Estudante de escola municipal de Florianópolis é campeã brasileira em hipismo

Foto: Divulgação

Por: Isabelle Stringari Ribeiro

11/09/2023 - 15:09 - Atualizada em: 11/09/2023 - 15:56

Maria Clara Oliveira Cunha Santos e seu grupo de colegas conquistaram o primeiro lugar no Campeonato Brasileiro de Salto para Escolas de Equitação e Aspirantes, categoria Principal, no Rio de Janeiro, destacando-se como campeões representando Santa Catarina.

A aluna da Escola Básica Municipal de Florianópolis Intendente Aricomedes da Silva (EBIAS) destacou-se como representante de Santa Catarina no desafiante salto de 80 centímetros. A equipe vitoriosa contou com a participação de Lívia Aguilar Fracanela, Eduarda Schuelter e Alicia Aguilar Fracanela, sob a experiente liderança de Juliana Gelbic.

Maria Clara sempre teve uma afinidade com animais, em especial por cavalos. No entanto, com o falecimento de seu avô materno, Telmo, a adolescente entrou em depressão, pois ela considerava seu avô como um pai. Diante desse quadro, ela passou por acompanhamento psicológico e, durante uma sessão, a psicóloga questionou a jovem sobre suas paixões. Maria Clara compartilhou seu amor pelos cavalos, descrevendo como pensar neles lhe trazia uma sensação de paz interior.

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A psicóloga, reconhecendo o potencial terapêutico dessa conexão com os cavalos, sugeriu à avó de Maria Clara, Maria Sueli, com quem ela reside, a possibilidade de proporcionar à neta um ambiente onde pudesse estar próxima de cavalos e outros animais. Foi assim que Maria Clara iniciou sua frequência na Sociedade Hípica Catarinense.

Maria Clara, ao adentrar no mundo do hipismo, encontrou uma válvula de escape para suas mágoas, tristezas e perdas. Ela descreve com gratidão como essa paixão preencheu os vazios emocionais em sua vida, tornando-se um poderoso catalisador de superação pessoal.

Incidente antes do campeonato

Duas semanas antes do campeonato, em julho, o comportamento do cavalo Serrano começou a se tornar atípico, conforme relato de Maria Clara. Durante os treinamentos, o animal apresentou uma série de comportamentos indesejados, interrompendo a prática de forma inesperada.

“Ele simplesmente parava, desobedecendo aos comandos. Quando pedíamos para galopar, ele se recusava. Solicitávamos um trote, e ele não respondia. Além disso, demonstrava agressividade, ameaçando coicear, corcovar e até tentar me jogar do selim”, relata Maria Clara.

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Apesar das dificuldades enfrentadas, a estudante persistia em seu esforço.

“Eu não desisti dele, mesmo que, por vezes, tenha sentido frustração e raiva”, enfatiza.

Na última semana de treinamento, Serrano recusou-se a realizar um salto duplo, que envolve dois saltos consecutivos. Maria Clara tentou, mas acabou caindo e batendo a cabeça no solo. “Eu não liguei para a queda, apesar das dores na cabeça e nas costas”, revela.

Entretanto, as emoções a dominaram, e ela ficou desconsolada pela falta de conexão com Serrano. Questionava-se:

“O que fiz de errado? Por que nossa sintonia se perdeu? O que estava acontecendo?”

O receio de que Serrano não gostasse mais dela a afligia. Nesse momento, a professora de equitação, Cristina, dirigiu-se a Maria Clara com palavras de consolo:

“Maria, está tudo bem. Há dias bons e ruins. Se você estiver com medo, não precisa levá-lo ao campeonato brasileiro. Podemos encontrar outro cavalo para você”, ofereceu.

Maria Clara recorreu à fé em busca de orientação. “Senhor, o que devo fazer?”, orou. Em sua mente, surgiu a resposta: “Não desista desse cavalo, ele é sua parceria”. Com determinação, ela respondeu à professora: “Eu vou montar de novo. Eu vou montar de novo!”.

Com coragem, ela se levantou, limpou as calças e o capacete, e subiu novamente em Serrano. Completou todo o percurso, incluindo os saltos, inclusive o duplo, com sucesso. A professora Cristina expressou seu orgulho por Maria Clara, afirmando que a dupla havia se destacado.

“Aquele dia me mostrou que, mesmo diante das dificuldades, não devemos desistir antes de descobrir o que pode acontecer”, refletiu.

Maria Clara costuma dizer: “O esforço supera o talento, quando o talento não se esforça”.

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