A presença de imigrantes húngaros está entre os pilares da formação histórica e cultural de Jaraguá do Sul. O processo teve início ainda no fim do século XIX, em um contexto de reorganização das terras públicas no Brasil após a Proclamação da República, em 1889.

Mapa mostra sequência da colonização húngara em Jaraguá do Sul
Com a mudança administrativa, as chamadas terras devolutas passaram ao domínio da União e, posteriormente, dos estados. A partir de 1891, o governo catarinense iniciou a colonização dessas áreas por meio do Departamento de Terras e Colonização, com sede em Blumenau.
Na região de Jaraguá do Sul, a ocupação ocorreu de forma planejada e diversificada: enquanto alemães e italianos se estabeleceram principalmente nas regiões do Rio da Luz e Rio Cerro, os húngaros foram direcionados para áreas como Garibaldi e Jaraguá Alto.
Diferentemente de outros grupos, os húngaros vieram diretamente para o município, caracterizando-se efetivamente como imigrantes da região. A chegada ocorreu principalmente entre 1891 e 1896, com famílias oriundas do antigo Condado de Veszprém. Ao todo, cerca de 705 imigrantes húngaros, organizados em aproximadamente 80 famílias, se estabeleceram na cidade entre 1891 e 1986.

Imigrantes húngaros em Jaraguá do Sul. Foto: Almanaque OCP
Os primeiros núcleos se concentraram em áreas que hoje correspondem aos bairros Garibaldi, Jaraguá 99 e Jaraguá 84. Esses grupos tiveram papel relevante no desenvolvimento local, contribuindo para a organização comunitária, atividades econômicas e formação cultural do município.
Mesmo após mais de um século, a influência húngara permanece visível em Jaraguá do Sul. Elementos da cultura seguem preservados, especialmente na gastronomia e nas tradições comunitárias. Um dos principais marcos históricos é a Igreja Santo Estevão, considerada um símbolo da resistência cultural e religiosa dos descendentes.
Praça Húngara

Foto: Fábio Junkes/OCP News
Mais recentemente, a cidade reforçou esse legado com a inauguração da Praça Húngara (Magyar Tér), em outubro de 2024, no bairro Santo Estevão. O espaço, com cerca de 2,5 mil metros quadrados, foi concebido como um local de memória e valorização da cultura húngara. Entre os destaques estão a “Lança Húngara”, símbolo de força e união da comunidade, doada ao município em 1996, e o “Portal dos Heróis”.