A Prefeitura de Florianópolis, por meio da Secretaria Municipal de Saúde em parceria com o Projeto A Hora é Agora, consolidou a Capital como uma das principais referências do país na prevenção ao HIV ao alcançar o segundo lugar entre as capitais brasileiras no indicador “PrEP:HIV”, com índice de 13,38, resultado muito acima da média nacional, que é de 5,01, segundo dados mais recentes do Ministério da Saúde.
Esse indicador mede a relação entre o número de pessoas em uso da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e os novos casos de HIV registrados nos serviços de saúde. Na prática, isso significa que, para cada novo diagnóstico na cidade, mais de 13 pessoas estão utilizando a PrEP de forma ativa, uma estratégia que pode reduzir em até 99% o risco de infecção quando seguida corretamente.
O resultado reflete diretamente a atuação da rede municipal de Saúde, que vêm fortalecendo políticas públicas voltadas à prevenção, ampliando o acesso aos serviços, qualificando o atendimento e investindo em estratégias como oferta de preservativos externos e internos, gel lubrificante, testagem de HIV/outras ISTs, autotestes de HIV e facilitação do acesso à PEP (tratamento que é iniciado em até 72h após uma relação sexual sem preservativos para evitar a infecção pelo HIV) e à PrEP. Outro diferencial é a abordagem acolhedora e livre de estigmas, que facilita o acesso da população aos serviços de saúde.
Do ponto de vista epidemiológico, um indicador acima de 3 já aponta uma tendência de queda nos novos casos de HIV. Com um índice de 13,38, Florianópolis ultrapassa com folga esse parâmetro e se consolida como referência nacional, demonstrando que políticas bem estruturadas conseguem impactar de forma concreta o avanço da doença.
“Mesmo com os resultados positivos, o desafio permanente é ampliar ainda mais o alcance dos serviços. A meta é garantir que a informação e o acesso à PrEP cheguem a todas pessoas e regiões da cidade, fortalecendo a resposta à epidemia e servindo de modelo para outras capitais”, destaca o coordenador do Departamento de Gestão da Clínica da Secretaria Municipal de Saúde e médico de família, Ronaldo Zonta.
Prevenção e tratamento como estratégia central
A atuação da Secretaria Municipal de Saúde tem sido determinante para a mudança no cenário epidemiológico da cidade. Entre 2019 e 2024, Florianópolis registrou redução de 29% nos novos casos de infecção por HIV e de 29,1% nos casos de aids, a maior queda acumulada entre todas as capitais brasileiras nesses indicadores.
Em dezembro de 2025, o município também recebeu o Selo Prata de Boas Práticas Rumo à Eliminação da Transmissão Vertical do HIV e o Selo Bronze de Boas Práticas Rumo à Eliminação da Transmissão Vertical da Sífilis, reconhecimento que comprova a qualidade do atendimento no pré-natal e a eficácia das ações que evitam a transmissão do HIV e da sífilis de gestantes para os bebês.
Esses resultados são sustentados pela estratégia de Prevenção Combinada, que integra diferentes métodos de cuidado e proteção, considerando as necessidades específicas de cada população. Entre as ações estão o uso de preservativos, testagem regular para HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), uso de PrEP e PEP, tratamento antirretroviral e iniciativas de redução de danos.
Dados de fevereiro de 2026 apontam que, desde 2018, 6.103 pessoas iniciaram o uso da PrEP em Florianópolis. Atualmente, 2.759 seguem em uso regular da profilaxia.
O indicador “PrEP:HIV” permite uma análise mais ampla da resposta à epidemia: não se trata apenas de aumentar o número de usuários de PrEP, mas de garantir que esse crescimento seja proporcional à redução de novos casos. Quanto maior essa relação, maior a cobertura preventiva da população.
Uma razão igual ou superior a 3 já representa queda na incidência de HIV. Em Florianópolis, o índice saltou de 7,88 em junho de 2023 para 13,38 em fevereiro de 2026, reforçando o impacto das políticas públicas implementadas.
