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Estudo mostra que cães conseguem identificar padrões de palavras na fala humana

Foto: James Barker/Unsplash

Por: Ewaldo Willerding Neto

30/09/2026 - 18:09 - Atualizada em: 30/09/2026 - 18:28

Um estudo publicado na revista Science aponta que cães conseguem identificar padrões presentes na fala humana e utilizar essas informações para separar uma sequência contínua de sons em unidades semelhantes a palavras. A pesquisa, porém, não indica que os animais compreendam frases ou acompanhem conversas como os seres humanos.

O trabalho foi realizado por pesquisadores do Laboratório de Neuroetologia da Comunicação da Universidade Eötvös Loránd, em Budapeste, na Hungria. Os cientistas compararam a atividade cerebral de 20 cães e 20 pessoas durante testes com diferentes sequências de sons.

Durante o experimento, os participantes ouviram sílabas apresentadas continuamente, sem pausas que indicassem onde uma palavra terminava e outra começava. Os pesquisadores utilizaram diferentes combinações para verificar quais características sonoras eram utilizadas pelo cérebro na identificação desses padrões.

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Os resultados mostraram que os cães acompanharam com maior eficiência as sequências organizadas a partir das consoantes. Nos seres humanos, também houve identificação de padrões formados por vogais, embora a resposta tenha sido mais forte diante das estruturas baseadas em consoantes.

Foto: Jamie Street/Unsplash

Para observar a atividade cerebral, os pesquisadores utilizaram eletroencefalografia (EEG), técnica que registra sinais elétricos por meio de eletrodos. Tanto cães quanto humanos apresentaram respostas cerebrais mais intensas para as sequências estruturadas por consoantes em determinado intervalo após o início das palavras.

Os estímulos utilizados não tinham significado prévio. Foram criadas palavras sem sentido justamente para verificar se os participantes seriam capazes de reconhecer regularidades sonoras, independentemente do conhecimento anterior dos termos.

A pesquisa também avaliou se a exposição à fala humana desde os primeiros meses de vida teria influência nesse processamento. Entre os cães analisados, alguns haviam convivido desde cedo em ambientes com bastante contato humano, enquanto outros tiveram essa exposição mais tarde. O chamado viés consonantal apareceu nos dois grupos. Os autores, entretanto, ressaltam que a amostra era pequena e que havia informações incompletas sobre o histórico de alguns animais.

Os pesquisadores destacam que o resultado não significa que cães compreendam a linguagem humana da mesma maneira que as pessoas. A descoberta está relacionada à capacidade de identificar regularidades nos sons e utilizá-las para organizar o fluxo da fala.

O estudo também não permite afirmar que essa característica tenha surgido exclusivamente em razão da domesticação. Os cientistas consideram diferentes possibilidades para explicar o fenômeno, incluindo a exposição frequente à fala humana e capacidades auditivas ou cognitivas anteriores na evolução dos cães.

A pesquisa amplia o conhecimento sobre a forma como o cérebro canino processa os sons da fala e mostra que esses animais são capazes de identificar determinados padrões mesmo sem possuir linguagem humana.

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Ewaldo Willerding Neto

Jornalista formado pela UFSC com 30 anos de atuação.