Clique aqui e receba as notícias no WhatsApp

Whatsapp

Entre recomeços e companheirismo: o crescimento dos relacionamentos na maturidade

Foto: Magnific

Por: Áurea Arendartchuk

12/06/2026 - 07:06

O amor não tem idade. Em uma fase da vida marcada por mais experiência, maturidade e autonomia, homens e mulheres acima dos 60 anos estão redescobrindo os relacionamentos e mostrando que nunca é tarde para viver novas histórias afetivas. Em meio ao clima do Dia dos Namorados, muitos casais provam que o companheirismo, o carinho e a conexão emocional seguem ganhando novos significados com o passar dos anos.

O movimento acompanha uma transformação demográfica importante no País. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a população 60+ cresceu 56% nos últimos 12 anos. Em 2022, o Brasil passou a ter mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 15,6% da população.

Além disso, a expectativa de vida do brasileiro chegou a 76,6 anos, segundo dados mais recentes do IBGE. O aumento da longevidade também mudou a forma como a terceira idade enxerga o envelhecimento. Hoje, idosos permanecem mais ativos socialmente, conectados à tecnologia, inseridos no mercado de trabalho e interessados em experiências ligadas ao lazer, turismo e vida afetiva.

Clique e assine o Jornal O Correio do Povo!

Viuvez também impulsiona novos relacionamentos

O crescimento da população idosa também aumentou o número de pessoas viúvas no País. Dados do IBGE mostram que a viuvez é mais frequente entre pessoas 60+, principalmente entre mulheres, já que elas possuem maior expectativa de vida em relação aos homens.

Com isso, muitos brasileiros chegam à terceira idade após décadas de casamento e acabam enfrentando períodos de solidão após a perda do companheiro ou companheira. Especialistas apontam que, depois do processo de luto, a busca por novos relacionamentos tem surgido como uma forma de reconstruir vínculos afetivos, sociais e emocionais.

Diferente de gerações anteriores, a terceira idade atual encara com mais naturalidade a possibilidade de recomeçar. O avanço da tecnologia, a ampliação dos grupos de convivência e uma vida social mais ativa também ajudam a aproximar pessoas que buscam companhia e qualidade de vida.

Foto: Magnific

Divórcios

Os reflexos aparecem até mesmo nos registros civis. Dados da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil) apontam crescimento no número de casamentos envolvendo pessoas acima dos 60 anos nos últimos anos. Paralelamente, o País também registrou aumento nos divórcios entre idosos, fenômeno que especialistas chamam de “divórcio grisalho”, mostrando que muitos brasileiros têm buscado recomeços afetivos mesmo após décadas de casamento.

A tecnologia também passou a aproximar esse público. Segundo levantamento da pesquisa TIC Domicílios, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), o uso da internet entre idosos praticamente triplicou na última década. Aplicativos de relacionamento, redes sociais e grupos de convivência ajudaram a romper barreiras e ampliar as possibilidades de interação social na terceira idade.

Especialistas em envelhecimento e saúde mental apontam que manter vínculos afetivos e sociais contribui diretamente para a qualidade de vida. Estudos publicados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) relacionam a solidão e o isolamento social ao aumento de riscos de depressão, ansiedade e doenças cardiovasculares entre idosos. Em contrapartida, relações saudáveis ajudam no bem-estar emocional, autoestima e até na disposição para atividades físicas e convivência social.

O tema também reflete uma mudança cultural importante. Diferente de gerações anteriores, muitos 60+ atuais pertencem a uma geração mais independente, que valoriza liberdade, felicidade emocional e autonomia. O preconceito em torno dos relacionamentos na maturidade ainda existe, mas vem perdendo espaço para histórias que mostram que o amor continua sendo importante em qualquer fase da vida.

Mais do que romance, os relacionamentos após os 60 anos representam parceria, acolhimento e a vontade de compartilhar experiências. Em um cenário em que a população brasileira envelhece rapidamente, o crescimento dessas relações também evidencia uma nova forma de enxergar a terceira idade: mais ativa, conectada e emocionalmente aberta a recomeços.

Entre novos encontros, companheirismo e redescobertas, a maturidade mostra que o amor não envelhece — apenas amadurece.

 

Clique aqui e receba as notícias no WhatsApp

Whatsapp

Áurea Arendartchuk

Jornalista com mais de 20 anos de experiência, atuei como repórter, colunista, editora e assessora de imprensa.