um problema antigo, mas, com a internet, tornaram-se ainda mais perigosas e ganharam um peso infinitamente maior, capaz de influenciar o rumo de eleições e causar efeitos devastadores à imagem de empresas, instituições e pessoas.
Disfarçadas de conteúdo jornalístico, as fake news viralizam nas redes sociais divulgando informações comprovadamente falsas, muitas vezes, com discursos de ódio e sem autoria. De acordo com o especialista em direito digital, Raphael Rocha Lopes, as pessoas tendem a compartilhá-las facilmente por dois motivos – ambos motivados mais por um desejo de auto-afirmação do que por veracidade.
O primeiro deles é porque querem fazer parte de algum grupo, desejam ter sensação de pertencimento. Segundo, porque, mesmo sabendo ou desconfiando que a notícia seja falsa, gostariam muito que fosse verdadeira, já que está de acordo com os próprios pensamentos, sejam eles políticos, ideológicos, religiosos ou de qualquer outra natureza.
No Brasil, há legislações que são instrumentos para reprimir as fake news, como o Marco Civil da Internet (MCI), o Código Civil e o Código Penal, disciplinando, direta ou indiretamente, o uso de redes sociais no país. Porém, recentemente, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) assinou a Medida Provisória 1068, que dificulta a remoção de notícias falsas na internet – o que teria potencial para favorecer a propagação de fake news de maneira impune.
Segundo Rocha Lopes, a alteração infringe a Constituição Federal, pois, não é uma pauta urgente que pudesse ser objeto de Medida Provisória, além de ter outras distorções técnicas. “O ato também fragiliza nossos direitos constitucionais, muda da noite para o dia uma lei debatida por anos e é uma norma sem precedentes em qualquer outro país”, explica. Líderes partidários já se movimentam contra a medida provisória.
O especialista também lembra que o compartilhamento de notícias falsas não é feito apenas por usuários comuns. Robôs, os famosos “bots”, dotados de inteligência artificial ou não, simulam ações humanas na internet e promovem a divulgação de fake news, geralmente, sob o comando de grupos organizados.
Hoje, veículos de imprensa reconhecidos e redes sociais contam com sistemas de checagem de fatos, que facilitam a identificação de informações inverídicas. Conforme Rocha Lopes, outra forma de não se deixar enganar pelas fake news é sempre considerar a fonte da notícia, analisar quais são os conteúdos publicados normalmente pelo site, checar os autores e data da matéria, consultar outras fontes e especialistas, ler além do título e analisar se seus ideais não estão influenciando o seu julgamento.
*Com informações de assessoria de imprensa.
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