Gênio da Maré: menino de 7 anos cria jogo após curso da Universidade Harvard

Foto: Arquivo Pessoal

Por: Isabelle Stringari Ribeiro

11/12/2023 - 10:12 - Atualizada em: 11/12/2023 - 10:56

Adriano Álvaro Melo, um garoto de 7 anos com habilidades impressionantes, morador do Complexo da Maré, comunidade do Rio de Janeiro viu seu sonho de se tornar um super-herói, apelidado de “Super Alvinho”, tornar-se realidade. Esse feito foi possível graças ao primeiro jogo que ele desenvolveu após concluir um curso on-line oferecido pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, onde pôde explorar suas capacidades.

Em inglês, um idioma que ele dominou por conta própria através de um aplicativo, ele compartilha a trajetória de um cientista notável.

“Agora posso usar os meus superpoderes para aprender mais. Quero construir robôs agrícolas e fazer pesquisas para melhorar a produção e distribuição de alimentos no mundo”, diz Super Alvinho no jogo. O interesse pela agricultura surgiu durante viagem para visitar familiares em Santana do Manhuaçu (MG).

“Quando eu crescer, quero trabalhar tanto com agronomia quanto com robótica. A junção dos dois pode fazer com que eu acabe com a fome. Passar fome deve ser horrível”, conta Álvaro.

O menino acumula 41 certificados, entre eles seis cursos agrícolas oferecidos pelo Sebrae. Um desses cursos, com uma carga horária de 32 horas, foca no “jovem empreendedor no campo”. Enquanto isso, o restante de suas horas de estudo está dedicado a programação, inglês, xadrez e robótica. Recentemente, Álvaro ministrou sua primeira palestra na Universidade Federal Fluminense (UFF) durante um evento sobre Pedagogia Social, compartilhando sua notável trajetória.

Curso de Harvard

O curso da Universidade de Harvard é oferecido gratuitamente, mas o certificado de conclusão tem um custo de US$ 299, aproximadamente R$ 1,5 mil. Sem condições de arcar com essa despesa, Álvaro obteve uma bolsa por meio do programa de assistência da instituição, destinado a alunos de baixa renda. Para conquistar essa oportunidade, o menino teve que responder em inglês sobre a situação financeira da família e como o curso contribuiria para seus objetivos de vida.

As aulas tiveram uma duração de três semanas, todas ministradas em inglês. Embora não haja uma idade específica exigida, o curso é recomendado para participantes com mais de 8 anos.

A suspeita de que a criança possuía uma habilidade notável para aprender surgiu aos 3 anos. De acordo com a mãe, Priscilla de Melo, Álvaro tomou a iniciativa de ingressar na creche por conta própria.

A bióloga explica que seu filho ficou desapontado por não adquirir tanto conhecimento quanto esperava na creche. Durante a pandemia, aos 4 anos, ele começou a ler e escrever usando o aplicativo GraphoGame do MEC, indicado para crianças do 1º e 2º anos do ensino fundamental.

“Começamos a notar que ele realmente tinha um aprendizado fora da realidade de sua faixa etária e realizamos o teste de altas habilidades. Na época, eu precisei fazer uma vaquinha porque custou R$ 3 mil e eu não tinha condições de pagar “, explica Priscilla.

A história de Álvaro foi descoberta pelo portal Maré de Notícias, que acompanha a rotina do conjunto de favelas da Zona Norte do Rio.

O garoto frequenta três vezes por semana uma escola evangélica, participa de um projeto de xadrez voltado para crianças e integra uma turma de robótica na UFRJ. No decorrer deste ano, ele também se matriculou em um curso particular de inglês. Sem aderir à rotina tradicional de ensino, realiza seus estudos por meio de um notebook em casa. Esse método peculiar de aprendizado inspirou a criação de seu próprio livro intitulado “Disciplina Única: Conhecimento de Mundo”. A obra registra inclusive as apresentações de trabalho realizadas em sua residência.

“Nós tentamos achar uma solução, mas toda unidade educacional que nos indicavam não era completa, sempre estava faltando algo. Eles querem dar uma alfabetização tradicional, sendo que o meu filho precisa de mais recursos. Já cheguei até a ouvir algumas falas racistas. Questionaram diversas vezes o teste de altas habilidades que fizemos, falavam que ele não tinha o perfil de uma criança com esse diagnóstico. O que seria esse perfil? Uma criança branca? Sendo assim, optei por ele conseguir entrar, por exemplo, na UFRJ, em um curso destinado a adolescentes de 14 anos. Abriram uma exceção. Fora isso, eu organizo diariamente as tarefas dele e corrijo cada uma delas”, finaliza Priscila.

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