O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) realizou análises físico-químicas (ainda em fase de conclusão), além de análises voltadas à verificação da eventual ocorrência de floração de microalgas, para chegar a uma resposta sobre a mortandade de peixes registrada na manhã de quarta-feira (22), em área localizada no Manguezal do Itacorubi, em Florianópolis.
A atuação do Instituto ocorreu após acionamento por parte da Floram, responsável pela gestão da área, com o objetivo de prestar apoio técnico na avaliação do evento. Equipes do IMA foram mobilizadas para realização de vistorias em campo, levantamento preliminar da situação e coleta de amostras ambientais.
As amostras coletadas estão sendo processadas em laboratório, com o objetivo de avaliar parâmetros de qualidade da água e identificar possíveis alterações associadas ao evento.
A análise inicial conduzida pelos técnicos do IMA está detalhada no Relatório IMA n° 555/2026/IMA/CFI: “Nota Técnica: Mortandade de Manjubinhas no Manguezal do Itacorubi”.
De acordo com as avaliações, ainda preliminares, o fenômeno apresenta características semelhantes ao registrado em março de 2024, quando grandes florações de microalgas da família Karenaceae se espalharam pelas Baías Norte e Sul. Imagens de satélite e análises realizadas em parceria com o IFSC, em Itajaí, indicam similaridade entre os dois eventos.
Nesse contexto, o servidor do IMA, oceanógrafo Dr. Carlos Eduardo Junqueira de Azevedo Tibiriçá, especialista na área, apresenta a seguinte análise técnica:
“Recentemente (22/04/2026), foi registrada a mortandade de peixes, principalmente manjubinhas, no Manguezal do Itacorubi, Florianópolis/SC. Este evento é muito semelhante ao ocorrido em março de 2024, sendo causado por grandes florações de microalgas (da família Karenaceae) que se espalharam pelas Baías Norte e Sul. Imagens de satélite e análises realizadas em parceria com o Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) em Itajaí confirmam a similaridade do evento atual com o de 2024. A hipótese central é que essas microalgas estão sendo empurradas pelas correntes para áreas com menor circulação de água, como alguns canais dentro do manguezal, criando um ambiente crítico para a fauna local. A principal causa da morte dos peixes deve ser a falta de oxigênio na água, processo conhecido como hipóxia (análises in situ realizadas pelo IMA indicaram pontos com oxigênio dissolvido próximo a zero). Durante a noite, a grande quantidade de algas consome o oxigênio para respirar e, ao morrerem, sua decomposição no fundo do manguezal consome ainda mais o oxigênio da água. Quando esse processo ocorre em área com baixa circulação, espécies sensíveis, como a manjubinha, não conseguem suportar, levando à sua morte em massa. Pontua-se que a floração é um evento complexo e dinâmico. A densidade celular e as espécies mudam o tempo todo, e precisam de monitoramento. As análises realizadas até o momento apontam para essa conclusão preliminar, mas novos dados continuam sendo obtidos e interpretados para entendermos melhor o fenômeno. Recomenda-se que os municípios afetados pela mortandade de peixes procedam com a retirada e descarte adequado dos peixes mortos, pois sua decomposição pode agravar os problemas; ainda, que peixes mortos ou morimbundos não sejam coletados ou consumidos; e, por fim, que banhistas evitem áreas com manchas incomuns na água, acompanhando os relatórios de balneabilidade do IMA.”
O Instituto reforça que florações de microalgas são fenômenos complexos e altamente dinâmicos, podendo variar rapidamente em intensidade, extensão e composição de espécies. Dessa forma, o monitoramento contínuo é essencial para a adequada compreensão e gestão desses eventos.
Como medida preventiva, o IMA indica que as recomendações apresentadas no relatório sejam seguidas. Paralelamente, está elaborando um relatório técnico mais abrangente sobre o episódio. O documento reunirá análises ambientais detalhadas, avaliação da dinâmica do evento além de dados de monitoramento, imagens de satélite e demais evidências científicas necessárias para embasar o laudo conclusivo.
A previsão é que o relatório final seja concluído no prazo de até 20 dias.