A equoterapia é um método terapêutico que associa o uso do cavalo ao trabalho da fisioterapia, psicologia e pedagogia. O ambiente fresco e verde das árvores da Sociedade Hípica de Jaraguá do Sul, às margens da BR-280, favorece ainda mais a terapia de Janaina de Oliveira Cerkal, 28 anos, que é cadeirante há 11 anos.
Em 2005, Janaina sofreu uma encefalomielite, causada por uma meningite forte que atingiu a medula e foi para o cérebro. “Cheguei aqui tetraplégica, minha mãe me dava comida na boca e eu só mexia os olhos”, fala emocionada.
Nas segundas-feiras, por 30 minutos, Janaina faz as sessões que estimulam o equilibro e a caminhada. “O caminhar do cavalo é semelhante ao caminhar humano”, destaca a pedagoga e instrutora de equitação, Paula Monteiro. Esses estímulos levam, segundo ela, levam o praticante aos ajustes de força, equilíbrio, coordenação motora, relaxamento muscular e postura.
A sessão começa sempre na areia, para relaxamento e depois segue para a grama e brita. Em uma parte do percurso, os instrutores questionam sobre a distância entre obstáculos e mudanças do trajeto. “Assim, ela tem uma noção de percepção”, destaca o fisioterapeuta, Carlo Frederico Fernandes.
Todos os cavalos usados na equoterapia são mansos e para garantir a segurança de quem o pratica, dois a três profissionais acompanham a sessão – um vai à frente para puxar a redia do cavalo e outros dois ao lado para dar equilíbrio. O grande desafio dos instrutores com os praticantes é incentivar a confiança. “Eu sentia muito medo de cair do cavalo, pois não tinha força nas pernas”, diz Janaina.
A instrutora diz com orgulho que Janaina teve avanços significativos. “Para as pessoas são coisas simples, mas para nós que vemos o esforço dela, sabemos que não é fácil”. O que para muitos pode ser algo fácil, como colocar o cape, o capacete usado pelos cavalheiros na montaria, com o cavalo em movimento, para ela, foi um desafio vencido com pequenos avanços, paciência e superação.
Janaina começou o tratamento em setembro do ano passado e as mudanças foram notadas. Em 14 dias, a paciente recuperou um pouco dos movimentos do braço. Sem condições de pagar os R$ 120 por sessão, as aulas foram paradas por dois meses. “Senti muita falta, pois os músculos que antes trabalhavam, pararam de trabalhar, além de dores na coluna”, salienta.
As aulas acontecem na Sociedade Hípica de Jaraguá do Sul, às margens da BR-280. A AJAE (Associação Jaraguaense de Equoterapia) tem o projeto Adote um Praticante, onde pessoas físicas e jurídicas podem contribuir com recursos que garantam atendimentos gratuitos a praticante de baixa renda. “Um empresário que prefere não se identificar, está patrocinando as sessões da Janaina e de mais um aluno”, diz Paula.
Atualmente a AJAE atende 22 crianças, sete adolescentes e dois adultos. Cerca de 48% dos praticantes tem a terapia paga pelos pais outros 52% não pagam pela terapia, ou por receberam gratuidade na entidade ou por serem patrocinados.