“Esse resultado coloca Florianópolis na linha de frente da luta por uma geração livre de HIV/aids”, reforça Ronaldo Zonta.
Cenário da prevenção e assistência na Capital
Florianópolis vem se destacando nacionalmente com uma série de iniciativas contínuas de enfrentamento ao HIV e outras ISTs, muitas delas pioneiras no país. As ações são desenvolvidas ao longo de todo o ano, com apoio do projeto “A Hora é Agora”, dentro da estratégia “Pare o HIV Floripa”.
A testagem para HIV, sífilis e hepatites B e C é recomendada para todas as pessoas sexualmente ativas, pelo menos uma ou duas vezes ao ano. Os exames estão disponíveis nos Centros de Saúde, com agendamento pelo Alô Saúde Floripa (0800 333 3233) ou diretamente com as equipes de Saúde da Família.
O município também conta com três Centros de Testagem e Resposta Rápida (CTRr), localizados nas Policlínicas do Centro, Continente e Norte, com atendimento por demanda espontânea ou mediante agendamento pelo link bit.ly/agendamentotesterapidoist.

Foto: Divulgação/PMF
Ampliação do acesso à prevenção
Para enfrentar a queda no uso de preservativos, especialmente entre jovens, Florianópolis disponibiliza gratuitamente diferentes tipos de preservativos, incluindo versões extrafina e texturizada, além de versões internas e gel lubrificante em toda a rede de saúde.
Outro serviço importante é a comunicação de parcerias sexuais, realizada de forma anônima e sigilosa pelos profissionais dos CTRr, permitindo que pessoas expostas ao risco sejam orientadas a realizar testagem.
O autoteste de HIV também está disponível para a população, podendo ser solicitado online (pelo site http://ahoraeagora.org/ sendo a retirada em armário digital no IFSC ) ou retirado presencialmente nas farmácias dos Centros de Saúde, UPAs ou Policlínicas. Até outubro de 2025, houve aumento de cerca de 52% na distribuição desses autotestes em relação ao ano anterior.
Tratamento acessível e inovador
Pessoas diagnosticadas com HIV podem iniciar o tratamento de forma rápida, no mesmo dia ou em até sete dias, conforme avaliação clínica, diretamente nos Centros de Saúde, com acompanhamento de equipes qualificadas.
Florianópolis também inovou ao implementar a entrega de medicamentos pelos Correios, garantindo sigilo e comodidade aos pacientes. Desde o início do projeto, cerca de 2 mil pessoas já utilizaram o serviço. Para acessar o serviço a pessoa pode entrar em contato pelo WhatsApp com o número (48) 9 9177 2669.
Além disso, equipes de saúde realizam busca ativa de pessoas que interromperam ou não iniciaram o tratamento. Desde 2024, 1.634 pessoas foram contatadas, e 676 retomaram a terapia.
Atualmente, cerca de 9 mil pessoas estão em tratamento no município, enquanto aproximadamente 1.400 sabem do diagnóstico, mas ainda não iniciaram acompanhamento, muitas vezes devido à desinformação ou ao estigma.
Com os tratamentos atuais, uma pessoa que vive com HIV, ao iniciar e manter corretamente a terapia, pode se tornar indetectável, ou seja, não transmite o vírus e tem qualidade e expectativa de vida semelhantes às de uma pessoa sem HIV.
PEP e PrEP ampliam proteção
A Profilaxia Pós-Exposição (PEP) está disponível para situações de risco, devendo ser iniciada em até 72 horas após a exposição, com tratamento de 28 dias, disponível nos Centros de Saúde e UPAs.
Já a PrEP, ofertada pelo SUS desde 2018, pode ser utilizada a partir dos 15 anos de idade como estratégia contínua de prevenção ao HIV. O agendamento para início da PrEP é feito via bit.ly/teleprepsusfloripa ou pelo (48) 99608-6606.
Florianópolis também participa de estudos nacionais sobre novas tecnologias, como a PrEP injetável, em parceria com instituições de pesquisa, contribuindo para o avanço científico e a ampliação das possibilidades de prevenção no país.